Entre o Ruído e a Verdade
As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

Há momentos na política local em que o ruído parece falar mais alto do que os factos. A recente reunião de Câmara foi mais um desses episódios. Quem esteve presente, ou quem teve a preocupação de acompanhar a sessão completa, sabe que o vereador da CDU teve oportunidade de intervir sempre que o entendeu. Aliás, mesmo já na fase de encerramento dos trabalhos, voltou a pedir a palavra e foi-lhe concedida.
O problema nunca esteve no direito à intervenção. Esse direito existiu, foi respeitado e ficou registado. O que aconteceu depois foi outra coisa: perante a possibilidade de responder diretamente ao munícipe em causa, dentro dos três minutos previstos no Regimento, o vereador preferiu transformar esse momento num discurso de natureza partidária, deixando por responder aquilo que verdadeiramente interessava ao cidadão.
Ainda assim, dias depois, surgiu nas redes sociais um vídeo parcial, cuidadosamente editado, mostrando apenas um excerto da troca de palavras e omitindo todo o contexto anterior. Hoje, infelizmente, já não basta o que acontece; importa sobretudo a forma como se consegue apresentar os acontecimentos. E é precisamente aí que mora o perigo.
Quando se recorta a realidade para alimentar uma narrativa de censura que não existiu, não se está a defender a democracia. Está-se a enfraquecê-la. Porque a democracia vive da transparência, mas também do rigor e da honestidade intelectual. Sem isso, o debate político transforma-se num concurso de indignações fabricadas, onde vale mais o impacto do vídeo do que a verdade dos factos.
É um caminho perigoso. Um caminho que alimenta a desconfiança nas instituições, desgasta a relação entre eleitos e população e cria a ideia de que tudo é manipulação, mesmo quando os procedimentos foram cumpridos. Essa lógica pode render “likes”, partilhas e manchetes rápidas, mas deixa marcas profundas na qualidade da vida democrática.
Importa, por isso, recordar algo essencial: este executivo tem mantido uma postura de abertura e diálogo com todas as forças políticas do concelho. As diferenças existem e ainda bem que existem mas têm sido discutidas dentro das regras democráticas e com respeito institucional. Algo que muitos munícipes recordam não ter acontecido da mesma forma no mandato anterior.
Nos últimos tempos, porém, parece ter-se instalado uma estratégia baseada no conflito permanente: criar polémicas artificiais, amplificar acusações sem fundamento e transformar qualquer divergência num espetáculo político. Mas os cidadãos esperam mais dos seus representantes. Esperam seriedade. Esperam responsabilidade. Esperam verdade.
E a verdade é que os setubalenses e os azeitonenses sabem distinguir quem vive apenas da polémica de quem está verdadeiramente no terreno a trabalhar todos os dias pelo concelho. As pessoas reconhecem quem aparece apenas para criar ruído e quem dedica o seu tempo a resolver problemas, ouvir a população e construir soluções concretas.
Porque governar um concelho não pode ser uma competição de ruído. Deve ser um exercício de compromisso com a realidade e com as pessoas. E ainda bem que, mesmo sem qualquer experiência política anterior, integro com honra o Movimento Setúbal de Volta. Porque a política não deve ser um espaço reservado a carreiras ou a profissionais da polémica; precisa de pessoas genuinamente disponíveis para trabalhar, servir e devolver às suas terras aquilo que merecem. Setúbal precisa disso: de gente que acredita, que arregaça as mangas e que quer ver a sua terra de volta ao que já foi uma referência de orgulho, ambição e futuro.
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