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Jogos à chuva geram revolta no futebol

Vários jogos realizaram-se sob aviso laranja no último fim de semana, provocando casos de hipotermia e reacendendo o debate sobre a responsabilidade das associações distritais. Árbitros exigem critérios mais claros para proteger atletas e espetadores.

A realização de partidas de futebol sob condições meteorológicas adversas voltou a colocar a segurança no centro do debate desportivo. No último sábado, encontros dos escalões de formação e seniores decorreram sob chuva intensa e vento forte, mesmo em distritos sob aviso laranja, como Aveiro.

As consequências fizeram-se sentir dentro e fora das quatro linhas. Houve relatos de atletas com sintomas de hipotermia e balizas instáveis devido à força do vento, situação que gerou indignação entre pais, clubes e agentes desportivos. No caso mais grave, duas jogadoras do Nogueirense e um diretor necessitaram de assistência hospitalar.

Perante a polémica, o presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, José Borges, foi claro ao defender que a segurança deve prevalecer sobre qualquer interesse competitivo. O dirigente sublinhou que, embora a regra geral aponte para a realização dos jogos, estes só devem acontecer quando estejam reunidas condições que não coloquem em risco jogadores e público.

José Borges rejeitou que a responsabilidade recaia exclusivamente sobre os árbitros, lembrando que estes atuam sob regulamentos específicos e estão sujeitos a sanções disciplinares. Apesar de serem a autoridade máxima em campo, os regulamentos atuais centram-se sobretudo em critérios objetivos, como a circulação da bola ou a visibilidade das balizas, não detalhando cenários de risco meteorológico.

Para o presidente da APAF, a primeira decisão deve partir das entidades organizadoras. Segundo afirmou, perante alertas meteorológicos ou indícios claros de falta de segurança, as associações distritais deveriam determinar o cancelamento das partidas. Defendeu ainda que orientações mais uniformes devem ser definidas pelos conselhos de arbitragem distritais ou nacionais.

Enquanto alguns campeonatos foram interrompidos em distritos como Leiria, Lisboa e Setúbal, noutras regiões os jogos avançaram, gerando críticas e preocupação generalizada. Em torneios de formação, equipas de sub-8 e sub-9 recusaram entrar em campo para proteger crianças entre os sete e os nove anos.

O episódio expõe fragilidades na gestão de risco em contexto de fenómenos meteorológicos extremos e reforça a necessidade de protocolos claros para salvaguardar a integridade física de todos os intervenientes no futebol.


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