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Greve nacional deixa escolas de Lisboa vazias e pais em sobressalto

A greve da função pública deixou dezenas de escolas de Lisboa de portas fechadas, entre incertezas, pais frustrados e alunos em festa.

A manhã desta sexta-feira começou silenciosa em várias escolas de Lisboa. Portões trancados, cartazes colados e mensagens a circular em grupos de WhatsApp foram o retrato de um dia marcado pela greve nacional da Administração Pública, que voltou a paralisar o setor da educação.

Na Escola Secundária Padre António Vieira, em Alvalade, os cerca de mil alunos encontraram o portão fechado. Lá dentro, poucos funcionários tentavam manter o essencial, mas o número reduzido de trabalhadores impossibilitou o normal funcionamento das aulas. A poucos quarteirões, o cenário repetia-se na Escola Básica São João de Brito, onde uma simples folha A4 anunciava a paralisação.

Por volta das 08h30, o passeio em frente ao edifício estava praticamente vazio. Minutos depois, começaram a chegar crianças com os encarregados de educação, na esperança de que houvesse aulas. “Ontem também estava tudo fechado, só a turma da minha filha teve atividades no Pavilhão do Conhecimento”, explicou Luís Borges, pai de uma aluna do 4.º ano.

As expectativas, contudo, depressa se desvaneceram. Uma responsável da escola comunicou que também nesse dia não haveria aulas. O anúncio arrancou gritos de alegria das crianças, mas deixou alguns pais preocupados com a logística familiar. “Tenho de gerir o trabalho e as filhas em casa. É complicado para muitas famílias”, lamentou Luís Borges.

Entre os que compreendem a paralisação, Renato Ferreira, pai de outro aluno, reconheceu que as sucessivas greves causam impacto nas aprendizagens, mas defendeu as reivindicações dos trabalhadores: “Felizmente este ano tem sido mais calmo, mas compreendo os motivos da luta”.

O mesmo cenário repetiu-se na Escola Eugénio dos Santos, também em Lisboa, encerrada “por falta de condições de segurança”. Algumas professoras chegaram acompanhadas dos filhos e seguiram depois para outros estabelecimentos que conseguiram manter-se abertos.

Já na Rainha Dona Leonor, a exceção confirmou a regra: o estabelecimento manteve-se em funcionamento, ainda que com menos alunos e professores do que o habitual.

De Telheiras a Alvalade, o retrato foi semelhante: escolas encerradas, transportes reduzidos e famílias a improvisar soluções. Segundo os sindicatos, a adesão foi elevada em todo o país.

À porta da Escola Artística António Arroio, o secretário-geral da Fenprof, Feliciano Costa, sublinhou a “grande expressão” da greve. “Temos escolas fechadas em Viseu, Covilhã, Almada, Sintra e mesmo na cidade de Lisboa”, afirmou, destacando que em alguns estabelecimentos compareceram apenas um ou dois professores.

A paralisação, convocada pela Frente Comum, abrangeu também setores como saúde, transportes públicos e recolha de resíduos urbanos, em protesto contra a falta de valorização das carreiras, os baixos salários e o desinvestimento nos serviços públicos.

Para muitos pais, o balanço do dia fez-se entre a compreensão e o cansaço. Para os sindicatos, o protesto cumpriu o objetivo: mostrar que o país só funciona com quem trabalha por ele.


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