Marcelo recebe prémio atribuído pelo rei Filipe VI
Marcelo Rebelo de Sousa recebeu das mãos do rei de Espanha o Prémio Fórum La Toja-Josep Piqué, numa abertura marcada por apelos à defesa do direito internacional e ao reforço do papel das democracias europeias.
O antigo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa foi distinguido esta quinta-feira, 1 de outubro, com o Prémio Fórum La Toja-Josep Piqué, entregue pelo rei Filipe VI durante a abertura da oitava edição do Fórum La Toja – Vínculo Atlântico, em O Grove, na Galiza. A atribuição do galardão e a presença de Marcelo estão confirmadas pela Casa Real espanhola e pelo programa oficial do encontro.
A organização justificou a escolha do antigo chefe de Estado português, que exerceu funções entre 2016 e 2026, pelo contributo para a aproximação entre Portugal e Espanha e pela ligação ao espaço atlântico.
Na intervenção de agradecimento, Marcelo centrou-se na transformação da ordem internacional e defendeu a importância de preservar o diálogo, a cooperação e a procura do bem comum num período marcado por conflitos e pelo enfraquecimento de instituições multilaterais.

Filipe VI pede mais força e autonomia à Europa
A situação internacional dominou também o discurso de Filipe VI.
O monarca espanhol defendeu que as democracias europeias devem assumir um papel central na proteção do direito internacional e tornar-se mais fortes e autónomas em áreas como defesa, indústria, educação e formação. O rei considerou ainda que a atual instabilidade internacional não tem necessariamente de conduzir ao colapso da ordem existente, podendo abrir caminho a uma estrutura global reformada e mais adaptada aos novos desafios.
Entre os temas mencionados estiveram as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, as ameaças híbridas, a transição energética e a necessidade de manter a Inteligência Artificial sob controlo humano.
Sánchez alerta para a “lei da força”
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, também participou na sessão inaugural, enquadrada este ano pelo tema “Um mundo em desordem”.
Sánchez argumentou que a instabilidade internacional beneficia sobretudo os atores com maior capacidade económica, militar ou negocial e defendeu a manutenção das instituições multilaterais e das Nações Unidas como contrapeso a uma ordem baseada exclusivamente nas relações de força.
Antes da abertura oficial foi ainda apresentado um estudo da Sigma Dos sobre a perceção dos espanhóis relativamente à situação política, económica e internacional. Segundo os dados divulgados pela organização, 56,3% dos inquiridos consideram que a NATO reforça a proteção da soberania e segurança de Espanha, enquanto 40,6% defendem maior peso do atlantismo na política externa espanhola.
O levantamento ouviu 1.516 pessoas com mais de 16 anos, entre 1 e 8 de setembro, e apresenta uma margem de erro indicada de ±2,5%.
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