
João David Araújo Zilhão apresenta na Fundação Côa Parque uma exposição que explora o papel do artista contemporâneo, refletindo sobre as dificuldades, desafios e contradições do mundo da arte em Portugal e o seu impacto na criação artística.
No texto publicado em associação com a exposição «Mónada», o artista expõe que o caminho do criador «não é livre, nem nos actos da sua vida, nem no exercício da sua arte», evocando as palavras do pintor Wassily Kandinsky sobre o labor penoso do artista. Ressalta a distância entre a verdadeira criação artística e o que designa como um mercado dominado pela mercantilização e pela lógica do lucro, onde a qualidade da obra e a expressividade estética são secundárias perante os interesses de galeristas, críticos e colecionadores.
João David Araújo Zilhão denuncia o processo através do qual o valor da arte se subordina ao mercado financeiro, onde a obra só alcança reconhecimento e lucro significativo depois da morte do artista, e onde as instituições culturais e as galerias privadas condicionam a liberdade criativa e as escolhas do público comum.
Para o artista, o papel do criador está associado a uma atitude poética e de sacrifício, que deve transcender o simples entretenimento ou o apelo comercial: «O Artista, caso não saibam, não é nem vendedor, nem publicista, muito menos um bobo da corte que existe para entreter o seu público». Critica ainda o fenómeno da promoção mediática superficial, que inclui a utilização de redes sociais como forma de exposição que prejudica a autenticidade e a energia da criação.
A exposição no Museu do Côa é também apresentada como um espaço e momento de resistência e valorização da arte enquanto elemento fundamental para a compreensão da evolução humana, destacando a importância da arte primordial, das suas formas simples e do seu caráter estético e simbólico, que remetem para uma ligação cósmica e universal ainda por decifrar.
Por fim, o artista expressa um sentimento de desalento perante a atmosfera atual, onde «a entrega ao lucro» prevalece e onde muitos artistas sentem-se desconsiderados e marginalizados. Ainda assim, acredita que a perseverança e a coragem do artista poderão representar uma semente de mudança, capaz de transformar a sociedade e preservar a humanidade através da arte.
João David Araújo Zilhão conclui com uma mensagem de esperança e realismo, afirmando: «Um mundo melhor acontecerá. Terá que acontecer… E nisto o vosso ser-artista estará lá imbuído como semente de mudança.»
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