Hungria detém dois antigos ministros do governo de Viktor Orbán
Dois antigos ministros do governo liderado por Viktor Orbán foram detidos na Hungria por suspeitas de corrupção, poucas horas depois de o Parlamento ter levantado a respetiva imunidade parlamentar. O primeiro-ministro Péter Magyar classificou o momento como um passo decisivo para reforçar a responsabilização política e o combate à corrupção no país.
Dois ex-ministros do anterior governo húngaro liderado por Viktor Orbán foram detidos pelas autoridades na sequência de investigações por alegados crimes de corrupção, num dos casos mais mediáticos desde a mudança de poder ocorrida este ano.
Entre os detidos está Balázs Hankó, antigo ministro da Cultura e Inovação, suspeito de apropriação indevida de fundos públicos. Segundo a procuradoria, o ex-governante terá participado num esquema que permitiu a distribuição irregular de verbas do Fundo Cultural Nacional através de mais de mil subsídios, causando prejuízos avaliados em milhares de milhões de florins. O antigo ministro rejeita todas as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.
Também foi detido Miklós Seszták, ministro do Desenvolvimento Nacional entre 2014 e 2018. Os investigadores suspeitam que tenha recebido subornos relacionados com contratos públicos e projetos financiados pelo Estado. A procuradoria sustenta que os benefícios ilegais recebidos ascendem a milhares de milhões de florins, acusações que o ex-governante nega categoricamente.

As detenções ocorreram horas depois de o Parlamento húngaro ter aprovado o levantamento da imunidade parlamentar dos dois políticos, permitindo o avanço dos processos judiciais.
O primeiro-ministro Péter Magyar, que chegou ao poder após as eleições de abril prometendo combater a corrupção e investigar alegados abusos cometidos durante os 16 anos de governação de Viktor Orbán, saudou a atuação das autoridades. Nas redes sociais, considerou que a Hungria viveu “um dia importante”, defendendo que o país deixou de ser “uma nação sem consequências”.
As investigações constituem os primeiros processos de grande dimensão dirigidos contra figuras de relevo ligadas ao anterior executivo e poderão marcar uma nova fase na vida política húngara, num contexto de forte polarização entre o novo governo e os apoiantes de Viktor Orbán.
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