
No dia 31 de dezembro assinala-se a efeméride (64 anos) do Golpe de Beja, que aconteceu em 1961. Esta tentativa de levantamento militar contra a ditadura do Estado Novo visava a tomada do Regimento de Infantaria n.º 3, em Beja, com o objetivo de desencadear um movimento mais amplo para derrubar do regime fascista.
A tentativa de golpe militar contou com o apoio político do general Humberto Delgado, que entrou clandestinamente em Portugal para acompanhar o levantamento. No entanto, as falhas de coordenação entre os militares e a reação das forças do exercito leais ao regime fascista conduziram ao fracasso desta revolta poucas horas após o seu início.
Nos dias que se seguiram ao Golpe de Beja, o regime do Estado Novo revelou hesitação na construção de uma narrativa oficial sobre os acontecimentos. Na Assembleia Nacional, a 3 de janeiro de 1962, o presidente impediu qualquer tipo de debate, alegando não poder haver “período de antes da ordem”, limitando-se a declarar um voto de pesar pela morte de um subsecretário envolvido.
Na altura, com medo que a população soubesse, o regime manipulou e reescreveu com a sua versão dos factos, sobretudo através da marcação de cerimónias oficiais de celebração da derrota da revolta destes militares, promovendo a condecoração de figuras leais ao regime fascista e ao seu partido, integrando este episódio na propaganda de reforço autoritário do Estado Novo.
Apesar destes militares não terem alcançado uma sublevação bem sucedida, o Golpe de Beja continua a ser um marco da resistência dos militares democratas e patriotas contra o regime fascista, tendo deixado uma semente de luta e uma aprendizagem para a existência de uma oposição organizada e patriótica dentro das Forças Armadas, o que culminou no papel que os militares viriam a desempenhar na queda do regime, a 25 de abril de 1974.
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