Incineradora de 300 milhões gera revolta da Quercus
A Quercus contesta a construção de uma incineradora no Algarve, defendendo que o projeto, estimado em 300 milhões de euros, contraria os objetivos nacionais de redução, reciclagem e valorização de resíduos. A associação ambientalista exige que o Governo revele os estudos que sustentam a solução e anuncia a criação de um Livro Branco dos Resíduos em Portugal.
A Quercus manifestou-se contra a instalação de uma incineradora no Algarve, considerando que a solução apresentada para responder ao risco de esgotamento dos aterros da região é inadequada e contrária aos princípios da economia circular.
Segundo a associação ambientalista, o Algarve produz cerca de 400 mil toneladas de resíduos por ano, sendo que aproximadamente 85% acabam atualmente em aterro. A Quercus alerta que as duas infraestruturas existentes na região poderão atingir o limite da capacidade já em 2027.
A organização reconhece a necessidade de encontrar uma resposta para o problema, mas considera que a construção de uma incineradora, com um investimento apontado de 300 milhões de euros, não é a solução.
Um dos argumentos apresentados está relacionado com a forte sazonalidade da região. A Quercus sustenta que a produção de resíduos aumenta significativamente durante os meses de verão devido ao turismo, enquanto uma unidade de incineração é concebida para funcionar com um fluxo mais regular de resíduos.
A associação defende, por isso, que o investimento deveria privilegiar o reforço da triagem, recolha seletiva, tratamento mecânico e biológico e valorização dos resíduos orgânicos, além de sistemas de recolha porta-a-porta e modelos em que o utilizador paga de acordo com os resíduos produzidos.
A Quercus considera ainda que a incineração entra em conflito com as orientações do PERSU 2030 – Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos, que estabelece objetivos relacionados com prevenção, redução, reciclagem e diminuição da deposição em aterro.
Perante o projeto, a organização exige esclarecimentos da ministra do Ambiente sobre os estudos que fundamentaram a escolha da incineração, as alternativas avaliadas e o tipo de resíduos que a futura unidade deverá receber.
A Quercus questiona igualmente por que motivo não foi tornado público um estudo da consultora Ramboll, referido no plano de ação da ALGAR, sobre alternativas para a chamada “fração resto”.
Entre as alternativas defendidas estão ainda projetos de compostagem doméstica e comunitária, reforço da recolha seletiva durante a época alta e medidas específicas para hotéis, restaurantes e cafés.
A associação anunciou também que vai avançar com os primeiros trabalhos para criar um Livro Branco dos Resíduos em Portugal, que pretende reunir contributos de organizações ambientais, entidades gestoras, indústria, universidades, comunidades intermunicipais e administração pública.
As críticas, estimativas e conclusões sobre os impactos ambientais e a adequação da futura incineradora correspondem à posição apresentada pela Quercus. No comunicado, não é apresentada a resposta do Governo às questões levantadas pela associação.
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