Guerra aberta na Junta de Quinta do Anjo por retirada de pelouros
A decisão de retirar pelouros a dois vogais da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo abriu uma crise política logo no início do mandato, com acusações de falta de transparência, confronto direto em assembleia e críticas vindas da população.

A retirada de pelouros a Carla Serafim e Lourenço Ferreira, vogais eleitos no Executivo da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo, incendiou o debate político na primeira sessão ordinária da Assembleia de Freguesia do novo mandato, realizada a 29 de dezembro de 2025. A decisão, tomada pouco mais de dois meses após a entrada em funções do Executivo, expôs divisões internas e colocou o presidente da Junta sob forte escrutínio público e político.
A polémica começou ainda durante o período reservado às intervenções da população. O munícipe Miguel Castel Branco e também presidente da JS Palmela, questionou diretamente o presidente da Junta, Nuno Valente (Chega), sobre as razões que levaram à retirada de funções a dois eleitos que integraram a lista vencedora das últimas eleições autárquicas. O freguês colocou em causa a coerência da decisão e exigiu explicações claras. “Se confiava neles para ir a eleições, porque deixou de confiar agora?”, questionou, perante uma assembleia atenta.
O tema ganhou maior intensidade no período antes da ordem do dia, com a intervenção do eleito da CDU, Pedro Rocha, que exigiu esclarecimentos formais. O autarca da oposição apontou para os editais publicados pelo Executivo, onde é referido um “desempenho abaixo do esperado” por parte dos dois vogais, sublinhando que as declarações de voto anexas à ata da reunião de 3 de dezembro apresentam uma versão diferente dos factos.
Pedro Rocha alertou ainda para os riscos políticos e funcionais da decisão, questionando se o Executivo não estará a funcionar “como uma equipa a jogar com menos elementos”. O eleito quis saber se o presidente do executivo mantém confiança política nos dois vogais, se pondera a sua substituição e de que forma será garantido o normal funcionamento do órgão executivo, evitando uma excessiva concentração de competências.
Em resposta, o presidente da Junta rejeitou todas as acusações, classificando como falsas quaisquer alegações de manipulação de atas, desligar de microfones ou distorção de registos. O autarca esclareceu que não houve exoneração, mas apenas retirada de pelouros, garantindo que ambos os vogais continuam a integrar o executivo. Segundo explicou, a decisão teve motivos orgânicos e funcionais, afastando qualquer juízo de incompetência. “Não foi passado nenhum atestado de incompetência”, afirmou, acrescentando que a expressão “aquém das expectativas” deve ser entendida como necessidade de reorganização interna.
O presidente anunciou ainda que será apresentada uma proposta de recomposição do Executivo numa assembleia extraordinária a realizar em janeiro, deixando em aberto o futuro da estrutura interna da Junta.
Diretamente visado, Lourenço Ferreira tomou a palavra para defender a sua atuação. O vogal começou por desmentir o presidente do executivo na questão de não ser passada a ideia de incompetência, garantindo ainda que apresentou propostas no âmbito das funções que lhe foram atribuídas e rejeitou qualquer ideia de inação. Assegurou que continuará a desempenhar o seu papel enquanto membro do Executivo, independentemente da retirada de pelouros. “O meu trabalho nunca foi nem será comprometido”, afirmou, reafirmando o compromisso com a freguesia e com os eleitores.
O episódio marcou claramente o arranque do novo mandato em Quinta do Anjo, revelando as primeiras fraturas políticas e levantando dúvidas sobre a gestão interna, a transparência dos processos e a comunicação de decisões sensíveis. A prometida recomposição do Executivo mantém o dossiê em aberto e garante que o tema continuará no centro da agenda política local, num contexto de maior atenção por parte da população e de exigência de escrutínio por parte da oposição.
O Diário do Distrito no passado dia 5 de dezembro solicitou ao presidente da Junta de Freguesia de Quinta do Anjo esclarecimentos sobre este tema, mas até hoje nada foi esclarecido ao nosso órgão de comunicação social. Também pediu no mesmo dia uma declaração à Concelhia do Chega Palmela, mas sem qualquer êxito de resposta.
Segundo fontes ligadas ao caso, avançam que com esta “guerra” no executivo, coloca em causa a transparência de um partido que alegadamente diz ser um partido de união e transparência.
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