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Hantavírus: 26 Isolados em França com Testes Negativos

26 pessoas isoladas em França devido a hantavírus testaram negativo.

Paris, esta semana, acordou a falar de um vírus que poucos conheciam há dez dias. O nome — hantavírus — passou de abstração científica a urgência nacional, num tempo recorde. E as autoridades francesas trataram de não deixar dúvidas: desta vez, não se espera para ver.

Uma francesa passageira do navio foi a primeira a testar positivo em solo francês. O seu estado agravou-se na madrugada de domingo para segunda-feira e os testes confirmaram o pior. Está internada em cuidados intensivos num hospital de Paris, em estado estável, segundo o primeiro-ministro Sébastien Lecornu.

A resposta do governo não tardou. O executivo anunciou, para todos os casos de contacto, sem exceção, uma quarentena reforçada em meio hospitalar. Longe do improviso da pandemia de covid-19, desta vez a máquina do Estado francês acionou protocolos específicos com uma determinação que deixou pouca margem para dúvidas. 

Quarenta e dois dias. Esse é o prazo

Os doentes em quarentena são colocados em salas com câmaras de ar à entrada, janelas seladas, pressão negativa e protocolos rigorosos de proteção — tudo concebido para garantir que o ar do quarto hospitalar é filtrado e não circula para o resto do edifício. O ritmo cardíaco e a respiração dos doentes são monitorizados várias vezes ao dia. 

O rastro do vírus: de Ushuaia a Paris

A origem do surto tem nome e rosto. As autoridades de saúde identificaram Leo Schipelroord, um holandês de 70 anos, como o paciente zero. Faleceu dez dias após embarcar no navio MV Hondius em Ushuaia, no dia 1 de abril. A sua esposa também acabou por morrer após o desembarque na África do Sul.

As investigações apontam que o casal visitou áreas endémicas na Argentina, incluindo a província de Salta, que registou 30 casos de hantavírus desde julho do ano passado.

O vírus viajou. E viajou longe. Além da França, a crise sanitária pode prolongar-se por semanas noutros países, uma vez que passageiros contaminados a bordo do navio regressaram aos Países Baixos, ao Reino Unido, à Suíça e aos Estados Unidos. 

Vinte e seis pessoas sob vigilância, reuniões de crise todos os dias

O Ministério da Saúde francês identificou 22 casos de contacto distribuídos por dois voos: oito no trajeto de 25 de Abril entre a ilha de Santa Helena e Joanesburgo, e outros 14 no voo entre Joanesburgo e Amesterdão nesse mesmo dia. A estes somam-se os restantes passageiros franceses do navio já hospitalizados, elevando para 26 o total de pessoas em isolamento. 

Um habitante da cidade de Concarneau, no noroeste da França, que não estava sequer a bordo do navio, mas teve contacto com o hantavírus, foi transferido para o Hospital Universitário de Rennes, a 350 quilómetros de Paris. Um sinal que preocupa — o vírus já extravasa o círculo dos cruzeiristas. 

O governo francês não deixa a situação ao acaso. Duas reuniões interministeriais sobre o hantavírus realizam-se todos os dias em Matignon, com representantes dos gabinetes do primeiro-ministro, da Administração Interna, da Saúde, dos Negócios Estrangeiros e dos Transportes.

A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, foi direta: o que importa é agir bem desde o início e romper as cadeias de transmissão do vírus.

O vírus que ainda não tem cura

O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no navio — o hantavírus Andes — é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa. Esta característica distingue-a das estirpes mais comuns e justifica a contenção redobrada das autoridades.

Os primeiros sintomas assemelham-se aos de uma gripe, com febre leve, mas o quadro pode evoluir rapidamente para insuficiência cardiorrespiratória. Não existem medicamentos nem vacinas contra o hantavírus.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) quis travar o alarmismo. O risco deste surto para a população em geral é classificado como baixo. Mas as autoridades francesas preferem errar pelo excesso de cautela — e com razão. O infectologista Emmanuel Piednoir considerou que a doença representa mais uma ameaça individual do que um risco de saúde pública.

A porta-voz do governo francês foi clara ao pedir que não haja pânico. A França dispõe dos ‘stocks’ necessários de máscaras e testes, e acompanha a situação com a maior vigilância.

O mundo observa. E França trata de mostrar que aprendeu com o passado.


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