‘Mapa de Lugares Conhecidos e a Descobrir’ para brincar em nove concelhos da região de Setúbal
Mapa foi elaborado pela AMRS
O auditório dos Serviços Centrais da Câmara Municipal do Seixal recebeu esta quinta-feira a sessão de apresentação pública do projeto «Uma Região a Brincar – Lugares Conhecidos e a Descobrir», da responsabilidade da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS).
A AMRS lança assim o ‘Mapa de Lugares Conhecidos e a Descobrir’, que disponibiliza um total de cinquenta pontos de interesse para brincadeiras nos municípios nove municípios que integram actualmente a entidade: Alcochete, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Alcácer do Sal, Grândola e Santiago do Cacém.
Com a participação de 1200 crianças das escolas destes municípios, a iniciativa surge no após a apresentação do Manifesto pelo Direito a Brincar, em 2021, no encontro «O Tempo de Brincar é o Tempo de Crescer», que decorreu na Moita, e no qual foi lançada o compromisso dos municípios desta região em promover o desenvolvimento integral das crianças, em consonância com a Convenção dos Direitos da Criança.
A elaboração do mapa ‘Uma Região a Brincar’ foi realizada no âmbito do Grupo Intermunicipal da Educação da Associação de Municípios da Região de Setúbal, com a colaboração da Universidade de Aveiro, envolvendo os municípios da AMRS.
“Este é um projeto que tem um potencial gigantesco para ser trabalhado a vários níveis, de forma muito transversal, pelas autarquias” referiu Sofia Martins é a Secretária-Geral da AMRS na sessão de abertura, que contou com a presença da presidente da AMRS, Ana Teresa Vicente (presidente da Câmara Municipal de Palmela) e de Paulo Silva, vice-presidente da AMRS (presidente da Câmara Municipal do Seixal).
“Trata-se de um projecto não apenas ligado à educação, mas também a todos os setores das autarquias, seja quem trabalha os espaços públicos, seja quem trabalha o planeamento e o urbanismo, para se pensar as cidades em prol das nossas crianças, como locais que favorecem esse espaço de brincadeira.
Neste projeto decidimos construir um mapa graficamente atrativo, com georreferenciação dos lugares de brincadeira do distrito de Setúbal, por município aderente ao projeto, por tipologia de espaço, num site da Associação de Municípios da Região de Setúbal, e com links nos sites dos municípios aderentes.”
Na sua intervenção, Paulo Silva frisou que “o lançamento do projecto está entrelaçado na celebração dos 52 anos do 25 de Abril e dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa. É por isso também uma grande homenagem a todos aqueles que lutaram para que o 25 de Abril fosse possível. Aqueles que, nas palavras do Soeiro Pereira Gomes, «foram os homens que nunca foram meninos» porque nunca tiveram o direito a brincar, porque tiveram que começar a trabalhar logo muito cedo.”
O autarca relembrou os tempos em que “quando era menino, na Cruz de Pau onde nasci, não tínhamos um parque infantil, e foi com enorme alegria que vimos ser construído ali um desses equipamentos, pela Comissão de Moradores após o 25 de Abril de 74, com aquela fúria transformadora da população de querer construir o seu futuro.
E foi essa felicidade que, sem dúvida, nos fez desenvolver, porque brincar é essencial para o desenvolvimento físico, social, emocional e intelectual das crianças.
Por isso, garantir o direito a brincar é, indubitavelmente, cumprirmos Abril e darmos valor à necessidade de proteção à infância, e trabalharmos para o futuro dos nossos territórios.»
Paulo Silva agradeceu “o trabalho fundamental da AMRS na construção desta região, com tantos projetos que têm sido fundamentais para a coesão e o desenvolvimento desta região” e não deixou de enviar um ‘recado’ para “aqueles que querem apagar esta Associação e assim também, apagar a História do Distrito de Setúbal, mais cedo ou mais tarde serão eles a ser apagados pela História”.
Por sua vez, Ana Teresa Vicente manifestou “um sentimento de gratidão para com todos os técnicos da AMRS e dos municípios envolvidos, que continuam a levar por diante estes projetos com uma enorme convicção, enorme dedicação e com muita confiança.
Só mesmo pessoas que acreditam nos projetos e que se dedicam inteiramente às causas em que estão envolvidos é que conseguem trabalhar nestes contextos.”
Admitindo que “não foram ainda alcançados todos os objectivos propostos após o 25 de Abril, temos também de olhar para o que existia ‘antes’. Sim, podemos dizer que foram criados muitos projectos na década de sessenta, mas também temos de nos lembrar que naquela altura o país era apenas Lisboa.
Perguntemos a esta região de Setúbal onde é que estava o saneamento básico, onde é que estavam as infraestruturas básicas, onde é que estavam as poucas escolas.”
Acerca do projecto, a presidente da AMRS salientou que “conhecermos os locais da nossa região é um desafio fenomenal, fascinante, não só para as crianças como para os pais.
Mas não é só essa a importância do projeto. É também o tempo em que ele surge, exatamente no momento em que as nossas crianças precisam de ser absolutamente desafiadas, numa altura em que se centram exclusivamente nas tecnologias e nos ecrãs.
E é com a ajuda do ecrã que este projecto pretende catapultá-las para um espaço real, para um espaço de brincar e de brincar no território, em locais concretos.”

Um mapa que ajuda a brincar
A apresentação dos passos projecto coube depois ao painel composto por Vanessa Silva, jurista e responsável técnica do Grupo Intermunicipal da Educação da AMRS, Maria João Macau, vereadora da Educação e Cultura da Câmara Municipal, e de Frederico Moura e Sá, urbanista, arquitecto, mestre em Planeamento do Território e licenciado em Engenharia Civil, Opção de Planeamento do Território.
Vanessa Silva começou por nomear o processo que levou à elaboração do actual Mapa, “porque não começámos este percurso hoje, temos vindo, ao longo dos anos, a desenvolver um longo caminho.
O trabalho que aqui hoje trazemos é muito singelo, mas também tem o objetivo de fazer esta afirmação: ‘ser criança é brincar’.
Começámos a trabalhar este tema em torno da questão da ocupação dos tempos livres da criança, tendo como ponto de partida o facto de as crianças passarem tantas horas nas escolas, e chegámos à conclusão que precisávamos de trabalhar a questão do brincar.
Reunimos um conjunto de especialistas para além das áreas da educação e da motricidade e tivemos a sorte de o professor Frederico de Sousa Moura ter aceite o nosso convite de participar no grupo interdisciplinar e ter lançado o desafio de mapear os lugares de brincar, num encontro que decorreu em Sesimbra. E a ideia foi abraçada pelos restantes municípios da AMRS.”
Intercalando estórias do seu percurso e a forma como foram surgindo as ideias que culminaram no Mapa, Frederico Moura e Sá frisou a importância do olhar das crianças para com a cidade onde vivem, através de desenhos da filha, mas também que recolheu em escolas, e nos quais as crianças se limitam a desenhar estradas e poucos prédios ou espaços verdes.
“Esta é a visão das crianças que apenas conhecem a sua região através do vidro do automóvel.
Isto mostra bem o tipo de ambiente que coletivamente criámos, não é culpa apenas de um decisor, porque todos nos organizámos para produzir a cidade que temos hoje, e que não pára de crescer, e que a literatura designa como «o artefacto mais complexo que a humanidade já produziu».
Daí a importância de criarmos espaços de brincar nas cidades, ou de os encontrar. Porque brincar é um gatilho que ultrapassa tudo, e numa sociedade tantos ‘ismos’, é o brincar que nos pode aproximar.”
O mapa está já disponível em https://mapadobrincar.amrs.pt/

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