
Milhares de pessoas saíram ontem às ruas de Lisboal para protestar contra o pacote de alterações à lei laboral, numa altura em que o Governo acredita estar perto de alcançar um “acordo com os parceiros sociais”.
Ao longo do percurso, os manifestantes entoaram palavras de ordem como “Contratação sim, caducidade não” e “salários de miséria, rendas a subir, o povo não aguenta”, refletindo o descontentamento face às propostas em discussão.
Sob o lema “Abaixo o pacote laboral! Aumentar salários, garantir direitos, é possível uma vida melhor”, o protesto é uma forma de reivindicação para que o Governo recue em matérias consideradas prejudiciais aos trabalhadores e que vão aumentar a precariedade.

Na véspera, a ministra do Trabalho afirmou que as negociações estão na fase final, garantindo que restam apenas “dois ou três temas” por resolver para fechar um acordo em sede de Concertação Social. O Governo pretende concluir esta etapa “nos próximos dias”, antes de avançar com a proposta de lei para o Parlamento.
A CGTP, organizadora da manifestação, tem denunciado o que considera uma “farsa” no processo negocial. A central sindical acusa o Governo de falta de transparência, de conduzir as negociações à margem dos trabalhadores e de excluir a CGTP da reunião da Comissão Permanente de Concertação Social.
A UGT também já veio contrariar a ministra, afirmando que o entendimento “está longe”.
Enquanto decorriam os protestos nas ruas, a ministra reunia-se novamente com a UGT e patrões. Estes últimos aceitaram a proposta da lei laboral, mas a organização sindical continua sem concordar com o Governo.

O contraste entre a contestação social nas ruas e o discurso governamental de aproximação a um acordo deixa clara a distância entre o executivo e os trabalhadores.
O desfecho das negociações permanece incerto, mas manifestação mostrou que a contestação ao pacote laboral continua em peso e capaz de mobilizar milhares de trabalhadores.
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