Iolanda Laranjeiro quebra o silêncio no Instagram: Diário do Distrito esclarece ponto por ponto ao caso AMA
O Diário do Distrito viu Iolanda Laranjeiro reagir nas redes sociais às notícias que têm marcado a atualidade da associação cultural que dirige.

Depois de o Diário do Distrito ter publicado, ontem, uma notícia sobre o contraditório enviado à redação pela direção da AMA — “Escola de Atores” —, também ontem Iolanda Laranjeiro, diretora desta associação cultural, decidiu, através das stories do seu perfil de Instagram, responder a algumas notícias do nosso jornal que dão conta da situação menos clara em que a instituição que dirige se encontra.
No primeiro story que a atriz, natural de Almada, publica, diz que “tendo sido publicadas peças jornalísticas que visam de forma direta e inequívoca a Amundarte (AMA)[…] e a minha pessoa”, cabe ao Diário do Distrito esclarecer que não se tratam de peças que “visem de forma direta” nem a AMA, nem a atriz. Trata-se de uma investigação jornalística à realidade global da AMA, com provas e factos e, tendo em conta que Iolanda Laranjeiro se assume como diretora do espaço, é natural que seja também visada e investigada, assim como o seu sócio, o ator Paulo Ferreira.

Quanto ao segundo story que Iolanda Laranjeiro publica na sua plataforma social, a atriz alega que, nos estatutos da escola AMA — da qual é sócia com Paulo Ferreira —, estatutos esses que a própria terá redigido e que, por si só, são meros formalismos na constituição de uma associação, sem força de lei, a AMA se assume como uma associação com fins de formação e não como um estabelecimento de ensino privado. O Diário do Distrito sabe que a AMA não estava, até ao momento em que foram pedidos esclarecimentos sobre o caso, ainda em janeiro, coletada nas Finanças como estabelecimento educacional e o que Iolanda Laranjeiro não refere — por não corresponder à factualidade — é, por exemplo, que a escola seja certificada por entidades oficiais, como é o caso da DGERT ou do MECI. A atriz de Almada não foi, assim, factual e não respondeu ao Diário do Distrito quanto à certificação oficial da escola que dirige, nem esclarece isso nos stories que publica.

No que toca ao terceiro story partilhado pela almadense, esta afirma que a AMA tem os CAE 85591 e 85520 e, de facto — tal como o Diário do Distrito já explicou no parágrafo anterior —, atualmente, e a partir do corrente mês, a AMA passou a ter CAE não só em Formação Profissional como em Ensino da cultura. Contudo, importa esclarecer que esta situação é nova. O portal Racius e a página Iberinform ainda não têm essa informação disponível. Estas plataformas empresariais informam apenas os CAE 94991 — Associações culturais e recreativas — e 90010 — Atividades das artes do espetáculo.


Iolanda Laranjeiro diz ainda que a informação atualizada sobre os CAE que a AMA tem está comprovada no SICAE. O Diário do Distrito contactou fonte ligada a esta instituição, que confirmou que a alteração dos CAE da AMA foi “feita muito recentemente”. No story, Iolanda Laranjeiro admite que, na última atualização dos estatutos da AMA, (não diz quando aconteceu), se “verificou um erro por parte do IRN (Instituto dos Registos e do Notariado)”. O Diário do Distrito contactou o Instituto dos Registos e do Notariado e fonte ligada a este instituto esclareceu que “nunca poderia ser erro do IRN”, porque a “responsabilidade de registo de CAE é exclusiva de quem regista a empresa”, ou seja, de Iolanda Laranjeiro e Paulo Ferreira. A mesma fonte indica que houve também, recentemente, outras alterações; contudo, devido à falência momentânea do sistema informático público, que aconteceu hoje, por causa do mau tempo, não foi possível verificar essas novas alterações. O Diário do Distrito aguarda que as fontes esclareçam a situação da AMA e dará conta aos seus leitores sobre o assunto assim que tiver mais informações.
Acrescenta-se ainda que o alegado “erro” que Iolanda Laranjeiro reporta por parte do IRN não poderá ter sido “prontamente corrigido”, na medida em que o “erro” — que não foi do IRN, segundo as nossas fontes, mas sim de quem registou a associação — data de 24/03/2022. Tal como o Diário do Distrito noticiou em artigos anteriores, até 2026 a AMA era apenas uma associação sem fins lucrativos.
O Diário do Distrito falou com ex-alunos da AMA que confirmam que nunca conseguiram deduzir as faturas da AMA, em sede de IRS, no setor da Educação, e apenas conseguiram deduzir em Despesas Gerais. Uma das ex-estudantes disse ao Diário do Distrito que, no verão de 2025, expôs esta situação à AMA e foi, inclusive, Iolanda Laranjeiro a explicar-lhe, por chamada telefónica, que a “AMA era uma escola, mas que era sobretudo uma associação cultural sem fins lucrativos”.

Sobre o quarto story que Iolanda Laranjeiro escreve, relativo à existência de um protocolo de cooperação — em vez de um contrato de arrendamento — com a escola onde, de facto, a AMA opera, o Diário do Distrito verificou que Iolanda Laranjeiro afirma, num primeiro momento do seu texto, que “não há lugar ao pagamento de qualquer renda”; porém, no período seguinte, refere existir um “protocolo de colaboração” no qual se “inclui uma contrapartida financeira cujo montante mensal é superior” aos 500 euros que o Diário do Distrito avançou. Neste story, Iolanda Laranjeiro contradiz-se e dá o dito por não dito. Já o diretor da Escola Manuel da Maia, Luís Mocho, onde a AMA está efetivamente instalada, afirma que este protocolo é do “foro privado” e não esclareceu, tal como Iolanda Laranjeiro, o seu conteúdo nem os valores em causa. Atendendo a que se trata de uma escola do Estado, a lei da transparência deveria ter sido aplicada pelo diretor Luís Mocho.
Ainda sobre o quarto story que Iolanda Laranjeiro publica, a atriz de Almada afirma que as sedes fiscais da AMA, associadas às suas residências, são, de facto, “distintas” do local onde a AMA opera e o Diário do Distrito confirmou que, em nada, “colidem” com a lei nacional — contudo, apenas se se verificar que a atividade burocrática acontece nesses espaços. O Diário do Distrito falou com quatro ex-colaboradores da AMA, encarregues dessa gestão, e os quatro confirmam ao jornal que nunca trabalharam nos apartamentos de Iolanda Laranjeiro, em Campo de Ourique. Iolanda Laranjeiro justifica ainda que a sede não poderia ser nas instalações da Escola Manuel da Maia porque “as instalações cedidas, inseridas em sede de escolas, haveria natural conflito em associar a morada deste agrupamento [de escolas] a uma sede fiscal de entidade terceira”. Acontece que a Escola Manuel da Maia tem morada oficial na Rua Freitas Gazul, 6, em Campo de Ourique, e a AMA está a operar na Rua Correia Teles, 103-A, com entrada pelo parque da EMEL, pelo que o “conflito” a que Iolanda Laranjeiro alude não se revela. São estruturas aparentemente independentes.



No quinto e último story, Iolanda Laranjeiro afirma que não emitirá mais esclarecimentos “às demais alegações das notícias divulgadas” pelo Diário do Distrito, “qualquer comunicado público”, ficando assim por esclarecer, entre o que foi noticiado pelo nosso jornal, dos 600 alunos que terão sido formados pela AMA, quantos seguiram o percurso artístico com sucesso. Tal como o Diário do Distrito noticiou, apenas um está ativo no mercado de trabalho.
Iolanda Laranjeiro diz ainda que “nunca utilizou redes sociais ou plataformas de comunicação para dirimir questões de ordem pessoal ou profissional”.
Todavia, o Diário do Distrito teve acesso a uma publicação da atriz, de setembro de 2018, em que Iolanda Laranjeiro, de forma pública, também se defendeu, enquanto diretora de atores, das críticas de que foi alvo por parte da colega Catarina Matos, a propósito da participação desta última na novela Vidas Opostas, da SIC, na qual Catarina critica comentários pouco positivos de Iolanda Laranjeiro sobre a sua prestação na produção televisiva.


Iolanda Laranjeiro também utilizou as as plataformas de comunicação para “dirimir” questões pessoais. A questão do seu divórcio com Marcantonio Del Carlo, que, à época, dava conta de uma eventual zanga entre o ex-casal. Exemplo disso é um artigo da Flash, de abril de 2024, em que Iolanda Laranjeiro usa a comunicação social para esclarecer o seu divórcio.

Iolanda Laranjeiro termina o seu texto informando “apenas que já estão a decorrer diligências nas devidas instâncias”, uma afirmação que o Diário do Distrito assume para si e para as suas fontes — muitas das quais Iolanda Laranjeiro conseguirá identificar de forma mais ou menos clara, já que são ex-colaboradores, colaboradores, alunos, ex-alunos e ex-amigos da atriz de Almada. O Diário do Distrito, tal como se pode ver neste artigo, escreve com provas e factos e questionou sempre Iolanda Laranjeiro e Paulo Ferreira sobre todas as matérias que está a investigar, não se vergando a este tipo de ameaças. O nosso jornal continuará a investigar a AMA e as suas condutas e práticas até que tudo esteja esclarecido.
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