Julgamento em Almada: jovens acusados de espancar sem-abrigo por causa de telemóvel dizem que não houve intenção de matar
As defesas garantem que não houve intenção de matar e pedem a desqualificação para ofensas à integridade física, num caso que começou com um telefone esquecido num posto de combustível e terminou com a morte da vítima no hospital.
Começou esta quarta-feira, 14 de janeiro, no Tribunal de Almada, o julgamento de dois jovens, hoje com 19 anos, acusados de homicídio simples na sequência de agressões a um homem, no verão de 2024, após o desaparecimento de um telemóvel esquecido num posto de combustível no Feijó.
De acordo com a acusação do Ministério Público, o caso remonta à madrugada de 22 de julho de 2024, quando a vítima, Hugo Dias, terá encontrado e levado um telemóvel que estava em cima de uma arca frigorífica numa bomba de gasolina da BP. O proprietário do aparelho regressou ao local acompanhado por um amigo e, após ser informado de que o telefone tinha sido levado, os dois seguiram o homem até o intercetarem na via pública.
Segundo a mesma acusação, a vítima foi agredida com murros e pontapés na cabeça, tronco e membros, acabando por morrer após as agressões. O Ministério Público sustenta ainda que, já no decurso do ataque, terão sido proferidas expressões ofensivas dirigidas à vítima.
Testemunhas ouvidas e versão da família
Na primeira sessão, foram ouvidas várias testemunhas, incluindo o funcionário do posto de combustível, que relatou ter sido questionado sobre o paradeiro do telemóvel e ter indicado que um homem o teria levado, julgando que ainda se encontraria nas imediações. (Transcrição CMTV, conforme fornecida pelo utilizador.)
Também prestaram declarações familiares da vítima, que sublinharam que o homem era toxicodependente, mas não vivia na rua, residindo com um irmão, um ponto que contrasta com descrições que o referem como “sem-abrigo” em algumas peças noticiosas.
Defesa fala em ausência de “dolo de matar”
À entrada do julgamento, a defesa de um dos arguidos afirmou que o jovem não teve intenção de matar, defendendo que, embora tenha havido agressões, a morte não teria sido um resultado pretendido ou antecipado. A mesma linha é assumida pelo outro mandatário, que invocou ainda o princípio da presunção de inocência e admitiu que a estratégia de declarações em tribunal cabe aos arguidos e à defesa.
De acordo com a informação avançada, a defesa pretende desqualificar o crime para ofensas à integridade física, sustentando que não existiu intenção homicida.
Prisão domiciliária e tentativa de saída do país
Após o crime, refere-se que ambos terão pedido a emissão de passaporte urgente para sair do país, mas acabaram detidos meses depois. Os dois arguidos encontram-se atualmente em prisão domiciliária, aguardando a continuação do julgamento.
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