Há séculos que a Quinta do Anjo peregrina até Nossa Senhora da Atalaia
A devoção a Nossa Senhora da Atalaia continua a unir gerações de habitantes da Quinta do Anjo, numa tradição secular que todos os anos leva o círio da freguesia até ao histórico santuário do Montijo, mantendo viva uma das mais antigas manifestações religiosas da região.

A devoção a Nossa Senhora da Atalaia continua a unir gerações de habitantes da Quinta do Anjo, numa tradição secular que todos os anos leva o círio da freguesia até ao histórico santuário do Montijo, mantendo viva uma das mais antigas manifestações religiosas da região.
Todos os anos, quando o Círio da Quinta do Anjo parte em direção à Atalaia, renova-se um compromisso de fé que atravessa gerações e faz parte integrante da identidade da população local.

A ligação entre a Quinta do Anjo e Nossa Senhora da Atalaia perde-se na memória dos tempos. Durante séculos, homens, mulheres e crianças percorreram os caminhos até ao santuário para cumprir promessas, agradecer graças alcançadas ou simplesmente participar numa romaria que se tornou uma das mais importantes expressões da religiosidade popular da região.
Mas a história do Círio da Quinta do Anjo está também ligada à do vizinho Círio de Palmela. Durante muitos anos, ambos partilharam espaços, percursos e tradições, testemunhando uma forte ligação entre as comunidades da serra e da planície. Apesar das transformações sociais e das mudanças nos costumes ao longo do tempo, a devoção à Senhora da Atalaia permaneceu como elemento agregador destas populações.

Com o passar das décadas, vários círios da região acabaram por desaparecer ou perder a expressão que tiveram noutras épocas. O próprio Círio de Palmela deixou de realizar-se como acontecia tradicionalmente, acompanhando uma realidade que afetou muitas manifestações populares e religiosas por todo o país.
Já o Círio da Quinta do Anjo demonstrou uma notável capacidade de resistência. Graças ao empenho das populações locais, das famílias que mantêm viva a tradição e das entidades que colaboram na sua organização, a romaria continua a realizar-se todos os anos, preservando costumes, símbolos e rituais que passaram de geração em geração.
Mais do que uma celebração religiosa, a participação no círio representa um importante património cultural e humano. Ao longo do percurso, mantêm-se memórias, histórias e laços comunitários que ajudam a reforçar o sentimento de pertença a uma terra e a uma tradição comum.

As Festas de Nossa Senhora da Atalaia continuam a acolher milhares de visitantes e romeiros provenientes de várias localidades. Entre os diversos círios presentes, o da Quinta do Anjo mantém um lugar de destaque, graças à sua continuidade histórica e à profunda ligação que a população conserva com a padroeira.
Num tempo em que muitas tradições populares enfrentam dificuldades para sobreviver, o Círio da Quinta do Anjo permanece como um exemplo vivo de perseverança, devoção e identidade cultural, ligando o presente às raízes de um passado que continua bem vivo na memória coletiva da freguesia.
Este ano as festas em honra de Nª Srª da Atalaia realizam-se de 28 a 31 de agosto.

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