Os vinhos da Herdade do Perú estiveram esta terça-feira em destaque em Sesimbra, numa apresentação que juntou a produção da propriedade à terceira colheita do «Cezimbra», vinho criado a partir da Vinha Municipal de Sampaio.
A iniciativa contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Francisco Jesus, e de João Brito e Cunha, da Herdade do Perú, entre outros convidados. O Diário do Distrito esteve presente. Durante o encontro foram apresentados os vinhos das duas produções, num momento dirigido também aos empresários da hotelaria e restauração do concelho.
O evento serviu ainda de apresentação da XIV Mostra de Maçã Camoesa, Doçaria e Pão. A iniciativa integra a aposta do município na divulgação dos produtos ligados ao território e à identidade de Sesimbra.
Por sua vez, a presença da Herdade do Perú colocou em destaque a produção vitivinícola privada no concelho. A propriedade procura reforçar a ligação à região e aumentar a presença dos seus vinhos na restauração local.
João Brito e Cunha «passou a bola» à enóloga
À margem da apresentação, o Diário do Distrito falou com João Brito e Cunha sobre os vinhos da Herdade do Perú. Na primeira pergunta, procurou perceber o que distingue os vinhos Herdade do Perú Particular da colheita de 2025. Contudo, Brito e Cunha preferiu ‘passar a bola’ a quem acompanha diretamente a produção.
«Isso é uma pergunta muito técnica, que é para uma conhecedora que está mesmo aqui ao lado», respondeu, indicando Marta Esteves, enóloga da Herdade do Perú.
A partir daí, a conversa prosseguiu com a responsável pela enologia da propriedade. Marta Esteves falou sobre a qualidade da produção, a estratégia comercial e os principais desafios que as vinhas enfrentam em Sesimbra.
«O nosso foco não é a quantidade, é qualidade»
A enóloga começou por destacar as dificuldades provocadas pelas condições meteorológicas. O inverno rigoroso trouxe preocupações para a produção, embora o resultado tenha correspondido aos objetivos da Herdade do Perú.
«Acima de tudo, como o nosso foco também não é a quantidade, é qualidade, na qualidade que nós tivemos, foi top», afirmou Marta Esteves.
Em termos de quantidade, a produção ficou dentro do esperado. Segundo a responsável, a estratégia passa por evitar uma exploração excessiva das vinhas e privilegiar a maturação.
«Era aquilo que nós desejávamos, que era não puxar muito pela vinha e, ao mesmo tempo, ter um amadurecimento das uvas ideal para o grau e acidez», explicou.
Herdade do Perú quer valorizar Sesimbra
A ligação ao território foi outro dos temas abordados na entrevista. Questionada sobre a importância de participar na iniciativa e da colaboração com a Câmara Municipal, Marta Esteves destacou a valorização do concelho.
«Acima de tudo, estamos a valorizar aqui Sesimbra», afirmou.
A enóloga reconheceu, contudo, que o setor atravessa dificuldades. «Não estamos num mercado fácil», admitiu.
Ainda assim, a Herdade do Perú pretende contribuir para contrariar essa tendência através do vinho e das restantes atividades da propriedade.
«Já estamos a valorizar a região com a Herdade, com os eventos, com as aquisições e vamos valorizar também com a parte do vinho», acrescentou.
Supermercados ficam fora da estratégia
A Herdade do Perú não pretende, para já, colocar os seus vinhos nas prateleiras dos supermercados. Questionada diretamente pelo Diário do Distrito sobre essa possibilidade, Marta Esteves respondeu: «Não.»
A estratégia comercial aponta noutra direção.
«O nosso foco é garrafeiras. O nosso foco é restaurantes, restaurantes de topo», explicou.
Existe, porém, uma referência que deverá assumir uma presença particular na região. Trata-se do «Casa dos Netos».
Segundo Marta Esteves, este vinho posiciona-se numa gama mais baixa. Ao mesmo tempo, mantém os princípios que a Herdade do Perú aplica aos restantes vinhos.
«Nós acreditamos que todos os restaurantes devem ter um bocadinho de Herdade», afirmou.
Desta forma, a propriedade pretende facilitar a presença dos seus vinhos num maior número de estabelecimentos da região.
«Tivemos vinhas debaixo de água»
Produzir vinho nesta zona também apresenta desafios específicos. A proximidade do mar aumenta a exposição das vinhas às tempestades e torna os meses de inverno particularmente exigentes.
«Estamos muito próximos do mar. Realmente temos mais tempestades», explicou Marta Esteves.
Este ano, as condições chegaram a provocar problemas nas próprias vinhas. «Foi um inverno muito difícil para nós. Tivemos vinhas debaixo de água», revelou.
No verão, o desafio passa sobretudo pela gestão do calor. Nesse caso, porém, a localização também pode trazer vantagens.
As noites mais frescas ajudam a preservar a acidez das uvas. Segundo a enóloga, esse equilíbrio contribui para alcançar o perfil pretendido nos vinhos da Herdade do Perú.
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