Distrito de SetúbalEntrevista
Tendências

Entrevista | Paulo Valente da Cruz: “A Cáritas é, de facto, uma instituição que tem que responder 24 horas por dia”

A entrevista com o presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal, Paulo Valente da Cruz, demonstrou o intenso trabalho desenvolvido pela instituição no plano da integração social, assim como a relação entre o presidente e o Bispo de Setúbal, cujos pensamento são coincidentes.

Nesta entrevista com o presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal, Paulo Valente da Cruz, discorremos sobre o papel da Cáritas no combate à pobreza e na ajuda ao próximo, assim como a proximidade de pensamentos entre o presidente e o Bispo de Setúbal.

Tendo em conta as dificuldades que o Estado tem tido em assumir muitas das funções sociais, considera que a Cáritas acaba por ser o garante do Estado de bem-estar social?

Sim, obviamente. De facto, a Cáritas tem um papel fundamental na sociedade, em que apoiamos cerca de 3500 utentes. Aqui, na Cáritas Diocesana de Setúbal – que é de Diocese, para quem às vezes não tem essa noção -, reportamos ao nosso bispo, e tem que fazer as suas ações de ajuda e caridade aos mais necessitados em toda a Diocese. Não é só em Setúbal, nem no concelho de Setúbal, é em todos os concelhos da Diocese, que é quase o distrito de Setúbal, é a Península de Setúbal. Na Península de Setúbal, os pedidos chegam de todo o lado, de todas as paróquias. Os pedidos podem vir desde o concelho de Almada, Seixal, Alcochete, Montijo, Palmela. A Cáritas Diocesana, como o próprio nome indica, é da Diocese.

Depois, temos as Cáritas no país, que cada Diocese, cada Bispo tem a sua Cáritas diocesana. Existe a diocese do Porto, Lisboa, Beja, Santarém. Há 20 Cáritas diocesanas.

Considera que a Cáritas de Setúbal tem conseguido dar resposta aos pedidos de ajuda que tem recebido?

Os pedidos de ajuda são quase infinitos. Como é óbvio, nós não deixamos de tratar nenhum pedido de ajuda. De facto, nós respondemos a todos os pedidos.

Depois, se temos capacidade, por exemplo, de arranjar alojamento para todos os pedidos que nos aparecem, obviamente que não, porque temos a capacidade instalada toda ocupada. Nós, ao nível dos pedidos de ajuda mais credenciados, temos a camarata aqui, neste edifício, na São Francisco Xavier, com 14 camas, estão todas ocupadas. Depois, temos os apartamentos partilhados, que são 15 e o housing first, que são 12.

Nós, na Cáritas Diocesana, apoiamos de forma transversal todas as faixas etárias. Temos grávidas no nosso Centro de Apoio à Vida; crianças através dos nossos equipamentos de infância; idosos através da valência do centro de dia e serviços de apoio domiciliário; pessoas em situação de sem-abrigo – que é o que eu estava a referir -, através de camaratas, housing first, que são os apartamentos que temos, e apartamentos partilhados. Os apartamentos partilhados são apartamentos onde sentimos que as pessoas podem criar a sua própria autonomia. Temos apartamentos que são partilhados entre três utentes, com os devidos quartos e a cozinha, e que depois criam a sua autonomia para terem vida própria. No housing first, já é um bocadinho diferente, com problemas mais que podem ser psiquiatria e algumas dificuldades cognitivas, e que nós apoiamos essas pessoas que nos aparecem aqui a determinado momento, passam pelas camaratas e depois são instaladas nesses apartamentos.

Como deve imaginar, temos os apartamentos todos ocupados, porque hoje, de facto, o problema da habitação, como sabemos, é muito grave ao nível da capacidade da pessoa suportar os custos. Pagar uma renda, que é de uma casa que esteja educada e que tenha pago a dívida ao banco mensalmente, não é fácil. Não é fácil hoje as pessoas terem autonomia por esse motivo, porque não há habitação para elas depois fazerem a sua vida própria. Algumas já estão a ter o seu próprio emprego, mas não chega o salário para cobrir a possibilidade de ter uma casa, o seu próprio quarto, a sua própria cozinha.

Pode repetir qual é o número de bolsas de habitação que a Cáritas tem atualmente, do programa housing first?

No housing first e apartamentos partilhados, temos 27 (12 mais 15). Na camarada, 14.

Uma das questões que tem marcado a atualidade, e que falou há pouco, tem sido a saúde mental. Em que âmbito tem atuado a Cáritas nessa matéria?

Nós temos 155 funcionários, dos quais incluem psicólogos, assistentes sociais, que estão formados, para poder enquadrar essas circunstâncias. Devo dizer que, infelizmente, acabamos por ser um pouco uma unidade hospitalar. Porquê? Porque, quer seja por questões de psiquiatria, nomeadamente as questões de terem as suas consultas e de terem a sua medicação, quer seja por questões de toxicodependência, nomeadamente, terem que tomar metadona, infelizmente, tem de ser a Cáritas a gerir esse processo com as pessoas, porque têm dificuldade em saber as tomas diárias, as horas em que são feitas. Somos nós que o fazemos. Vamos às casas das pessoas, todos os dias, e aqui na Camarata também.

No âmbito do que falou, quais identifica serem as maiores dificuldades que a Cáritas Setúbal atravessa neste momento, para além da questão de assumir algumas funções de Estado Social e da limitação do número de habitações?

Os problemas são muito graves, devido ao impacto que temos tido com a imigração. O imigrante, se de facto chegar a Portugal, e não conseguir ter emprego nos timings que previa, obviamente que rapidamente passa a situação de sem-abrigo e, portanto, aumentou os períodos exponencialmente.

Felizmente, aqui, na cidade de Setúbal, temos conseguido ajudar a que não estejam nas ruas como vemos em Lisboa, como na estação do Oriente. Como Setúbal está perto, acaba por ser uma solução para muitos deles. Eles aparecem aqui à porta. Rapidamente atravessam a ponte [25 de abril] pela linha do comboio, aparecem-nos aqui a pedir comida e, também, guarida, sítio onde ficar, Numa primeira fase, tentamos, com as importâncias financeiras que temos, coloca-los numa pensão, que, infelizmente, também subido bastante o aluguer do quarto, e depois vemos a resposta que lhes podemos dar. Agora, de facto, se houvesse um maior número de camas na instituição, conseguíamos gerir isto de uma forma mais eficaz.

Mas enfim, temos conseguido não deixar ninguém de ter a sua devida dignidade quando nos bate aqui a esta porta. Aparecem-nos aqui às vezes pessoas que, depois, nem roupa trazem, e nós temos logo a capacidade de fornecer a roupa e começar a dar alimentação. Depois, então, tentamos as soluções de tentar arranjar uma guarida para a pessoa não estar na rua.

Qual tem sido a sua relação com as restantes associações de solidariedade social, para, também, colmatar esse problema?

Nós trabalhamos em rede. A filosofia da Cáritas não é ter equipamentos IPSS [Instituição Particular de Solidariedade Social]. A Cáritas em Setúbal cresceu dessa forma, com necessidades que nós sabemos que houve nos anos 80, fruto das circunstâncias da falta de emprego, na altura, aqui no concelho de Setúbal, e nos concelhos ao lado. Mas, hoje, a Cáritas responde a pedidos, por exemplo, eu posso dizer que a maior parte dos sem-abrigo não são daqui: 30% é do Distrito de Setúbal, 50% é do resto do país e os outros 20% são do mundo. Já sabem que temos aqui esta resposta e, às vezes, através dos meios de comunicação que hoje existem, nomeadamente os telemóveis, rapidamente uma pessoa que é aqui apoiada consegue dizer à família estando ela em que país for, seja no Brasil, seja em África, seja na Ucrânia, que há uma solução aqui para virem, porque temos aqui esta resposta.

Obviamente, tudo isto trabalha em rede também, porque, apesar da filosofia da Cáritas – isto é muito importante -, ser, apoiar e trabalhar com as paróquias, esta Cáritas – mais uma ou duas no país, ou talvez mais -, acabou por ter equipamentos e, portanto, é também uma IPSS ao mesmo tempo.

Para responder à sua pergunta, diria que, como IPSS, trabalhamos em rede umas com as outras. Há um número nacional que, quando aparece uma situação destas, que é a linha 144, é verificado qual é a entidade que vai responder. Há uma resposta conjunta com as outras IPSS locais, com as outras associações locais, que também dão resposta a estas situações.

Obviamente que a Cáritas, sabemos todos, não só aqui a nível do distrito, mas se calhar a nível nacional, é aquela que tem a resposta mais básica, mais baseline, quando a dignidade do ser humano atingiu mesmo o fundo. Independentemente de não ter número na Segurança Social, não se conseguiu legalizar. Tudo isso é uma dificuldade, e hoje sabemos que com a AIMA [Agência para a Integração, Migrações e Asilo] é uma dificuldade também no processo. O ser humano que aparece aqui é logo tratado, mesmo que não tenha qualquer circunstância de estar legal. Depois, nós vamos ajudar a legalizar-se. Portanto, está a um patamar tal de começar tudo do zero, enquanto as outras IPSS não. Para tratar, de facto, o indivíduo, tem que perceber o que é que é preciso fazer. Está legalizado, tem número de Segurança Social, como é que podemos ajudar? Linha 144. A Cáritas responde a qualquer situação.

A Cáritas é, de facto, uma instituição que tem que responder 24 horas por dia. Aparece um sem-abrigo à uma da manhã, nós temos de estar lá. Aparece um sem-abrigo ao domingo, nós temos de estar lá. Aparece uma mãe com uma criança que precisa de apoio naquele lugar, nós temos de estar lá. Nós não podemos ser aquela IPSS que, ao fim de semana, não reage, só vai reagir na segunda, porque é o que está protocolado. Não. Para além de tudo o protocolado com a Segurança Social como IPSS, a Cáritas tem que estar presente a qualquer momento.

Em relação à questão que falou, da legalização de pessoas imigrantes, existe algum corpo técnico especializado aqui na Cáritas?

Nós estamos muito habituados, pelos anos e pela experiência. Quando aparece essa pessoa, temos que ir apoiá-la, temos que ir com ela. Vai um técnico acompanhá-la e saber o que é que consegue para tratar da sua legalização. A maior parte deles, não nos aparece aqui nessa circunstância. Porquê? Porque tentam primeiro legalizar-se. Mas sempre aparecem situações em que, de facto, a pessoa não sabe como fazer.

Tivemos, há pouco tempo, o exemplo de uma jovem que nem sequer sabia falar inglês, portanto, a dificuldade de comunicação para tratar do processo dela era complicada. Nós agarrámos nessa jovem, começámos a acompanhá-la de perto, a ajudá-la e hoje está legalizada, hoje tem a sua própria habitação, hoje vive numa condição normal. Eu devo dizer que era licenciada. Não vou personalizar porque não deve ser feito isso, mas é oriunda num país da África com uma literacia muito acima da média. Só por não falar português, nem inglês, tinha dificuldade de comunicação para ser tratado o seu devido o processo. E lá está, independente de não ter nada, nós ajudámos nessa circunstância. Nós temos essa prática já há longa data.

Também em relação, não só à questão da imigração, mas, também, à questão do apoio a pessoas em condição de sem-abrigo, a Câmara Municipal tem tido alguma participação nessa matéria?

Sem dúvida. A parceria que existe entre a Cáritas Diocesana e a Câmara Municipal de Setúbal é extremamente saudável e trabalhamos em conjunto. Devo dizer, inclusive, que nós assinámos um protocolo de SAAS (Serviço de Apoio à Ação Social) com a Câmara Municipal, pelas delegações de competências que houve da Segurança Social para a Câmara Municipal. Há todos os dias trabalho conjunto entre o município e as nossas técnicas, e a Câmara Municipal sempre olhou para a Cáritas como um parceiro fundamental para dar estas respostas.

Efetivamente, a relação é extraordinária entre as partes. É, sem dúvida, um trabalho conjunto, muito gratificante, devo dizer. Estou aqui como Presidente há dois anos – vai fazer dois anos em novembro -, e sinto um trabalho muito próximo entre, não só a Câmara Municipal de Setúbal, onde nós temos os equipamentos – que é no concelho de Setúbal e no concelho de Palmela. Em Palmela também temos, em Cajados, como quem vai para a Marateca, o equipamento que dá resposta já pertence ao concelho de Palmela. Também temos o protocolo assinado e, também, com eles, temos reuniões regulares de acompanhamento, ao dia e, depois, também trimestralmente, onde vão as direções estar presentes com os seus técnicos e com a respetiva vereação, seja com a vereação de Setúbal (Dr. Peno Pina), seja com a vereadora Maria João Camolas [de Palmela].

Há, sem dúvida, um excelente trabalho no sentido de tentar arranjar soluções. Infelizmente, por vezes, as soluções esgotam-se, precisamente pelas dificuldades que eu transmiti: hoje, a habitação da forma como está, nem sempre se arranja, de um dia para o outro, a solução para a pessoa. Então, aí, vamos alugar um quarto, uma determinada pensão, que temos aqui, e tentamos, de alguma forma, que a pessoa não fique na rua.

Já estivemos a discorrer bastante sobre o que é a função social da Cáritas. Quais consideram ser as iniciativas mais importantes no âmbito de outras funções da Cáritas, nomeadamente a função cultural, como nós falamos há pouco?

Há pouco, estava a dizer-lhe, em off, que era fundamental desenvolver aqui um aspeto que a Cáritas precisa, que é o voluntariado.

A nível da ação cultural, o que é que nós conseguimos desenvolver, e estamos a manter e a tentar aumentar? Nós temos as nossas pessoas em situação de sem-abrigo, que, de facto, não podem estar paradas. Então criámos os ateliês e, por vezes, temos ações na sociedade, nomeadamente o ateliê de música, que atua em determinados momentos quando é solicitado. O ateliê de fotografia, que expõe as suas fotos, com trabalho que é resultante dos nossos utentes que têm essa atividade. O ateliê das expressões plásticas, que tem as suas atividades de pintura, de barro, etc., e que, de facto, acabamos por expor. Portanto, a nível cultural, há, realmente, aqui tudo o que é para o espaço da música e da arte, a tentar que estas pessoas sejam envolvidas. Temos aí uma atuação importante.

Por exemplo, a Feira Eco, que houve em Setúbal, estávamos lá com uma banca, com os nossos produtos finais resultantes do trabalho deles. Na feira de Santiago, estávamos lá, também, com o nosso espaço a mostrar artigos que fazemos.

No âmbito cultural, sem dúvida alguma, temos essa posição bem definida, também sempre com o apoio da Câmara que nos desafia nessa parceria que nós temos. Devo dizer que, a semana passada, foi feita, aqui, a semana Cáritas Nacional, onde há formação nacional, que é sempre feita numa Cáritas Diocesana, e é um tempo em que tivemos momentos culturais, com as pessoas que vieram de todo o país e ilhas, de várias Cáritas Diocesanas, para além da formação. Tivemos a parte cultural de ir visitar a Casa da Baía, de ir visitar a Serra, portanto, de facto, cada vez mais tento que esse papel seja bastante forte aqui na nossa Cáritas Diocesana.

Aliás, essa era a próxima pergunta que eu iria fazer. Para além do balanço das atividades culturais que a semana teve, qual é que é o balanço geral que faz?

Eu considero que um êxito, fundamentalmente, pela formação que foi dada, conseguimos ter mais de 150 pessoas nessa formação. Estou à espera dos números em concreto, mas cerca – não vou dizer mais -, cerca de 150 pessoas [estiveram] nessa formação, com um programa bastante diverso para as pessoas que trabalham nesta área, a nível do apoio social, dia a dia, portanto, desde situações como a identidade e missão da Cáritas, para alguns colaboradores que não tinham noção do que era a identidade e missão da Cáritas, e que trabalham aqui há muitos anos, desde a parte da gestão de conflitos, desde a parte da liderança, desde a literacia financeira também, a nível da formação financeira. O feedback que eu tive dos colaboradores da Cáritas Diocesana de Setúbal – que eu depois de terminar a semana fui ter com essas pessoas, que foram cerca de 46 -, foi todo positivo. Depois de falar com os colaboradores, fui aos equipamentos onde estamos sediados; aqui perguntei se gostaram da formação. Disseram que foi essencial e que devia-se repetir este tipo de formação, e também, na Nossa Senhora da Paz, perguntei a todos os que estiveram presentes nos diversos workshops que tivemos.

A iniciativa repete-se anualmente, mas é por diocese. Agora, já não vai ser em Setúbal. Mas, sem dúvida alguma, é fundamental repetir-se anualmente, porque, também há a partilha de experiências entre as diversas realidades do país, que não são todas iguais.

Cada Cáritas Diocesana tem uma especificidade local, não é? Depois a partilha de experiências entre todas as Cáritas Diocesanas, que foram 20 – entre as Ilhas e também o Continente -, efetivamente permite os técnicos, quando se cruzam, trocarem experiências. Isso tira-se sempre conclusões positivas de práticas que, em determinada Cáritas, pode estar a ser feita e pode ser partilhada, positivamente, obviamente, com as outras Cáritas. Só por isso já vale a pena estarem todas juntas. Não estamos a falar dos corpos sociais das Cáritas, que isso normalmente existe, duas vezes por ano nos Conselhos Gerais. Estamos a falar, de facto, nos recursos humanos, das diversas Cáritas do país estarem a partilhar determinadas situações com que vivem diariamente.

Nesse âmbito, qual é que considera ser o balanço do seu mandato à frente da Cáritas de Setúbal?

Ah, isso não me fica bem falar. Eu responderia o seguinte: tento, da melhor forma, trazer a minha experiência profissional de liderança para esta instituição. A minha vida foi sempre trabalhando na BP e, portanto, foi uma casa que nos ensinou a deixar de ser chefias para passarmos a ser líderes, que consiste em ouvir as pessoas, envolvê-las e traçar, com uma visão estratégica, o rumo para onde vamos, ir envolvendo as pessoas e ouvindo-as. Elas acompanham com maior felicidade aquilo que se pretende concretizar.

Eu não vou responder como é que me considero, que não me fica bem. O que eu quero, de facto, dizer, é que tentei trazer uma experiência profissional e de gestor de pessoas e de processos, para a Cáritas Diocesana de Setúbal e, portanto, tento, de alguma forma, que esta casa seja gerida, primeiro pela direção, depois pelas respetivas diretoras, mas também pelas coordenadoras, e muitas vezes digo aos colaboradores que eles não podem ser parte do problema, têm que ser parte da solução e que eles próprios também fazem parte da gestão. Para esta casa ter êxito, para a Cáritas ter êxito, na concretização daquilo que nos leva, que é a fraternidade cristã para com os mais pobres, para com as pessoas em mais situação de fragilidade, é preciso, de facto, nós sentirmos que todos trabalhamos para esse fim, e todos estamos destinados – ou diria mais do que destinados -, todos queremos estar envolvidos no sentido positivo de atingir esse objetivo. Isso só se faz ouvindo as pessoas, explicar-lhes se realmente faz sentido ou não, depois de ouvir esse trajeto e em conjunto atingir o objetivo final que se pretende, que é ajudar qualquer indivíduo que esteja em fragilidade de dignidade humana.

Estamos agora no final da entrevista. A 26 de outubro de 2023, em declarações à Ecclesia, o sr. presidente da Cáritas afirmou que “depositamos uma grande esperança e confiança com a chegada do novo bispo”. A esperança e confiança depositadas cumpriu-se?

Cumpriram-se e, devo dizer que, o Senhor Cardeal D. Américo Aguiar tem um pensamento muito idêntico ao meu. De facto, é notável a sorte que eu tive de vir ter um cardeal, um Bispo de Setúbal, com o pensamento muito idêntico ao meu. De facto, nós temos que criar mecanismos de ajuda, qualquer que seja a circunstância. É um trabalho conjunto. Sinto, sempre, identificado com a mensagem que o Senhor Cardeal passa constantemente, e isso traz-me ainda mais energia, no sentido de manter o meu pensamento, do que considero que deve ser a ação da Cáritas.

A forma de pensar dele é exatamente igual à minha. É gratificante, quer dizer, ouvir o Sr. Cardeal falar destes temas, do apoio que temos de dar, da dificuldade que pode existir em determinadas pessoas, da sustentabilidade das organizações de solidariedade social, é algo que é tão importante ter um Bispo do nosso lado, com este tipo de pensamento, que me leva a dizer que nada acontece por acaso. Deus Nosso Senhor colocou-me aqui alguém com um pensamento exatamente igual àquele que eu, quando entrei aqui, defendia.

Eu sou um outsider, tive uma vida profissional e, como cristão, tive sempre como objetivo, a partir de um momento da minha vida, dedicar-me a estas causas. A empresa onde trabalhei deu-me condições para eu abraçar esta causa e, passado um ano – o pensamento do nosso Padre José Lobato, que era o administrador diocesano, já sabia que era este -, recebo um Senhor Cardeal e um Bispo, que tem exatamente o mesmo pensamento que eu tinha quando abracei este projeto. Sem dúvida alguma que identifico-me muito e cumpriu-se realmente o meu pensamento.


Se tiver sugestões ou notícias para partilhar com o Diário do Distrito, pode enviá-las para o endereço de email geral@diariodistrito.pt


Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito

fertagus

palmela
palmela