Hospital do Barreiro pode perder urgência de obstetrícia: Comissão de utentes repudia medida e marca protesto
A Comissão de Utentes do Barreiro critica a possível extinção da urgência de obstetrícia no hospital da cidade, considerando-a um retrocesso. Um protesto está marcado para 22 de fevereiro, enquanto o Governo estuda a criação de um centro maternoinfantil na região.

A urgência de obstetrícia do Hospital do Barreiro pode estar em risco de encerramento, uma medida que gera forte contestação por parte da Comissão de Utentes da cidade. A possibilidade, que surge no âmbito de uma proposta do Governo para a criação de um centro maternoinfantil na Península de Setúbal, foi classificada como “lamentável” pelos representantes dos utentes.
A proposta, apresentada por um grupo de peritos, prevê a integração do Hospital do Barreiro e do Hospital Garcia de Orta (Almada) num regime de urgência metropolitana. No entanto, para a Comissão de Utentes, esta medida representa um retrocesso no acesso a cuidados de saúde de proximidade, especialmente após o investimento feito nas instalações da unidade do Barreiro.
Antonieta Bodziony, porta-voz da Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro, não poupou críticas ao executivo. “Já há dois anos discordámos da rotatividade entre as maternidades de Almada, Barreiro e Setúbal. Agora, esta proposta só vem agravar a situação”, afirmou, em declarações à agência lusa.
A responsável destacou ainda que o hospital do Barreiro está a ser transformado num centro de saúde básico, funcionando apenas das 09:00 às 17:00, o que, na sua opinião, não responde às necessidades da população. “Isto é um retrocesso. A mortalidade infantil na Península de Setúbal já é superior à média nacional. Algo está muito errado”, alertou.
Face a este cenário, a Comissão de Utentes decidiu organizar uma marcha pelo direito à saúde, marcada para 22 de fevereiro. O protesto terá início na estação da Baixa da Banheira e terminará no Hospital do Barreiro, numa demonstração de descontentamento face ao que consideram ser uma desvalorização dos serviços públicos de saúde.
Por outro lado, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, explicou que a proposta de criação de um centro maternoinfantil já foi testada com sucesso no norte do país. “É uma solução que funciona que pode trazer benefícios”, afirmou, durante uma visita ao Hospital de Santa Luzia, em Elvas. A governante garantiu, no entanto, que nenhuma decisão final foi tomada e que o Governo irá dialogar com autarcas, conselhos de administração e equipas hospitalares antes de avançar com qualquer alteração.
A medida surge num contexto em que a Península de Setúbal tem enfrentado dificuldades em garantir resposta adequada na área obstétrica, o que tem penalizado mulheres e famílias da região. Apesar disso, a ministra sublinhou que o modelo de pré-triagem telefónica terá de ser mantido para evitar que casos menos urgentes sobrecarreguem os serviços.
Enquanto o Governo pondera o futuro da urgência de obstetrícia no Barreiro, a população local prepara-se para lutar pelo que considera ser um direito fundamental: o acesso a cuidados de saúde de qualidade e próximos das suas comunidades.
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