Autárquicas 2025DestaquePolíticaSetúbal 2025

Ex-candidata do Chega acusada de dever 50 mil euros deixa eleitores em Setúbal sem respostas

Lina Lopes, antiga deputada do PSD e ex-candidata do Chega, desistiu da corrida em Setúbal após ser acusada de dever dinheiro a um empresário. Embora negue as acusações, ainda não se explicou publicamente. Fonte próxima do Chega admite que a polémica pode ter fundamento.

Depois de Maria das Dores Meira (candidata do movimento Setúbal de Volta e do PSD) ter sido alvo de várias polémicas judiciais, entre elas, o alegado abuso de comparticipações em viagens ao estrangeiro enquanto era presidente da Câmara Municipal de Setúbal, agora é a antiga candidata do Chega e ex-deputada social-democrata, Lina Lopes, que está envolta em polémica.

Foi no dia 17 de agosto, já no limite da entrega das listas para as Autárquicas de 2025, que surge uma publicação a circular nas redes sociais – proveniente de um perfil que partilha propaganda do Chega – com a divulgação de mensagens trocadas entre o alegadamente empresário “Vítor Pilas” e Lina Lopes. 

Nas mensagens divulgadas, o empresário teria emprestado cerca de 20 000€ à ex-candidata – sendo que este valor é indiscriminado, ficando a dúvida se o apoio financeiro seria para a campanha da candidata em Setúbal. A este valor acresce ainda uma quantia de 38 400€ para a compra de um carro pessoal para Lina Lopes.

O homem exigia que Lina Lopes devolvesse o dinheiro emprestado “até domingo”, explicando que a ex-candidata não quis “assinar nada” para registar o empréstimo, acrescentando ainda que, após a recusa de Lina Lopes em assinar papéis oficiais, “desconfiei e meti o telemóvel a gravar”

De acordo com as imagens divulgadas, o que motiva o alegado empresário a enviar esta mensagem é uma suposta acusação de Lina Lopes sobre um passado criminoso do homem com tráfico de drogas.

Nas mensagens, aparece também uma resposta reencaminhada – alegadamente de Lina Lopes – pedindo ao homem que se encontrassem em Setúbal, explicando que “há uma semana que apenas trato de listas não falo com ninguém (…) essas pessoas deviam estar presentes para me dizerem na cara o que eu disse sobre a tua pessoa”.

Desde que esta publicação foi partilhada nas redes sociais, Lina Lopes lançou apenas um comunicado, não oficial, no Facebook, onde rejeita “categoricamente as acusações” que lhe foram dirigidas, anunciando assim que desiste de se candidatar ao município. Apesar desta recusa, uma fonte próxima do partido Chega disse ao Diário do Distrito que a candidata desistiu exatamente porque esta polémica poderá ter fundamento. 

Até agora a ex-candidata ainda não esclareceu publicamente esta situação, ficando assim os eleitores de Setúbal – e em particular os do Chega – sem uma respostas oficial para a retirada desta candidatura ou com uma clarificação dos factos divulgados nas mensagens. 

O Diário do Distrito contactou a estrutura distrital do Chega que, na pessoa do deputado Nuno Gabriel (candidato a Sesimbra), respondeu às seguintes questões: como se posiciona a Distrital do Chega face às acusações contra Lina Lopes e se mantém confiança política na ex-candidata; se o partido tem conhecimento de que o autor da divulgação das mensagens é também simpatizante do Chega e se considera que houve um “leak” interno; se algum dos valores mencionados, nomeadamente os 20 mil euros, foi destinado ao financiamento da campanha.

Em resposta oficial, o dirigente do Chega respondeu apenas que Lina Lopes é “independente” e que o assunto divulgado é “entre ela e um empresário”, explicando que o Chega é “completamente alheio a essa situação”, demarcando-se da ex-candidata do partido ao município de Setúbal. O deputado afirma ainda que “a retirada da candidatura foi um ato sensato”.

Este recebimento, supostamente não registado, de uma quantia que, alegadamente, ultrapassa os 50 000€, deixa também por esclarecer se parte deste dinheiro – os 20 mil não discriminados pelo empresários nas mensagens – seria ou não para financiar a campanha de Lina Lopes pelo Chega em Setúbal.

O Chega, com apenas 6 anos de existência e sem ainda ter governado – tanto a nível nacional como autárquico – acumula já várias figuras ligadas ao partido acusadas de corrupção, furto, violência doméstica, pedofilia e até prostituição de menores, aproximando-se assim do PS e do PSD, os dois partidos envolvidos em mais casos judiciais de que há registo em Portugal.


Se tiver sugestões ou notícias para partilhar com o Diário do Distrito, pode enviá-las para o endereço de email geral@diariodistrito.pt


Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito

fertagus