Governo sob pressão: Trabalhadores da Silopor exigem garantias para carreiras e direitos
Os trabalhadores da Silopor, em Almada, intensificam a luta por garantias de estabilidade nas suas carreiras.
Após denúncias de falta de clareza na reestruturação da empresa, decidiram solicitar reuniões urgentes ao Governo e aos grupos parlamentares na Assembleia da República. A principal preocupação é a possibilidade de perda de direitos laborais face à proposta de integração da empresa na Administração do Porto de Lisboa (APL), sem a manutenção do Acordo da Empresa (AE).
No dia 26 de dezembro, segundo Célia Lopes, representante do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), um membro da administração da Silopor informou os trabalhadores sobre a intenção do Governo de criar uma nova empresa no âmbito da APL. Apesar das promessas de manutenção de direitos, não há garantias sobre os benefícios previstos no atual acordo coletivo da Silopor.
A sindicalista sublinha que os trabalhadores exigem a salvaguarda do plano de carreiras e a proteção dos direitos adquiridos, alertando para o impacto da falta de estabilidade no futuro laboral. O sindicato já solicitou uma reunião ao primeiro-ministro, mas o pedido foi reencaminhado para o Ministério das Finanças, que até agora não respondeu.
A Silopor, que gere os silos da Trafaria e do Beato, é fundamental para o armazenamento de cereais em Portugal, com uma capacidade global de 340 mil toneladas. A empresa, responsável por mais de metade dos cereais importados pelo país, está em processo de liquidação desde 2000, após decisão da Direção-Geral da Concorrência da União Europeia. Este processo é conduzido por uma comissão liquidatária, cujo mandato termina em 2025.
Com a incerteza crescente, os trabalhadores reforçam o apelo ao diálogo e a ações concretas do Governo para assegurar que a transição não resulte na precarização dos postos de trabalho e no desmantelamento de direitos laborais historicamente conquistados.
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