Gonçalo Patrício: entre o fado e o rock, uma voz que renasce no The Voice
Com raízes musicais na família e formação em teatro, Gonçalo Patrício quer viver da arte e sonha representar Portugal na Eurovisão.

Gonçalo Patrício: entre o fado e o rock, uma voz que renasce no The Voice
Do Barreiro para o país inteiro, Gonçalo Patrício é mais um dos talentos que confirmam a força artística da Margem Sul. Numa região fértil em vozes que se afirmam pela autenticidade e emoção, o jovem barreirense, de apenas 18 anos, leva agora o seu nome e o seu timbre ao palco do The Voice Portugal, onde procura não apenas reconhecimento, mas também redenção.
O Gonçalo decidiu voltar a participar no The Voice Portugal movido pela mesma paixão que o levou, há cinco anos, a tentar a sua sorte no The Voice Kids 2021. Agora regressa, mais maduro, confiante e determinado a mostrar a sua evolução como artista. Ligado à música desde sempre, cresceu num ambiente familiar musical: a avó materna cantava em jovem e uma tia integrou uma tuna universitária. Essa ligação à música foi-lhe, portanto, quase genética.
Durante o percurso escolar, o Gonçalo fez parte de uma banda e descobriu o gosto por unir canto e interpretação — algo que mais tarde aprofundaria com o Teatro Musical. Atualmente, estuda Teatro num curso profissional em Lisboa, na Escola Profissional Nicolau Breyner, onde encontra a ponte perfeita entre voz e expressão. “O teatro e a música complementam-se lindamente: o teatro dá-me o corpo, a verdade e a presença; a música dá-me a alma, a emoção e a liberdade”, conta.
A música sempre foi o seu refúgio, o seu espelho e, acima de tudo, a sua forma de estar no mundo. “A música era como o ar: natural, constante, fazia parte das nossas rotinas e dos nossos momentos felizes”, recorda. Desde cedo, percebeu que não queria apenas ouvir — queria viver a música. O fascínio começou quando via a tia ensaiar com a tuna. “Comecei a decorar letras, a imitá-la, a tentar perceber o que fazia a música ser tão mágica.”
Sem formação musical durante grande parte da vida, Gonçalo foi descobrindo o seu caminho sozinho, inspirado por nomes incontornáveis como Amália Rodrigues, Simone de Oliveira, Paulo de Carvalho e Zeca Afonso. “Tentava imitá-los, perceber como usavam a voz, as pausas, a emoção”, diz. Hoje, já com formação técnica, une a aprendizagem do teatro à musicalidade que o define desde criança.
Essa dualidade reflete-se também nas suas referências contemporâneas: Sara Correia, MARO e Salvador Sobral. “Admiro a coragem que têm em serem autênticos, em misturar o tradicional com o moderno, e em fazer música com alma. Inspiram-me a nunca deixar de procurar a minha própria voz.”
Mas a história de Gonçalo com o The Voice é também uma história de superação. Participou pela primeira vez no The Voice Kids em 2021, com apenas 14 anos, cantando “Sol de Inverno”. Nenhuma cadeira virou. “Achei que ter um sonho que falhou significava que eu próprio era um falhanço. Perdi completamente a minha autoestima”, confessa. Durante algum tempo afastou-se da música, até que o teatro lhe devolveu a confiança perdida. “Voltar a um palco, mesmo que não fosse a cantar, foi uma sensação fantástica. Reviveu a paixão.”
Este ano decidiu voltar, com mais maturidade e um novo propósito. “O maior desafio é lutar contra mim mesmo. Quero provar que aquele sonho não foi destruído e que os ‘nãos’ não definem o meu valor.” O programa, diz, tem sido uma verdadeira escola. “O The Voice fez-me perceber que o talento não chega se não houver coragem, disciplina e humildade. Aprendi a valorizar o caminho e não apenas o destino.”
Apesar da competição, Gonçalo não encara os outros concorrentes como rivais. O seu principal adversário é a dúvida interior. “Cada vez que subo a um palco, tento libertar-me dessas inseguranças e simplesmente viver o momento. Cantar com verdade, sentir a música e partilhá-la. Esse é o verdadeiro desafio e, ao mesmo tempo, a maior vitória.”
Quanto ao futuro, as ideias estão bem delineadas. Quer construir uma carreira autêntica, fiel à sua identidade artística e emocional. “Não quero ser apenas mais um a cantar bem. Quero ser alguém que transmite emoção verdadeira, que usa a música para tocar nas pessoas.” O seu estilo? Uma fusão entre o fado, o rock e até o heavy metal — uma mistura improvável, mas profundamente portuguesa. “Gosto de pegar nas nossas raízes e reinventá-las. Quero criar um som que diga ‘isto soa a Portugal’, mas também ‘isto soa a mim’.”
O seu maior sonho é viver da arte, combinando teatro e música, e chegar a um dia em que possa representar Portugal na Eurovisão. “Quero transmitir mensagens felizes através do meu trabalho e acredito que o programa pode abrir portas importantes para o meu crescimento.”
Já tem letras escritas, melodias gravadas de madrugada e planos para lançar o primeiro single. “Não quero lançar algo só por lançar; quero que me represente. Quero que as minhas canções contem histórias e emoções reais.”
No final, o artista deixa uma mensagem que traduz a essência do seu percurso: “Nunca desistam dos vossos sonhos, por mais difíceis que pareçam. Eu sei o que é falhar, mas também sei o que é recomeçar. A vida não é sobre o que conseguimos à primeira, é sobre a força com que voltamos a tentar.”
E é com essa força — e com o coração do Barreiro — que Gonçalo Patrício sobe agora ao palco do The Voice Portugal, pronto para provar que os sonhos da Margem Sul também sabem cantar mais alto
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