Cultura

Festival Círculo de Jazz Setúbal celebra 15 anos com dez concertos em fevereiro

O Festival Círculo de Jazz Setúbal celebra 15 anos com uma edição que decorre no mês de fevereiro e que reúne alguns dos nomes mais relevantes do jazz nacional e internacional.

Maria João & Mário Laginha, o quarteto do saxofonista italiano Nicolò Ricci e o guitarrista britânico Jon Gomm integram o cartaz do evento, que conta com dez concertos em dez dias.

As comemorações arrancam ainda em janeiro com a inauguração de duas exposições coletivas de fotografia dedicadas à história do festival. A primeira abre no dia 24 de janeiro, na Casa da Cultura de Setúbal, seguindo-se uma segunda exposição, a partir de 31 de janeiro, no espaço Audi-Caetano Drive. As mostras reúnem imagens de vários autores e proveniências e pretendem documentar a evolução do Círculo de Jazz ao longo dos seus 15 anos, explicou Mónica Duarte, chefe da Divisão de Cultura e Património da Câmara Municipal de Setúbal.

“Estamos a fazer a recolha do material. Serão fotografias de vários autores e proveniências, documentando a história do Festival”, explicou.

A inauguração da segunda exposição contará ainda com um momento musical a cargo de um combo da Escola de Jazz e Música Improvisada da Sociedade Musical Capricho Setubalense (SMCS), entidade organizadora do festival em parceria com a Câmara de Setúbal.

O festival abre oficialmente a 5 de fevereiro, no Cinema Charlot, com o guitarrista, cantor e compositor britânico Jon Gomm, conhecido pelo seu estilo singular que alia técnica de “tapping”, percussão na guitarra e mudanças de afinação enquanto toca congregando num só instrumento “o papel de baixo, percussão e toda uma paisagem sonora”, destaca a organização.

No dia seguinte, 6 de fevereiro, a SMCS recebe o saxofonista madeirense Francisco Andrade, que se apresenta com o seu trio para dar a conhecer o álbum de estreia “Linhas e Formas”. A formação inclui o pianista espanhol Javier Galiana e o baterista João Lencastre, com os músicos convidados Alexandre Andrade, trompetista, e Ricardo Dias, contrabaixista.

O dia 7 de fevereiro será um dos mais intensos do festival. Na Igreja do Convento de Jesus atua o ensemble Leida, , da cantora Mariana Dionísio. Trata-se de um conjunto para oito vozes, “que procura questionar os trâmites canónicos dos grupos corais”, numa “abordagem não dogmática”. Beatriz Nunes, Filipa Franco, Leonor Arnaut, Nazaré da Silva, Diogo Ferreira, Hugo Henriques e João Neves compõem o ensemble, com Mariana Dionísio.

No mesmo dia, o Fórum Luísa Todi acolhe o pianista espanhol Chano Dominguez que já trabalhou com músicos como Enrique Morente, Paco de Lucía, Herbie Hancock, Jack DeJohnette e Wynton Marsalis. No palco sadino vai atuar com o contrabaixista Horacio Fumero e o percussionista David Xirgu, numa fusão do jazz com flamenco, entre tangos, tanguillos, alegrías, compás de bulerías, fandangos e soleás.

Ainda no dia 07, na SMCS, toca o saxofonista italiano Nicolò Ricci, que se fixou em Amesterdão há mais de uma década. O músico tem atuado em diferentes projetos, como o Ambergris, a Jo Goes Hunting Orchestra e o Sun-Mi Hong Quintet.

A programação prossegue a 13 de fevereiro, no Fórum Luísa Todi, com a atuação da Orquestra de Jazz de Setúbal, dirigida por Carlos Azevedo e com a participação do pianista e compositor Luís Figueiredo. Criada em 2021, a orquestra reúne músicos de diferentes gerações e assume uma forte dimensão comunitária. No mesmo dia, o contrabaixista e compositor Miguel Ângelo apresenta o álbum “Distopia” com o seu trio.

O festival encerra a 14 de fevereiro com dois concertos no Fórum Luísa Todi. Maria João e Mário Laginha revisitam mais de duas décadas de colaboração artística, num percurso marcado por mais de dez álbuns conjuntos e por uma linguagem musical difícil de rotular.

“A música que interpretam não se pode rotular, sendo, muito simplesmente, a que gostam de fazer”, diz a organização do festival.

No mesmo dia atua ainda o guitarrista e compositor André Fernandes que em 2013 editou o álbum “Motor”, gravado com Bernardo Sassetti (piano), José Pedro Coelho (saxofone), Demian Cabaud (contrabaixo) e Marcos Cavaleiro (bateria).

Com a morte de Bernardo Sassetti, em maio de 2012, o grupo parou a atividade, mas o guitarrista reativou o grupo com o pianista Miguel Meirinhos.

André Fernandes editou doze álbuns como líder e já trabalhou com músicos como Lee Konitz, Mário Laginha, Maria João, Tomasz Stanko, Dan Weiss, Perico Sambeat, Avishai Cohen e João Paulo Esteves da Silva.

*Com Lusa


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