Entrevista | Afonso Brandão não revelou compromissos eleitorais e diz que “o segredo é a alma do negócio”
Entrevista exclusiva com Afonso Brandão, candidato Chega à Câmara Municipal de Palmela. No decorrer da entrevista disse "não ter pressas" para apresentar compromissos eleitorais, falando apenas de uma medida concreta (também defendida pelo PS) de construir um edifício para centralizar serviços na cidade, contudo admite ainda ter "de estudar melhor" as opções.

Nasceu e cresceu aqui em Palmela?
A minha família é da área do concelho de Palmela. Devido à profissão do meu pai vivi muito tempo no concelho de Almada. Há muitos que moro aqui, constituí família aqui e trabalho aqui há mais de 30 anos. É um concelho que me diz muito. Em comparação de quando eu era adolescente para agora vejo uma estagnação muito grande, vejo um concelho parado no tempo.
Qual é o seu percurso profissional?
Já fiz algumas coisas diferentes na vida. Neste momento, há 30 anos que trabalho em multinacionais da indústria automóvel no concelho de Palmela, sobretudo em cargos de gestão. Neste momento sou manufacturing manager na Visteon, uma empresa de alta produção.
Quando se deu o seu primeiro contacto com a política?
Eu sempre fui um homem de direita, nunca fui um homem de esquerda. Nunca me liguei a nenhum partido até ouvir o André Ventura e de facto comecei a estar cheio da política do sistema e da corrupção, de um país que tem uma carga fiscal brutal sobre todos nós. Há uma série de propostas, e de ideias e de ideologias que me começaram a cativar e fui conhecer o André Ventura.
Considera o Chega um partido fora do sistema e que se distancia da corrupção?
Não é do sistema, portanto vamos romper com ele, certamente que há propostas que vão ser executadas.
Na sua opinião, o que faz do Chega um partido que não é do sistema?
É não vivermos com a corrupção, é termos propostas que todos os partidos rejeitam constantemente porque eles querem continuar a viver neste sistema doente e nós não queremos. Queremos romper com isso e o André e toda equipa que ele lidera sabe qual é o caminho, tem sabido qual é o caminho ao longo destes 6 anos porque é um crescimento histórico, somos a segunda força maior e vamos ser Governo.
O Chega e o Partido Socialista, são o suporte parlamentar do Governo de Luís Montenegro e são o partido com mais propostas integradas no programa deste Governo. Na sua opinião, acha que esta é uma postura anti-sistema?
São pequenos detalhes. É o único partido que defende a redução de deputados. Esta é uma simples, mas temos mais propostas que nos podem distanciar de outros partidos. Os partidos do sistema aumentaram-se na última legislatura, o Chega foi o único que disse que cada um dos seus deputados vai encontrar uma associação ou uma causa para dar esse aumento.
O que pode destacar do trabalho autárquico do Chega em Palmela?
Nós fomos sempre uma força política no concelho que acompanhamos as outras propostas dos outros partidos, não temos linhas vermelhas com ninguém, nós aprovamos aquilo que entendemos que é favorável para a população, tem sido esse o nosso trabalho autárquico.
Pergunto-lhe mais do ponto de vista do contacto com a população e identificação dos problemas do concelho, o que têm feito em Palmela?
Todos os dias eu e os meus deputados autárquicos recebemos imensos pedidos de ajuda de muitos jovens que querem construir habitação no concelho e estão dois anos à espera para a aprovação, é inaceitável e acabaremos com isso nos primeiros 2-3 meses do início de trabalho, em 3 meses nós acabamos com isso. O mesmo se passa com empresários, acabámos de perder um investimento de um estúdio de cinema em Palmela.
São queixas que vos chegam ao partido. Mas por serem um partido recente, como é a ligação dos vossos militantes aos problemas de Palmela e que conhecimento que têm do concelho?
A militância cada vez é maior, continuamos a crescer e cada vez temos mais pessoas. Ainda esta semana fomos visitar uma herança do Álvaro Amaro em Palmela, que é o Palmela Village, que tem uma fossa a céu aberto. Tudo aquilo que eu veja que não esteja bem, vou resolver.
Que avaliação faz destes últimos 4 anos de executivo?
Se eu entendesse que é um desempenho de excelência não me estava a candidatar. Podemos ver o urbanismo, a juventude, a saúde, a educação, de facto as coisas não funcionam. Temos um gasto anual de cerca de 700 mil euros para alojar todos os serviços da câmara e isto é dinheiro mal gasto, a câmara tem de arranjar um edifício para concentrar todos esses serviços. Temos um parque automóvel na câmara que é velho. Temos um parque informático completamente obsoleto.
Falou num edifício para centralizar os serviços, mas num concelho tão disperso como Palmela, já tem ideia de onde o pode construir?
Tem de ser uma questão a médio prazo, tenho de estudar esse dossier com quem seja entendido na matéria, e que tenha experiência que me possa fazer assessoria, mas o que não falta é espaço aqui em Palmela. É um caderno que tenho de estudar e tenho também de perceber onde há falta de funcionários e onde podem ser colocados e requalificados. São cadernos que têm de se estudar melhor depois de se lá estar no poder.
Quais são os principais problemas que identifica no concelho de Palmela?
Os empresários não querem vir para cá. Identificamos uma rede viária que não está cuidada, uma necessidade de revisão da rede da água no Pinhal Novo, e ainda uma alternativa à estrada nacional 252. Que pressão fez a câmara para conseguir fazer isto? O atual presidente de câmara anunciou que ia fazer um novo posto da GNR no poceirão e só agora é que começaram as obras.
Quais são as principais ideias do seu programa eleitoral?
Trabalhar com transparência, rigor e contas certas. Não gastar dinheiro desnecessário e quando vier a altura, aprovar-se uma auditoria às contas sem reservas. Não gostava de apanhar uma câmara municipal falida, se assim for vamos trabalhar para a pôr em ordem.
Nós estamos ainda a desenvolver o projeto do programa e não temos a pressa que os partidos tradicionais têm, não trabalhamos para o show. Assim que tivermos as listas e programa fechados partilhamos, mas como sabem o segredo é a alma do negócio.
Relativamente à crise habitacional, Palmela carece ainda de habitação pública ou preços controlados, multiplicando-se a construção ilegal de casas móveis ou os empreendimentos com contornos e registos irregulares, como é o caso das AUGI ou do Palmela Village.
Quais são as propostas do Chega para resolver estes problemas?
Teremos de apoiar os portugueses e estaremos para aqueles que precisam de um período de ajuda. A habitação social se tiver que existir, existe, para aqueles que realmente precisam. Para os que nos vêm carregar de impostos, não há nada.
Relativamente ao Palmela Village, o Chega tem utilizado as redes sociais para falar desta polémica e utiliza este tema como um tema central para as eleições autárquicas. A verdade é que os grupos proprietários do empreendimento são a Pelicano, o Novo Banco e um fundo de investimento norte americano.
Como pretende resolver esta situação do Palmela Village se não fala destes responsáveis?
A culpa é da Câmara. A única forma de construir naquele local há uns anos foi para turismo. Arranjaram uma jigajoga, que é mesmo assim, para construir ali e depois deu no que deu. Este é um caso que não vai ser fácil e precisa de ser estudado por advogados, tenho de estudar muito.
Mas tendo em conta que é a Pelicano, o Novo Banco e o fundo de investimento que são proprietários e primeiros responsáveis pela situação, faz sentido culpar apenas a Câmara Municipal de Palmela e não falar destas outras entidades?
Porque a Câmara faz uma série de ilegalidades neste processo, passa licença de habitação a umas pessoas que depois não são legais, há aqui uma série de contornos que não são claros. Uma coisa eu posso dizer, independentemente das dificuldades, é que vamos ter de resolver porque as pessoas foram enganadas. É um assunto quente, é um assunto delicado, é um assunto que eu não consigo resolver sozinho, tenho de me rodear de quem perceba dessa matéria.
É um assunto para o qual chamou à atenção várias vezes, mas que não tem a certeza como o pode resolver?
Chamei à atenção que temos um problema ambiental, a falta de uma ETAR, que leva o saneamento a escorrer para a estrada ou para dentro do pinhal, trezentos e sessenta e cinco dias por ano, vinte e quatro horas por dia, isso é que me preocupa já. Esse não me parece difícil resolver.
Sendo a ETAR, a segurança, e até há pouco tempo, a recolha do lixo, responsabilidades exclusivas da empresa Pelicano, na sua opinião, como é que a CMP pode intervir?
Não vai ser fácil, mas tem de se resolver. Ou aquela ETAR funciona ou então, que eu não acredito que seja assim tão complicado ligar esta ETAR à da Quinta do Anjo.
Considera que a questão não é resolvida pelos responsáveis por uma questão de má fé destas empresas proprietárias do Palmela Village?
Não posso falar desses detalhes.
Mas o Chega já pediu alguma audiência com a empresa Pelicano para entender como se pode resolver a situação?
Já falámos com a associação de moradores, mas não temos nada para falar com a Pelicano, somos candidatos e não andaremos nunca com a carroça à frente dos bois.
Um dos outros problemas que estão a fustigar o conselho são as zonas AUGI como, por exemplo, o Pinhal das Formas, como pretende resolver estes problemas de licenciamento?
É um flagelo que está assolar Palmela, cada vez temos mais clandestinidade. Eu não sei o que é que diz o PDM, que voltou para trás porque há uma série de contestações, portanto tem de ser analisado para perceber como é que vamos tratar juridicamente deste tema. É uma matéria que tem de ser incluída e trabalhada.
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Que eu saiba, Palmela é uma mui nobre Vila com o seu Castelo altaneiro. O candidato ja a promoveu a cidade.
Obrigado pela promoçãoMedia: https://scontent-lis1-1.xx.fbcdn.net/v/t39.1997-6/106823040_953856961743328_2605604044035726523_n.png?_nc_cat=1&ccb=1-7&_nc_sid=23dd7b&_nc_ohc=Lj86b6l99NoQ7kNvwFlnkk3&_nc_oc=AdkwUetw3c24IcJG-L3Sc4Z1vvunDRsyVqmwvI3wzUX7btFaSd2Ft0RD7ZYgwFqRpaY&_nc_zt=26&_nc_ht=scontent-lis1-1.xx&edm=AOerShkEAAAA&_nc_gid=iSGpsYxzVcZXNgywpU_qyg&oh=00_Afa5ABk4xrqguwBiXcDxCxOBXbQMDRP12lZV5FyIOYrg7A&oe=68D8F785