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Já são notícia além-fronteiras os bairros da Penajóia e da Raposo (Almada): imigrantes cabo-verdianos vivem sob o medo da demolição

O site Balai Cabo Verde destaca que a maioria dos moradores destes dois bairros é de origem cabo-verdiana e denuncia precariedade habitacional, insegurança e a troca de acusações entre a Câmara de Almada e o IHRU, deixando centenas de famílias num clima de incerteza.

Os bairros da Penajóia e Raposo, em Almada, voltam a estar no centro do debate público – desta vez além-fronteiras. O órgão de comunicação social cabo-verdiano Balai Cabo Verde publicou uma reportagem onde descreve que centenas de imigrantes cabo-verdianos residentes nestas zonas vivem “sob o medo da demolição”, denunciando falta de diálogo, insegurança e ausência de respostas claras das autoridades portuguesas.

Na notícia, o Balai Cabo Verde informa que a maioria da população destes dois bairros tem origem em Cabo Verde, além de residentes santomenses, e que muitos vivem em condições bastante precárias, sem saneamento básico, ligações de água ou eletricidade de forma estável. O site refere que existem mais de duas mil famílias em situação de vulnerabilidade.

Um dos casos relatados pelo meio cabo-verdiano dá conta de um morador santomense que regressou do trabalho e encontrou a sua casa demolida, apesar de alegadamente possuir documentos que comprovavam o investimento feito e a residência no local. Outro residente, a viver em Raposo há quatro anos, afirmou que não escolheu aquele bairro por opção, mas por não conseguir suportar rendas elevadas noutras zonas do concelho, e que teme perder a casa sem qualquer alternativa.

O Balai Cabo Verde acrescenta ainda que os moradores da Penajóia, com o apoio do Movimento Vida Justa, enviaram uma carta aberta à Câmara Municipal de Almada a pedir “soluções dignas”, sublinhando que despejos e demolições não resolvem a crise da habitação.

Esta reportagem internacional surge num momento de troca de acusações pública entre a Câmara Municipal de Almada e o IHRU. A autarquia tem acusado o Estado, através do instituto, de falta de intervenção e de deixar crescer descontroladamente os dois bairros, localizados em terrenos públicos. Por sua vez, o IHRU tem alegado que as responsabilidades são partilhadas e que existem limitações legais e operacionais no terreno.

Os moradores continuam a viver com receio de novas demolições, enquanto aguardam uma resposta definitiva. A visibilidade internacional dada pela imprensa cabo-verdiana reforça a pressão sobre as autoridades e volta a colocar Almada no centro do debate nacional sobre habitação, imigração e políticas de inclusão social.


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