A estimativa é do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), que prevê uma redução global de 11% no país, valor mais acentuado na Região Demarcada do Douro. No planalto de Favaios, em Alijó, os cenários variam de vinha para vinha, refletindo a heterogeneidade desta região histórica.
Para Mário Monteiro, viticultor e presidente da Adega Cooperativa de Favaios, a colheita de moscatel deverá manter-se estável face ao ano passado, embora preveja descida nas castas tintas. Produz anualmente cerca de 138 pipas de moscatel e garante que as uvas “cresceram praticamente sem doenças”.
O ambiente das vindimas mantém tradições. Helena Sequeira, que nasceu e vive em Favaios, não dispensa os cantares que ainda ecoam entre os valados. Para ela, “as vindimas já foram mais alegres” e a maior preocupação é a dificuldade de escoamento do vinho. “Não deixem morrer o Douro”, apela.
Entre trabalhadores locais e equipas contratadas em concelhos vizinhos, as jornadas começam cedo. Vítor Dias, residente em Resende, levanta-se às 03h30 para transportar equipas que iniciam o corte das uvas às 07h00.
Apesar do entusiasmo, os números mostram dificuldades. Gomesindo Pires lamenta que as uvas estejam mais leves: “Onde no ano passado trazíamos mil quilos, este ano chegam 700 ou 750”. Com dez hectares de vinha, receia não ultrapassar as 90 pipas.
Outros viticultores confirmam perdas: Duarte Guedes estima quebras de 10 a 15% nas uvas-brancas e tintas; Francisco Santana, com 2.000 videiras, produziu apenas metade do habitual; e Joaquim Pereira aponta para menos 20%, mas realça a qualidade do fruto.
A Adega de Favaios, com cerca de 500 associados e um volume de negócios próximo dos 20 milhões de euros, iniciou a receção de uvas alguns dias antes do habitual devido ao stress hídrico em várias vinhas. Em 2024, produziu 12 mil pipas.
O enólogo Miguel Ferreira explica que “há zonas altas com boas produtividades, mas nas encostas junto ao Pinhão e Sanfins a quebra é maior devido à menor retenção de água nos solos”. A adega está também a investir em novas tecnologias de vinificação, visando criar vinhos com menor teor alcoólico, procurando novos consumidores e respondendo à procura internacional.
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