Megaburla em Palmela gera revolta em bairros de luxo
Moradias vendidas a mais do que um comprador, obras por concluir e acusações espalhadas em muros marcam uma alegada megaburla imobiliária na freguesia de Palmela, onde dezenas de clientes afirmam ter perdido milhares de euros.

A tranquilidade habitualmente associada às zonas residenciais de Aires, em Palmela, tem sido substituída por um clima de revolta. Em várias ruas, muros e vedações exibem frases de denúncia dirigidas a um empresário da construção civil que está acusado por diversos clientes de ter vendido a mesma moradia a dois e até três compradores.
As vivendas localizam-se em áreas onde os preços rondam entre trezentos e quatrocentos mil euros. À primeira vista, muitas das casas parecem prontas, mas, segundo os lesados, o problema começou quando o construtor passou a exigir quantias adicionais no âmbito dos contratos de compra e venda. Em vários casos, os compradores garantem ter entregue o valor total das habitações, mas a conclusão das obras e a entrega das chaves nunca chegou a acontecer.
Na Avenida Cidade da Praia, torna-se evidente o descontentamento. A meio da via, um muro de um dos lotes apresenta a inscrição “Remax Burla”. A imobiliária é citada em queixas divulgadas publicamente, embora, segundo uma reportagem da revista Sábado, existam outros mediadores imobiliários que também terão participado no processo de venda das moradias envolvidas. O caso já é apontado por várias fontes como uma alegada megaburla de proporções invulgares no concelho.
Prosseguindo pela Rua Santa Teresinha, no centro de Aires, surgem mais mensagens de protesto. Num prédio de dois andares, a fachada revela acusações dirigidas ao mesmo empresário, descrito por alguns clientes como alguém que circulava em automóveis de luxo enquanto as obras ficavam por concluir. Estimam os lesados que o alegado esquema poderá ter rendido mais de três milhões de euros ao construtor.
Vários compradores relatam que, ao longo do processo, foram confrontados com pedidos de novos pagamentos justificados com a alegada falta de plafond bancário para terminar as obras. Algumas moradias chegaram a avançar parcialmente, mas nunca foram oficialmente entregues. Noutras situações, as obras nem sequer saíram do papel, como acontece na urbanização “Alcaide Villas”, onde o terreno e as infraestruturas estão visíveis, mas a construção nunca arrancou. Material chegou a ser colocado no local, mas desapareceu dias depois, assim como uma grua que chegou a ser montada.
Na Venda do Alcaide, também no concelho de Palmela, restam agora vedações com mensagens como “Burla II + 26 lesados”, reforçando a dimensão do caso que, segundo os moradores, continua a ganhar contornos crescentes.
As autoridades encontram-se a investigar as denúncias apresentadas, recolhendo informação sobre a operação imobiliária e os negócios alegadamente praticados pelo construtor.
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