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Estudantes da Moita saem à rua e exigem obras urgentes na escola

Alunos da Escola Secundária da Moita denunciaram à Câmara Municipal (PS) infiltrações e quedas do teto. Os estudantes dizem que a autarquia tem "ignorado" os alertas da comunidade escolar. A única força política presente na manifestação foi a Coligação Democrática Unitária (CDU).

A degradação das condições na Escola Secundária da Moita já tinha sido sinalizada pela autarquia como infraestrutura de intervenção prioritária “há muitos anos”, contudo, depois da passagem de um rol de tempestades, os alunos foram reportando inundações no pavilhão desportivo, acumulação de bolor em vários espaços da escola, infiltrações nas paredes e no teto, colocando em causa o funcionamento da escola. No comunicado de imprensa de apelo à manifestação, os estudantes reportavam a seguinte situação:

“Cada manhã é uma surpresa, pois podemos encontrar funcionários pelos vários cantos da escola a recolher fragmentos do teto e a limpar o soalho, uma vez que os inúmeros alguidares e baldes não conseguiram aguentar a quantidade de água. Uma simples função de higienização, nesta escola, transforma-se num perigo, uma vez que, recentemente, pedaços do teto caíram sobre uma funcionária, deixando-a magoada”.

Nesta escola existem também alunos do curso profissional de desporto, com módulos em atraso porque não conseguem fazer educação física no pavilhão. “Os recipientes, as esfregonas, as toalhas e as constantes limpezas não impedem a formação de poças dentro do pavilhão desportivo, que já apresenta irregularidades no solo devido aos sucessivos anos de falta de investimento na melhoria das condições”.

Os alunos do ensino profissional são avaliados segundo uma estrutura escolar dividida em módulos, cuja não conclusão impossibilita a transição. Contudo, devido à falta de condições no futuro, estão impossibilitados de os concluir e terão de os repor posteriormente, durante a pausa letiva.

No mesmo comunicado, descrevem os corredores da escola como “uma zona de exibição de inúmeros recipientes e de um teto em risco constante de desabamento”, sendo que a biblioteca se mantém um espaço inoperável justamente porque existe risco do teto desabar.

Depois de vários estudantes e própria direção da escola terem comunicado todos estes problemas ao município, foram “ignorados” pelos responsáveis políticos, neste caso em particular, os eleitos do Partido Socialista na autarquia, em particular a vereação da educação e o presidente de Câmara. Foi só depois de terem publicado um vídeo nas redes sociais que perceberam que existiam mais pessoas na comunidade escola que estavam revoltadas com a situação e que havia condições para avançar com uma manifestação.

“O que provocou esta manifestação foram os sucessivos anos de desinvestimento nesta escola, todos os dias são uma surpresa, todos os dias nos deparamos com bocado de teto no chão, fissuras nas paredes, casas de banho inoperáveis”, diz-nos José, de 18 anos.

O protesto começou às 8 da manhã, de sexta-feira, antes da primeira hora de entrada, onde vários estudantes se foram juntando com cartazes e palavras de ordem: “Era uma escola muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada”. Entre a entrada e o segundo intervalo a manifestação foi ganhando corpo, não só com as várias dezenas de estudantes que se foram juntando à luta, mas também por funcionários e professores, que deixavam palavras de solidariedade aos estudantes.

Foto: Diogo Alexandre

O estudante da secundária deixou um apelo a todas as associações de estudantes “que mostrem a sua voz. É uma luta para todos e para as gerações vindouras”.

“Estamos todos unidos por uma única luta. Se não formos nós a mobilizarmo-nos, ninguém o fará por nós”, sublinha.

De acordo com José os estudantes “contactaram várias forças políticas”, mas “a única que respondeu foi o PCP”. Diz ainda que, após entrar em contacto com o município (PS), foram alvo de vistorias por parte de inspetores da Câmara e da própria proteção civil, mas que foram ignorados pelos responsáveis políticos: “A Câmara não está solidária com a nossa luta”.

Vereador da Câmara Municipal da Moita, João Figueiredo (PCP),
Foto: Diogo Alexandre

A única força política que marcou presença foi a Coligação Democrática Unitária (CDU), em particular o vereador da Câmara Municipal da Moita, João Figueiredo (PCP), que nos explica que esta situação já “é do conhecimento da Câmara há muito tempo”, desde que começou a ser trabalhada a transferência de competências para autarquia. O vereador diz que “não há condições físicas para os alunos terem aulas” e que “é grave” o acidente que aconteceu com a funcionária.

João Figueiredo explica que os alunos se queixam de falhas de manutenção básica “como portas que não fecham”. A CDU “sempre esteve contra o modelo de transferência de competências porque transfere os problemas e não transfere os meios. Não é só esta escola. Há vários problemas em várias escolas do concelho da Moita”.

O vereador terminou referindo que os estudantes “estão a lutar pela democracia”.


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