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Marrocos aponta desinformação como causa da crise migratória em Ceuta

O Ministério do Interior de Marrocos atribuiu a recente entrada massiva de migrantes em Ceuta à desinformação difundida nas redes sociais, à ação de redes de tráfico de seres humanos e à interpretação errada de decisões judiciais espanholas relacionadas com a imigração.

O Ministério do Interior de Marrocos considerou que os acontecimentos registados nos últimos dias em Ceuta resultaram da combinação de informações enganadoras difundidas nas redes sociais, da atividade de redes de tráfico de seres humanos e da interpretação incorreta de normas legais relacionadas com a imigração.

Em comunicado citado pela imprensa marroquina, as autoridades afirmam que estas circunstâncias levaram muitas pessoas a acreditar que poderiam alcançar facilmente território europeu e permanecer nele sem consequências legais.

Segundo o ministério, os serviços de segurança adotaram desde o início uma estratégia de vigilância reforçada e de acompanhamento permanente da situação, procurando controlar os movimentos junto da fronteira e prevenir incidentes que colocassem em risco a segurança das pessoas.

As autoridades marroquinas estimam que cerca de 40 mil pessoas tenham tentado entrar irregularmente em Ceuta, enquanto outras 1.135 procuraram alcançar Melilha. De acordo com os dados oficiais, todos os migrantes que conseguiram chegar a Melilha foram posteriormente repatriados.

O Governo marroquino considera ainda que uma recente decisão do Supremo Tribunal de Espanha contribuiu para alimentar falsas expectativas entre potenciais migrantes. A sentença determinou que pessoas intercetadas no mar não podem ser devolvidas automaticamente a outro país, estabelecendo critérios diferentes para situações de entrada por via terrestre e marítima.

Na perspetiva das autoridades de Rabat, a forma como essa decisão foi divulgada e interpretada alimentou a crença de que seria possível evitar o repatriamento imediato após uma entrada irregular em território espanhol.

A crise migratória levou Espanha a reforçar a presença de forças de segurança em Ceuta e a intensificar a cooperação com Marrocos para controlar os movimentos fronteiriços e acelerar os processos de repatriamento.


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