De emigrante açoriana a estrela mundial: Nelly Furtado afasta-se dos palcos após 25 anos de carreira
Com uma carreira marcada por sucessos mundiais como I'm Like a Bird e Say It Right, e por uma versatilidade que a levou do folk ao R&B, do inglês ao espanhol, Nelly Furtado despede-se dos concertos ao vivo para se dedicar a novos projetos criativos e pessoais

Nelly Furtado anuncia afastamento dos palcos
A cantora luso-descendente Nelly Furtado anunciou esta sexta-feira, 24 de outubro de 2025, que vai afastar-se dos palcos “por tempo indeterminado”, para se dedicar a outros “empreendimentos criativos e pessoais” que considera mais adequados à nova fase da sua vida.
Na comunicação feita nas redes sociais, Nelly Furtado escreveu que sempre verá a composição como forma de expressão que “teve a sorte de transformar num trabalho” e que “me identificarei como compositora para sempre”. O anúncio surge num momento simbólico: quando assinala os 25 anos do seu álbum de estreia Whoa, Nelly! (2000), a artista decide marcar uma transição que, embora possa não significar um “adeus” definitivo, encerra uma era de actuação ao vivo.
Das raízes aos primeiros passos (1978–1999)
Nelly Kim Furtado nasceu a 2 de dezembro de 1978 em Victoria, British Columbia (Canadá), filha de emigrantes açorianos da ilha de São Miguel. Cresceu num ambiente bilingue e multicultural, aprendeu cedo a tocar vários instrumentos e começou a escrever as suas próprias canções ainda em adolescente.
Em 1996 mudou-se para Toronto, onde iniciou a sua jornada musical mais séria, chegando a formar a dupla Nelstar, num registo trip-hop. Apesar da curta duração do projeto, este período foi essencial para definir a sua identidade artística híbrida: canadiana, portuguesa, criadora e exploradora.
A subida ao estrelato (2000–2005)
O álbum de estreia Whoa, Nelly! foi lançado em 2000 e tornou-se um sucesso internacional imediato. Com temas como I’m Like a Bird e Turn Off the Light, conquistou público e crítica. “I’m Like a Bird” valeu-lhe um Grammy de Melhor Performance Pop Vocal Feminina e transformou Nelly Furtado numa das vozes mais marcantes do início dos anos 2000.
Em 2003 lançou Folklore, um álbum de sonoridade mais folk/pop, fortemente marcado pelas suas raízes portuguesas. Apesar de não ter tido o mesmo impacto comercial, revelou a versatilidade da cantora e a sua vontade de experimentar novos caminhos sonoros.
O auge global (2006–2009)
Em 2006, com Loose, Nelly Furtado atingiu o auge da sua carreira. Produzido em parceria com Timbaland, o álbum adoptou um registo mais próximo do R&B e do pop contemporâneo. Canções como Promiscuous, Maneater e Say It Right dominaram tops mundiais, e o disco vendeu mais de 10 milhões de cópias, tornando-se o mais bem-sucedido da sua carreira.
Três anos depois, em 2009, arriscou um novo caminho e lançou Mi Plan, totalmente em espanhol, que lhe valeu um Grammy Latino, confirmando a sua projeção global.
Entre a introspecção e a independência (2010–2024)
Após o enorme sucesso comercial, Nelly Furtado procurou regressar a uma dimensão mais pessoal e independente. Em 2012 editou The Spirit Indestructible, um disco mais introspectivo. Em 2017 lançou The Ride, desta vez de forma independente, reforçando o desejo de controlar o rumo da sua carreira.
Em 2024 regressou com 7, o sétimo álbum de estúdio, que revisitou sonoridades já familiares e trouxe novas colaborações, mostrando que a sua criatividade permanecia intacta.
O anúncio de 2025
Ao anunciar agora o afastamento dos palcos, Nelly Furtado deixa claro que pretende priorizar a composição e outros projetos pessoais. “Gostei imenso da minha carreira e ainda adoro compor música… identificar-me-ei como compositora para sempre”, declarou, acrescentando sentir “gratidão infinita” por todos os que acompanharam a sua música ao longo destes 25 anos.
Sublinhou ainda que se sente feliz por ver a sua obra a ser redescoberta por novas gerações, algo que interpreta como sinal de legado.
O balanço
Nelly Furtado construiu uma carreira marcada pela diversidade: do exotismo e frescura de Whoa, Nelly! ao estrelato pop planetário de Loose, passando pela reinvenção em espanhol e pela busca de independência criativa. O afastamento dos palcos não significa necessariamente o fim da música, mas antes o fecho de um ciclo de intensa actividade ao vivo.
Para os fãs, ficam as canções icónicas que atravessaram gerações e a expectativa de que a compositora — como se assume agora — continue a criar, ainda que longe dos palcos.
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