Estudo aponta para aumento da desinformação nas campanhas eleitorais do Chega
Uma investigação académica concluiu que as estratégias de desinformação associadas às campanhas eleitorais do Chega se tornaram mais sofisticadas entre 2019 e 2024, acompanhadas por um aumento significativo das interações nas redes sociais.
Uma investigação académica concluiu que as campanhas eleitorais do Chega registaram um crescente recurso a diferentes formas de desinformação entre 2019 e 2024, verificando-se uma evolução das estratégias utilizadas nas plataformas digitais.
O estudo, desenvolvido pela investigadora Ana Filipa Joaquim, analisou os conteúdos publicados durante os períodos eleitorais das legislativas de 2019, 2022 e 2024, abrangendo os dez dias anteriores e os dez dias posteriores a cada ato eleitoral.
Segundo a autora, embora a desinformação deliberada continue a ser a tipologia predominante, verificou-se uma crescente utilização de conteúdos classificados como misinformation e malinformation, estratégias que considera mais sofisticadas e profissionalizadas.
A investigação distingue diferentes categorias de conteúdos. A disinformation corresponde à divulgação deliberada de informação falsa, enquanto a misinformation se refere à partilha de informação incorreta sem intenção de enganar. Já a malinformation assenta na utilização de informação verdadeira retirada do seu contexto original para reforçar determinadas narrativas.
O estudo destaca ainda o aumento do recurso a formatos satíricos, como memes, humor e sarcasmo, utilizados para transmitir mensagens políticas e reduzir a responsabilização pelos conteúdos difundidos.
Os resultados mostram que a desinformação deliberada representava mais de metade dos casos analisados em 2019, mas perdeu peso relativo nas campanhas seguintes, acompanhada por uma maior diversificação das estratégias de comunicação política.
A investigação conclui também que estas práticas foram frequentemente combinadas com técnicas de propaganda e enquadramentos emocionais destinados a aumentar a circulação e o alcance das mensagens nas redes sociais.
Paralelamente, registou-se um crescimento expressivo da interação dos utilizadores com os conteúdos analisados. Os níveis médios de gostos, comentários e partilhas aumentaram ao longo dos três atos eleitorais estudados, o que, segundo a autora, poderá refletir uma maior otimização das estratégias de comunicação digital.
Apesar destes dados, Ana Filipa Joaquim sublinha que a investigação não permite estabelecer uma relação direta entre a utilização destas estratégias e o crescimento eleitoral do Chega.
A investigadora espera que o estudo contribua para reforçar a literacia mediática dos cidadãos e para uma análise mais crítica dos conteúdos políticos partilhados nas plataformas digitais.
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