Maternidade independente cresce em Portugal
Especialistas da Ferticentro, em Coimbra, explicam que o processo pode iniciar-se em poucas semanas e garantem que as taxas de sucesso são semelhantes — ou até ligeiramente superiores — às registadas em casais heterossexuais, destacando o papel determinante da preparação emocional e da rede de apoio.
O desejo de ser mãe já não está, necessariamente, dependente de uma relação amorosa. Um novo comunicado da Ferticentro, em Coimbra, aponta para o aumento de mulheres que escolhem avançar sozinhas para a maternidade, recorrendo à Procriação Medicamente Assistida (PMA), numa decisão que combina fatores biológicos, estabilidade profissional e um projeto de vida assumido.
Segundo Alexandra Grade Silva, psicóloga clínica da Ferticentro, estas mulheres “têm, muitas vezes, entre 38 e 45 anos”, procurando tratamentos “mais tarde do que mulheres que estão em casal”. Em muitos casos, acrescenta, apresentam “formação superior, uma carreira profissional estável e independência financeira”, o que lhes dá “maior autonomia na tomada de decisão”.
A especialista explica que, de forma geral, são mulheres que “já viveram relações longas” e que, em algum momento, imaginaram “constituir uma família tradicional com dois progenitores”, mas que não encontraram “um parceiro compatível com este projeto”. Ainda assim, “o desejo profundo e duradouro de maternidade” acaba por se sobrepor à expectativa de encontrar o “parceiro ideal”, sobretudo quando surge a perceção do “avanço da idade e da diminuição do tempo fértil”.
Tratamentos e prazos: “mais acessível do que se pensa”
Do ponto de vista clínico, Carolina Coimbra, médica ginecologista e obstetra da Ferticentro, sublinha que o processo pode ser mais rápido do que muitas mulheres imaginam. Entre a primeira consulta e o início do tratamento, “passam geralmente quatro a oito semanas”, período destinado a exames, definição do plano terapêutico e preparação em segurança.
As opções para maternidade independente incluem, de acordo com a médica, “inseminação intrauterina com recurso a dador de esperma”, “fertilização in vitro (FIV) com esperma doado”, “dupla doação (óvulos e esperma, para criação de embriões)”, bem como “transferência de embriões doados”.
Quanto às probabilidades de sucesso, Carolina Coimbra refere que as taxas “tendem a ser semelhantes ou ligeiramente superiores às observadas em casais heterossexuais”, justificando que, nestes casos, existe “necessariamente o recurso a dador de esperma”, e que o sémen é sujeito a “uma seleção rigorosa”, reduzindo a variabilidade do contributo masculino.
Dúvidas emocionais, pressão social e a importância da rede de apoio
O comunicado destaca ainda que a decisão pode trazer desafios emocionais e sociais. Alexandra Grade Silva aponta que as dúvidas mais frequentes são “de natureza emocional”, com sentimentos de “autoculpabilização”, “diminuição da autoestima” e comparação com percursos “mais tradicionais”.
Há também receios sobre a capacidade de cuidar de um filho a solo e sobre a robustez da rede de apoio: “alguma incerteza quanto ao apoio real que os familiares e amigos estão dispostos a dar no quotidiano e em momentos de maior necessidade”.
Ainda assim, Carolina Coimbra defende que esta escolha é, muitas vezes, “uma resposta pragmática às circunstâncias da vida”, mas também “uma decisão deliberada e empoderadora”, que “legitima novos modelos familiares”. E acrescenta que estudos apontam para redes de apoio relevantes, sobretudo de familiares e amigos.
“Mais do que a estrutura, conta a qualidade das relações”
O comunicado da Ferticentro sublinha que a maternidade independente é “um projeto de vida legítimo e profundamente pessoal”, mas que não tem de ser vivido em isolamento. Entre as recomendações estão o acompanhamento médico e psicológico, a partilha com outras mulheres com experiências semelhantes e o envolvimento de familiares e amigos.
A mensagem final é clara: “Mais do que a estrutura familiar, o que mais contribui para o bem-estar de uma criança é a qualidade das relações, o afeto, a estabilidade e o ambiente emocional seguro”, lembrando que a família “pode assumir diferentes formas” e que estas são válidas “quando há amor, responsabilidade e segurança”.
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