Opinião

Iniciativa “libera o woke que há em ti”

Eu acredito que, se Karl Marx estivesse a assistir ao último congresso do fim de semana passado, possivelmente se perguntaria como ainda não tinha pensado nesta nova forma de destruir completamente o liberalismo. Não quero me concentrar em acontecimentos específicos de um determinado partido ou outro, ou tecer críticas às alternativas que até considero necessárias, enriquecedoras e que têm contribuído para a ampliação do debate político nacional e para a maturação democrática.

Quero falar do João Posmodernista, sim, João Posmodernista! O leitor deve conhecê-lo. De facto, todos nós temos um amigo ou conhecemos alguém como João Posmodernista.

João faz-se presente em quase todos os partidos, em quase todas as organizações, mas para ele é tudo insuficiente. Ele propõe alterar tudo o que não corresponde à sua visão, seja uma palavra no regimento, no hino ou até na Constituição.

João Posmodernista adora as últimas tendências “made in USA”, expõe os seus pensamentos em rápidos textos de Twitter e considera-se uma pessoa justa e sensível. Ele tem uma corrente de pensamento tão complexa que ele próprio não sabe ao certo do que se trata, apenas sabe que se opõe a quem não tem o seu conhecimento de causa.

João afirma que não há verdades universais, mas parece que essa é a única verdade universal que ele defende. Critica a objetividade, mas parece não dar conta de que ele próprio está a ser objetivo ao fazê-lo. Questiona tudo, excepto a sua própria opinião. Na festa de ontem, criticou a comida, mas não ofereceu uma única alternativa… “Comida tradicional”? Isso dá arrepios ao pobre João Posmodernista.

João Posmodernista é também progressista e acredita fielmente na ciência, mas nega a existência dos cromossomas XX e XY e afirma que a existência de apenas dois géneros é uma construção social. Ele é um cientista fervoroso das tendências dos tempos rápidos, acreditando na verdade subjectiva e na nova narrativa aceite. Se a ciência for opressiva, deve ser oprimida para se tornar mais inclusiva. Ele sempre segue a corrente certa quando vai contra os valores da “perigosa” e católica velhinha do campo, grupo social de que a sua própria avó faz parte.

Apesar de ser um amante dos animais, da Amazónia e da natureza, João Posmodernista é urbano. Fala com carinho da Comporta, mas, na verdade, nunca mais lá volta desde que foi brutalmente oprimido pela natureza dos mosquitos.

Adora usar complexos exercícios de semântica e dialética e chama nomes a quem discorda dele com apelidos terríveis trazidos do passado, como “extremista”, “fascista”, “racista”, “negacionista”, “nazista”, “direitista”, “misógino”, “machista”, “comunista”, “imperialista” e “neoliberalista”, entre outros. Além disso, ele acredita que todos temos “fobias” herdadas da condição estrutural da sociedade, excepto os Joões Posmodernistas, que são príncipes da mais pura perfeição no altar da imposição.

João Posmodernista é o verdadeiro socialista, liberal, comunista, bloquista, humanista e assim por diante. Ele anda com uma régua para medir “ismos”, que tem uma linha vermelha. Se o “ismo” do leitor ultrapassar um centímetro da linha, então não está “do lado certo da história” para João.

Argh, João! Tu és um chatinho! Mas precisamos de ti… Tu dominaste o mundo com tanta chatice, fizeste políticos e líderes teus novos messias, que implementarão as tuas causas. Eu considero que és necessário, pois acredito na pureza do teu desejo de melhorar o mundo. Queria também dizer que aceito a existência do teu revisionismo, dou-te espaço, mas não queiras impor mudanças na minha história, nos meus valores e tradições, na minha capacidade de pensar livremente e discordar de ti, João. Não venhas me cancelar, anular, amordaçar, amputar… Pois se assim continuares, um dia terás de mudar de nome no cartão de cidadão. Em vez de termos o João Posmodernista, passaremos a ter o/a Jox Totalitarista.

Esta semana um artigo de opinião de Felipe Damasceno


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comentário

  1. Vamos muito em breve ter a IL apoiada e financiada por gente, ligada à CIP, e não só! Por culpa das politicas levadas acabo pelos sucessivos governos, com tique a roçar extrema-direita…))