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Francisco Jesus: «Fica sempre bem ter na carta de vinhos um Cezimbra, um vinho nosso»

Autarca de Sesimbra destaca crescimento da produção e quer levar o vinho municipal às cartas dos restaurantes do concelho

O vinho «Cezimbra» chegou à terceira colheita e prepara-se para ganhar maior presença na restauração do concelho. Produzido a partir da Vinha Municipal de Sampaio, o projeto nasceu há três anos e integra a estratégia da Câmara de Sesimbra para valorizar os produtos locais.

A colheita de 2025 foi apresentada na última terça-feira, juntamente com os vinhos da Herdade do Perú. A iniciativa serviu também para dar a conhecer a XIV Mostra de Maçã Camoesa, Doçaria e Pão.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Distrito, o presidente da Câmara de Sesimbra, Francisco Jesus, explicou que o Cezimbra começou precisamente com o objetivo de recuperar a ligação do território à produção vitivinícola.

«Este projeto começou há três anos e esta é a terceira colheita», afirmou o autarca. Segundo Francisco Jesus, a iniciativa insere-se numa aposta mais abrangente nos produtos regionais, sobretudo os ligados à freguesia do Castelo.

Vinha nasceu num terreno municipal em Sampaio

A Câmara aproveitou um terreno municipal junto às escolas de Sampaio para instalar a vinha. A propriedade tem cerca de 2,5 hectares e acolhe também outros projetos agrícolas.

O objetivo passou por preservar castas tradicionalmente utilizadas em Sesimbra e na Península de Setúbal. Entre elas encontra-se a Santa Isabel, uma uva de mesa que Francisco Jesus descreve como característica do concelho.

«É uma uva de mesa muito doce, que é característica de Sesimbra e que nós produzimos também», explicou.

Além disso, o município pretendia incentivar outros proprietários a recuperar a atividade agrícola. De acordo com o presidente da Câmara, a iniciativa já começou a produzir resultados.

«Já temos pelo menos mais duas ou três vinhas de dimensão considerável na freguesia do Castelo, já depois também deste nosso repto», revelou.

Produção aumentou desde a primeira colheita

A primeira vindima do Cezimbra aconteceu numa fase em que a vinha ainda era jovem. Por isso, segundo Francisco Jesus, a produção inicial foi reduzida.

«Tivemos uma primeira colheita, foi sempre a primeira com uvas novas, com uma vinha nova. Correu relativamente bem, mas com pouca produção», recordou.

Entretanto, a quantidade aumentou. «A segunda já foi um bocadinho maior e agora temos a terceira», acrescentou.

O próprio nome escolhido procura reforçar a ligação à história local. «Cezimbra» corresponde, segundo Francisco Jesus, à forma como o nome Sesimbra era escrito há cerca de dois séculos.

«Quisemos manter. É uma questão também de identidade», explicou.

Câmara quer colocar Cezimbra nos restaurantes

Até agora, a produção limitada condicionava a distribuição do vinho. O município utilizava parte das garrafas em ofertas de representação, enquanto outra parte estava disponível para compra.

No entanto, a terceira colheita abre uma nova possibilidade. A Câmara pretende que restaurantes do concelho possam passar a incluir o Cezimbra nas respetivas cartas de vinhos.

«Não temos uma produção que permita ter uma grande distribuição», reconheceu Francisco Jesus. Ainda assim, o autarca considera que a quantidade disponível já permite chegar à restauração local.

Para o presidente da Câmara, o objetivo passa por associar o vinho aos restantes produtos do território. Assim, os restaurantes poderão acompanhar o peixe e outros produtos regionais com um vinho produzido no próprio concelho.

«Fica sempre bem ter no menu da casa e na carta de vinhos um vinho Cezimbra, um vinho nosso», afirmou.

«Cezimbra» está à venda na Mercearia Ideal

O público também pode comprar diretamente o vinho. Atualmente, o «Cezimbra» encontra-se à venda na Mercearia Ideal, em Sesimbra.

O espaço reúne outros produtos ligados ao concelho. Entre eles estão conservas e outros artigos regionais.

«Está lá à venda, qualquer pessoa pode comprar», esclareceu Francisco Jesus.

A aposta no Cezimbra integra uma estratégia que abrange ainda produtos como a maçã camoesa, o pão caseiro, os queijos da Azoia, a farinha torrada e a doçaria. Segundo o presidente da Câmara, o município procura, desta forma, preservar a identidade local e apoiar os pequenos produtores.

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