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Ex-presidente do Porto de Sines lança livro e critica atraso de sete anos na expansão do Terminal XXI

José Luís Cacho apresenta esta quinta-feira, em Lisboa, O Despertar dos Portos, obra dedicada à transformação do sistema portuário português e ao futuro do setor.

O antigo presidente do Porto de Sines, José Luís Cacho, lança esta quinta-feira, 1 de outubro, o livro O Despertar dos Portos — De Aveiro a Sines: a reinvenção do sistema portuário português. A apresentação está marcada para as 17h30, no Museu do Oriente, em Lisboa, de acordo com o comunicado enviado à redação do Diário do Distrito.

Na obra, editada pela Tinta-da-China, José Luís Cacho percorre a evolução recente dos portos portugueses. Além disso, defende a importância destas infraestruturas para a economia nacional e propõe um modelo de gestão mais descentralizado.

O livro inclui ainda testemunhos de 20 protagonistas ligados ao setor. Entre eles estão António Costa Silva, Natércia Cabral e Jorge d’Almeida. Por sua vez, o economista António Nogueira Leite ficará responsável pela apresentação da obra.

Capa do livro O Despertar dos Portos — De Aveiro a Sines: a reinvenção do sistema portuário português

Dos portos de Aveiro e Sines ao modelo atual

José Luís Cacho presidiu às administrações portuárias de Sines, Aveiro e Figueira da Foz. Foi também um dos fundadores da Associação dos Portos de Língua Oficial Portuguesa.

Ao longo do livro, o antigo gestor destaca o papel do antigo ministro João Cravinho na transformação do sistema portuário. Em particular, recorda o «livro branco» Política Marítimo-portuária Rumo ao Século XXI, apresentado em 1998.

Esse documento esteve, entretanto, na origem de várias alterações no setor. Entre elas encontra-se a adoção de um modelo empresarial de gestão que continua em vigor.

«Os portos, mais do que infraestruturas de cais e guindastes, são nós vitais de uma economia aberta ao mundo», escreve José Luís Cacho na introdução.

Segundo o autor, estas infraestruturas funcionam também como «pontos de contacto entre o território e as rotas globais». Ao mesmo tempo, considera que são indicadores da competitividade do país.

Cacho defende maior autonomia e ligação às regiões

José Luís Cacho considera que o setor deve adaptar-se às mudanças na economia mundial. Além disso, aponta as questões de segurança e os efeitos das alterações climáticas como desafios cada vez mais relevantes.

Por outro lado, defende uma maior integração dos portos nas economias regionais.

«À semelhança da maioria dos países europeus, importa aprofundar e flexibilizar o modelo empresarial de gestão, assegurando a autonomia», afirma.

Ainda assim, o antigo presidente do Porto de Sines defende que essa autonomia deve articular-se com as estruturas políticas regionais e com as empresas instaladas em cada território.

«Defendo uma maior integração deles no tecido económico das regiões, num modelo descentralizado, construído em articulação com as empresas e entidades públicas locais», acrescenta.

Decisão sobre Terminal XXI é criticada no livro

A obra aborda também decisões políticas tomadas ao longo das últimas décadas. Entre elas, surge uma crítica à expansão do Terminal XXI, o terminal de contentores do porto de Sines.

José Luís Cacho considera que uma decisão governamental tomada em 2014 travou o desenvolvimento previsto para aquela infraestrutura.

«Uma decisão governamental deve ser sempre sustentada numa avaliação técnica», escreve.

Segundo o antigo responsável, os fundamentos usados na altura poderiam não ter suporte técnico suficiente. Em alternativa, admite que possam ter assentado num cenário que classifica como «irrealista».

Como consequência, considera que a decisão teve «consequências profundamente negativas». Além disso, sustenta que provocou «um atraso de sete anos no desenvolvimento do porto».

Livro aponta caminhos para o futuro dos portos

Para além da reconstrução histórica, O Despertar dos Portos procura contribuir para a discussão sobre o futuro do setor marítimo-portuário português.

Nesse sentido, José Luís Cacho defende que os portos continuam a ter um papel determinante na economia. Da mesma forma, sublinha a importância destas infraestruturas nas ligações internacionais do país.

«Os portos são genuínas portas de ligação ao mundo, com um papel crucial, global, na evolução das sociedades, que não começou hoje nem terminará amanhã», conclui.

A apresentação de O Despertar dos Portos — De Aveiro a Sines: a reinvenção do sistema portuário português realiza-se esta quinta-feira, às 17h30, no Museu do Oriente, em Lisboa.

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