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Marateca cobra respostas à Câmara em última sessão descentralizada do ciclo

Encontro na Marateca cobra respostas da Câmara

A sessão que encerrou o ciclo de reuniões descentralizadas da autarquia decorreu na sede do grupo Leões de Cajados, na freguesia da Marateca, e reuniu um número expressivo de moradores, que a presidente da Câmara, Ana Teresa Vicente, destacou como sinal positivo de participação cívica.

O caso que gerou mais tensão foi trazido por Sílvia Baião, moradora do Bairro dos Marinheiros, na freguesia da Quinta do Anjo. Em causa está a situação de nove famílias que continuam sem solução porque um dos proprietários de uma Área Urbana de Génese Ilegal se recusa a assinar o alvará de loteamento, já aprovado em dezembro de 2025. A moradora chegou a questionar publicamente se a autarquia estaria a ser alvo de pressão para não avançar com o processo. Em resposta, o vereador Paulo Garcia confirmou que a assinatura continua pendente, mas garantiu que o município não cederá a qualquer tentativa de condicionamento.

Outro tema abordado foi o projeto anunciado para a zona de Fernando Pó, associado à duplicação da linha ferroviária entre o Poceirão e o Bombel. Questionada pelo dirigente associativo Duarte Pedroso, a presidente da Câmara assegurou que não há alterações ao projeto inicial e que a intervenção incidirá sobre o jardim junto à estação, sem afetar a coletividade local nem as habitações da zona.

Já sobre a rede viária de Cajados, a moradora Rosa Pereira alertou para a degradação das ruas 5 de Outubro e 1.º de Maio, cujo alcatrão foi removido e ainda não foi reposto, uma situação que se arrasta há dois anos. A mesma residente elogiou a recuperação do reservatório de água da zona, considerando que devolveu dignidade à imagem do bairro, mas apontou também falhas no espaço de estacionamento reservado a pessoas com deficiência, atualmente insuficiente. O vereador Paulo Garcia adiantou que a pavimentação em Algeruz deverá ficar resolvida nos próximos meses, enquanto o vereador José Carlos de Sousa explicou que os afundamentos verificados no piso resultaram das cheias e que a obra em questão ainda não foi formalmente entregue à Câmara, estando prevista a interpelação da empresa responsável para acelerar a correção.

A limpeza urbana foi outro dos temas em discussão. Verónica Santos pediu a poda de árvores que impedem a leitura dos contadores de água e alertou para o estado da vala real, tomada por canaviais, com risco de agravar futuras cheias. O vereador Paulo Garcia comprometeu-se a deslocar-se ao local para avaliar a situação das árvores, esclarecendo, contudo, que a limpeza da vala, por atravessar terrenos privados, é da responsabilidade dos respetivos proprietários.

Sandra Almeida, do Bairro Sesmarias do Pato, denunciou dificuldades de acesso das ambulâncias à zona devido à localização dos contentores de lixo, pedindo a sua remoção, e questionou ainda quando serão repostos bancos e papeleiras na rua principal de Águas de Moura.

Antes de encerrar a sessão, Ana Teresa Vicente fez um balanço dos temas discutidos, reconhecendo o problema da acumulação de lixo junto à ponte da Agualva de Cima, onde empresas depositam resíduos de jardim e outros detritos, situação também criticada por Paula Santos, que pediu a deslocação dos ecopontos instalados na Avenida da Liberdade. A autarca sublinhou ainda a satisfação manifestada por vários residentes com as obras realizadas em Águas de Moura, que consideram ter facilitado a entrega de encomendas e a circulação de carrinhos de bebé, anunciando a colocação de passadeiras junto aos estabelecimentos comerciais locais.

Na reta final da intervenção, a presidente recordou alguns dos investimentos já concretizados pelo município na freguesia, entre os quais a transformação da Casa Rural em museu, a requalificação do polidesportivo de Cajados e a intervenção na zona do Sobreiro. Ana Teresa Vicente terminou a sessão com um apelo direto à população, recomendando que nenhum terreno seja adquirido sem consulta prévia junto dos serviços camarários.


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