Encerramento das urgências do Barreiro volta a ser destaque na reunião do Montijo
O encerramento das urgências de obstetrícia do Hospital do Barreiro esteve no centro do debate da Câmara do Montijo com críticas ao Governo. Chega acusa PSD de “abafar” oposição e ser “autista” em reunião do Montijo
O encerramento das urgências de obstetrícia do Hospital do Barreiro voltou a marcar a reunião da Câmara Municipal do Montijo, com críticas ao Governo e trocas de acusações entre vereadores.
O vereador do Partido Socialista (PS), Ricardo Bernardes, questionou o Presidente da Câmara, Fernando Caria (Montijo com Visão e Coração), sobre as diligências prometidas junto de outros Presidentes de Câmara de municípios da Península de Setúbal, para travar o encerramento das urgências de obstetrícia do Hospital do Barreiro.
Em resposta, o autarca garantiu que os contactos continuam a decorrer, envolvendo quatro municípios da margem sul e também o município de Vila Franca de Xira. Em resposta, o autarca garantiu que os contactos continuam a decorrer, envolvendo quatro municípios da margem sul e também o município de Vila Franca de Xira.
Fernando Caria explicou que os autarcas têm reforçado a pressão junto da Ministra da Saúde, apesar das dificuldades em conseguir uma reunião. “Em conjunto, reforçamos a nossa luta perante a Sra. Ministra da Saúde, que dificilmente pode ou quer receber-nos. Já solicitámos à Assembleia da República uma audiência com todos os grupos parlamentares e vamos continuar esta luta até termos garantias de que a obstetrícia no Barreiro se mantém, ou que existe uma resposta normalizada no Hospital Garcia de Orta”, afirmou, sublinhando que o objetivo é impedir o encerramento das urgências.
O presidente acrescentou ainda que aguardam a marcação das reuniões parlamentares para dar continuidade às diligências.
O vereador Nuno Valente (Chega) declarou que consideram que a situação “é grave” e apontou o caso recente de uma grávida da Moita que, sem vaga no Hospital de Almada, acabou por dar à luz no parque de estacionamento do Hospital de Santa Maria. “ Esta grávida é do Vale da Amoreira, que está a cinco minutos do Hospital do Barreiro, agora imaginemos se fosse de Canha ou de Pegões ou do Montijo. É um problema grave”.
Nuno Valente, que assume ser a favor da demissão da Ministra da Saúde, questionou o vereador Pedro Vieira, do Partido Social Democrata (PSD), se estaria de acordo em pedir a demissão da Ministra.
Em resposta, Pedro Vieira afirmou que não se revê na forma de fazer política do Chega e que não vai para as reuniões de Câmara perguntar ao vereador Nuno Valente os motivos das ações do líder do Chega, André Ventura, e se revê na forma “misógina, homofóbica, xenofóbica de fazer política. Não lhe estou a dizer que se revê, mas eu não lhe faço essas perguntas porque acho que isso não é adequado ao local em que estamos”.
Pedro Vieira acrescentou ainda que a sua forma de fazer política “é pela via do diálogo” e não pela “rutura”. “O que nós temos que fazer é estabelecer diálogo com quem está no poder” porque “não podemos impedi-los (o Governo) de exercer essas competências de um modo livre”.
Nuno Valente, em resposta ao vereador do PSD, acabou por referir que a Lei da Nacionalidade, aprovada esta quarta-feira, com votos a favor do Chega, PSD, CDS e IL, que “existe diálogo” entre os dois partidos e que “se calhar não há mais diálogo porque os senhores às vezes são autistas, por terem a tática política de abafar o Chega”.
Para além da saúde, a reunião abordou outros temas. O vereador Ricardo Bernardes também perguntou se o problema da recolha de resíduos está regularizado, uma vez que ainda se verifica “alguma acumulação de lixo doméstico ao lado dos contentores”. O presidente garantiu que “tem havido uma normalização na recolha de lixo”.
O vereador Pedro Vieira informou também que votaram contra a distribuição dos lucros da AMARSUL porque “apesar de ter lucros, não está a fazer o nível de investimento a que se propôs. Propôs-se a investir num triénio à roda de 40 milhões de euros, e no último ano, 2025, o primeiro do triénio só investiu 4 milhões quando tinha previsto algo acima de 10 milhões de euros e, portanto, perante esse défice de investimento, a empresa gerou lucros”.
O vereador do PS questionou ainda em que ponto está a recuperação do edifício da Trabatijo, para construção de um novo polo cultural e quais os planos para a dinamização do espaço quando a obra estiver concluída. O Presidente afirmou “que ainda não temos definido o que vamos fazer ali, e a seu tempo iremos transmitir aqui o que é que iremos fazer naquele espaço que tem que ser aproveitado”.
Também questionou qual o ponto de situação da recuperação da estrada do Seixalinho que “está em más condições” e agravadas “pela precipitação abundante” do último inverno. Admitiu também “que essa intervenção já devia ter sido feita e que os executivos municipais, nomeadamente o PS, já a deviam ter feito”. Fernando Caria declarou que já encetaram o concurso para requalificar a estrada na totalidade e acredita que “até junho a estrada estará concluída”, antes das festas de São Pedro.
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