Governo abre só uma vaga para médicos no Seixal e autarca exige mudança imediata
Apenas uma vaga foi atribuída à Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS) num concurso nacional para 240 médicos, gerando revolta e exigências de revisão por parte da autarquia local.

O presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, manifestou perplexidade e indignação perante a atribuição de apenas uma vaga para médicos de Medicina Geral e Familiar à ULSAS. A decisão, segundo o autarca, compromete gravemente o acesso aos cuidados de saúde primários no concelho, onde 38 mil utentes permanecem sem médico de família.
Paulo Silva já endereçou ofícios de protesto ao Ministério da Saúde e à Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS), pedindo uma revisão urgente da decisão. “Temos centros de saúde como o de Pinhal de Frades, onde a falta de médicos é crónica. Este é um atentado à saúde pública”, afirmou em declarações à agência lusa.
Segundo o despacho da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), publicado a 27 de dezembro, o concurso prevê o preenchimento de 240 vagas para médicos, sendo 225 destinadas à Medicina Geral e Familiar e 15 para Saúde Pública. Para a ULSAS, foram solicitadas 14 vagas, mas apenas uma foi autorizada, uma decisão que a autarquia considera inaceitável e insuficiente.
Médicos disponíveis, mas sem vagas
O cenário é agravado pelo facto de existirem médicos recém-especialistas interessados em integrar o SNS, incluindo três profissionais na própria ULSAS. “Estes médicos estão disponíveis para trabalhar, mas o Governo não abre as vagas necessárias”, destacou Paulo Silva.
Além disso, muitos médicos no SNS estão próximos da aposentação ou migram para o setor privado, o que agrava ainda mais o défice de profissionais. A Câmara Municipal do Seixal estima que seriam necessários pelo menos 30 novos médicos de família para mitigar o problema.
A decisão de atribuir apenas uma vaga foi criticada como uma medida que sobrecarrega os médicos existentes e põe em risco a continuidade dos cuidados de saúde primários. “A manter-se esta situação, será inevitável que mais médicos abandonem o SNS”, alertou Paulo Silva.
Pedido urgente de revisão
A autarquia exige que o Governo corrija imediatamente esta “grave desvalorização do SNS” e forneça os meios humanos necessários para atender à população. A atribuição de apenas uma vaga é vista como “uma gota de água no oceano”, incapaz de resolver as necessidades identificadas pela administração da ULSAS e pela comunidade local.
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