Fogaças, fé e mau tempo, Palmela viveu a bênção sem multidões
A bênção das fogaças realizou-se a 15 de janeiro na igreja de São Pedro, em Palmela, com missa às 18h00 e pouca afluência devido ao mau tempo. As fogaças foram vendidas e a receita reverteu para a paróquia.

A igreja de São Pedro, em Palmela, acolheu ao final da tarde de 15 de janeiro a tradicional bênção das fogaças, num registo mais contido do que o habitual. A missa decorreu pelas 18h00, numa noite marcada pelo mau tempo, com o templo longe de estar cheio de fiéis, num retrato que contrastou com a dimensão simbólica que este doce assume no concelho.
No final da celebração, as fogaças abençoadas foram colocadas à venda e a receita reverteu para a paróquia, reforçando a ligação entre tradição, comunidade e apoio à vida paroquial.
A cerimónia voltou a sublinhar a centralidade do mês de janeiro na identidade local. Janeiro é o mês da Fogaça de Palmela e o calendário do concelho dedica estas semanas ao doce tradicional, com iniciativas que procuram envolver várias gerações e manter viva uma marca cultural que atravessa famílias e instituições.
À margem da celebração, a presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, destacou o valor social e educativo da tradição, sublinhando a importância de a transmitir desde cedo. Referiu, a propósito, a participação de uma escola da freguesia, com dezenas de crianças, defendendo que escolas, instituições locais e Igreja têm um papel essencial nesta partilha, para a fogaça ser compreendida como “um elemento da nossa terra”, mesmo quando a dimensão religiosa nem sempre é totalmente percebida pelos mais novos. A autarca reafirmou ainda o apoio municipal a iniciativas ligadas à tradição.
Também o presidente da Confraria Gastronómica de Palmela, Nuno Gil, enquadrou a bênção como um gesto de continuidade e revitalização, dizendo tratar-se de uma missão de preservação de uma tradição antiga. Considerou, no entanto, que há caminho a fazer para “dignificar” ainda mais a fogaça, defendendo que o tema não se esgota no registo formal do produto e apontando a necessidade de acrescentar novas dinâmicas no futuro. Indicou ainda que a confraria se prepara para ser recriada, mantendo, por agora, esta cerimónia como momento central.
Já o presidente da Junta de Freguesia de Palmela, Jorge Mares, sublinhou o peso identitário do ritual, defendendo que a bênção das fogaças é um dos fatores determinantes da cultura local e valorizando o envolvimento de instituições como centros sociais, associações e escolas. O autarca apontou também para a importância de reforçar iniciativas ao longo do ano e adiantou a intenção de promover um segundo encontro dedicado à fogaça, convidando territórios com tradições semelhantes, para partilha de experiências e afirmação das especificidades locais.
Apesar da presença de comunicação social no local, o padre Quintino recusou prestar declarações, mantendo a cerimónia no seu registo habitual, centrado na celebração e no simbolismo do momento.
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