Guerra acende Euribor e aperta a casa
A escalada do conflito no Médio Oriente pressiona as taxas Euribor e vai refletir-se já na prestação da casa de muitas famílias portuguesas no próximo mês, num contexto onde os mercados voltam a antecipar subidas dos juros.

A prestação da casa de milhares de famílias portuguesas deverá voltar a subir já no próximo mês, num momento em que as taxas Euribor avançam em todos os prazos e voltam a agravar os encargos com o crédito à habitação. A pressão sobre os juros surge associada ao conflito no Médio Oriente, num cenário onde os mercados passaram a rever em alta o rumo da política monetária europeia.
A média mensal da Euribor, que serve de base à revisão dos contratos com taxa variável, continua a ser provisória, mas as estimativas apontam para um agravamento da mensalidade paga ao banco já em abril. Apesar de, ontem, se terem registado sinais de alívio, com descidas expressivas das Euribor a três, seis e 12 meses face ao dia anterior, a trajetória recente mantém a expectativa de novos aumentos para quem tem empréstimos indexados a estas taxas.
No prazo mais longo, a Euribor a 12 meses tem sido a que reflete de forma mais consistente o impacto das decisões do Banco Central Europeu. Após um longo ciclo de máximos, o mercado deixou para trás o cenário de estabilização dos juros nos 2% e começou agora a descontar duas novas subidas de 25 pontos base ainda este ano, num ambiente marcado pelo agravamento da inflação alimentada pela subida dos combustíveis.
Para já, na próxima reunião de política monetária do BCE, prevista para junho, não é esperado qualquer movimento nas taxas diretoras. Ainda assim, a leitura dos analistas aponta para que a primeira subida chegue em julho, elevando a taxa para 2,25%. A reforçar a prudência, o membro do conselho de governadores do BCE, Peter Kazimir, admitiu que o atual contexto é altamente volátil e alertou para o risco de uma reação precipitada dos mercados e dos decisores políticos.
Ao mesmo tempo, a tensão em torno da energia continua a marcar o comportamento dos investidores. Esta terça-feira, membros da Agência Internacional de Energia anunciaram a colocação de 400 milhões de barris de petróleo no mercado a partir das reservas estratégicas, naquela que é descrita como a maior libertação de emergência de sempre e superior à registada no arranque da guerra na Ucrânia.
Também Portugal vai avançar com a libertação de parte das suas reservas. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que o país irá disponibilizar, nas próximas semanas, dois milhões de barris, o equivalente a cerca de 10% do total armazenado. Alemanha e Áustria já comunicaram igualmente medidas no mesmo sentido.
A pressão sobre a energia está também a gerar resposta noutros setores. Na Alemanha, o Governo decidiu permitir que os postos de combustível aumentem os preços apenas uma vez por dia, adotando um modelo onde os valores podem descer a qualquer momento, mas só podem subir uma vez ao longo do mesmo dia.
No turismo, o impacto económico do conflito começa igualmente a ser sentido. O Conselho Mundial de Viagens e Turismo estima perdas de cerca de 107 milhões de euros por dia para o setor. Já em Bruxelas, Ursula von der Leyen admitiu a possibilidade de impor tetos ao preço do gás, sublinhando que a escalada dos custos da energia já representa três mil milhões de euros para os contribuintes europeus, embora tenha afastado um aumento das importações vindas da Rússia.
Perante este quadro, a consequência mais imediata para as famílias portuguesas será sentida no orçamento mensal. Com a Euribor novamente em alta e com os mercados a anteciparem novos ajustamentos nos juros, o crédito à habitação volta a entrar numa fase de maior pressão, num momento em que o custo da energia e dos combustíveis agrava a despesa das famílias.
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