CrimeDistrito de Lisboa

Iniciou hoje o julgamento de Mamadou Ba

Mamadou Ba, ativista político antirracista e tradutor luso-senegalês, que começou esta quarta-feira a ser julgado por difamação, publicidade e calúnia, num processo colocado pelo militante neonazi Mário Machado.

O ativista político anti-racismo afirmou, no Juízo Local Criminal de Lisboa, que Mário Machado não é o “alvo” das suas “preocupações em particular, mas sim daquilo que representa como projecto de sociedade” e que na sua interpretação das coisas, no homicídio de Alcino Monteiro, o tribunal concluiu que não havia “uma culpa colectiva”, mas “uma responsabilidade colectiva” e moral.

“Todas as pessoas que estiveram naquele jantar para preparar o 10 de Junho de 1995 são responsáveis pelas atrocidades que aconteceram naquela noite”, afirmou expressando um exemplo de um seu antepassado que foi morto pelos nazis, “Não foi Hitler que deu um tiro ao meu tio-avô, mas foi ele o responsável pela sua morte.”

Após ser ouvido, Mamadou Ba foi questionado pelos jornalistas se apresentava arrependimento pela frase que escreveu que o levou a julgamento, “era o que faltava”. “Jamais estarei arrependido de assumir uma posição política com a qual eu concordo”, afirmou, sublinhando que o que está a acontecer é que Mário Machado aproveitou aquela frase para lhe colocar um processo e ter “uma existência política”.

O primeiro dia de julgamento ficou marcado pelas dezenas de apoiantes do ativista anti-racista, que chegaram horas antes da hora da audiência.

A juíza Joana Ferrer optou por permitir a entrada de todos os que ali estivessem, o que levou a pequena sala a encher, com cerca de 50 pessoas que quiserem assistir.

Os agentes da PSP presentes no local, chegaram a ponderar sugerir ao tribunal a suspensão da audiência caso concluíssem que estavam em causa as condições de segurança. Contudo mantiveram-se na sala sem que tal tivesse sucedido.


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