Opinião

Do fascismo internacional disfarçado de Filantropia

As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

“Fazer o bem” nunca foi tão popular… nem tão lucrativo.

As parcerias público-privadas, que ora dominam a saúde pública global, foram magnânimas em 2020 enriquecendo os seus financiadores como nunca. Durante a recente crise sanitária, na mesma proporção que, empresários e filantropos milionários, conseguiram revigorar a esperança das gentes apavoradas, infantilizadas e dependentes, também trouxeram o controlo vertical e a comoditização. Motivados por uma turba de discípulos dedicados, por instituições corruptas e por fundações caritativas, tomaram as rédeas da saúde global e, fazendo tábua rasa do conflito de interesses, catalisaram a hegemonia de think-tanks corporativos desvirtuando o altruísmo .

O tratado pandémico  presentemente em negociação, edificará aquelas parecerias porque, ao facilitar os confinamentos, o encerramento de fronteiras e a vacinação coerciva, promete o empobrecimento e a subjugação dos povos, particularmente dos mais dependentes  e menos afortunados. Este novo paradigma de “fazer o bem esmagando os frágeis” é tornado possível porque a Organização Mundial de Saúde (OMS), as agências internacionais e as fundações privadas, que outrora advogavam a melhoria das condições de vida e de saúde dos mais carenciados – na observância da Declaração de Alma Alta e da Declaração Universal sobre  Bioética e Direitos Humanos (1) – deixaram de o fazer.

Em boa verdade, a prossecução do lucro vem substituindo princípios basilares em Saúde Pública, tais como:

  • O empoderamento da comunidade;
  • A igualdade de oportunidades;
  • O combate à pobreza (de facto e não apenas em teoria).

Sucumbiu a defesa heróica de direitos inalienáveis para dar lugar à bajulação e ao enriquecimento pornográfico duma elite minoritária, afigurando-se o empobrecimento dos povos muito mais conveniente que o seu empoderamento que se tornou num alvo a abater.

Os últimos anos têm sido especialmente desmoralizantes para quem continua a acreditar e a defender os princípios plasmados na Constituição da OMS (2) e nas convenções internacionais, entretanto firmadas, porque garante de Direitos Humanos Inalienáveis e porque contra o recrudescer do Fascismo Sanitário – ainda que sob a capa da filantropia.

O postulado em Alma-Ata e reforçado em 2018 na Declaração de Astana, advogando o  envolvimento e a colaboração activa das comunidades na persecução da sua sanidade e da sua prosperidade, encontra-se substituído por um modelo de saúde pública colonialista. Assistimos ao golpe de estado em câmara lenta por parte da OMS e dos seus financiadores privados, determinados a confiscar a soberania dos estados em nome da preparação para as eventuais “emergências de saúde pública de preocupação internacional e regional”. Um golpe materializado nas cerca de 300 propostas de alteração ao Regulamento Sanitário Internacional (RSI) presentemente em discussão com vista à futura aprovação.

Todavia e conforme recentemente documentado pela Universidade de Leeds(4), as pandemias são eventos raros e não estão a tornar-se mais frequentes. Não existe nenhuma emergência sanitária que justifique esta pressa.

Não deixa de ser curioso o sequestro da saúde global por parte dos mesmos que, em  2019, elaboraram um relatório para a mitigação duma pandemia de gripe que repudiava  os confinamentos e o encerramento de fronteiras devido à sua natureza discriminatória e prejudicial para as pessoas e para as comunidades mais frágeis e de menores recursos. Hoje, as mesmas sumidades que se oponham ao colonialismo com pretexto sanitário, defendem um regime uniformizado de coerção e de controlo.

Gestores e investidores corporativos são os novos gurus em saúde e a decadência dos valores humanistas, a devassa ética e a ameaça à Liberdade a que assistíamos, tiveram o seu corolário na resposta à Covid19. Concomitantemente a defesa dos Direitos Humanos, do consentimento informado e da autodeterminação, passou a constituir um movimento marginal, ou seja um alvo a abater. É neste contexto que se impõe a seguinte pergunta:

Por que razão milhares de pessoas concordaram ou ainda concordam com a implementação de medidas sanitárias tirânicas, prejudiciais e erradas?

As resposta poderá estar numa das afirmações seguintes:

  1. A segurança profissional, os incentivos e as regalias empresarial facilmente se sobrepõem aos valores humanistas e à Ética.
  2. O medo e a angustia perante o desconhecido são universais pelo que, ao assumiram proporções avassaladoras, acabam por obscurecer a razão independentemente da inteligência, da formação académica e da experiência de vida.
  3. A História da Medicina não consegue esconder os inúmeros atropelos éticos, tampouco os episódios em que a classe se deixou deslumbrar por movimentos controversos como o da eugenia ou em que foi conivente com abusos de poder e genocídios, obrigando à regulação deontológica em códigos e em tratados nacionais e internacionais.
  4. Infelizmente existem indivíduos de fraca índole que reconhecem o erro mas não possuem a coragem necessária para o enfrentar, o denunciar ou lhe resistir, preferindo esperar que um qualquer movimento de protesto cresça o suficiente para se tornar seguro.- funcionários que se limitam a cumprir ordens acriticamente, desculpabilizando a sua cobardia com o argumento: “se eu não cumprir alguém o fará por mim”…
  5. O poder é sedutor e o sentir-se como parte integrante do combate a uma pandemia é entusiasmante. A natureza humana é propensa a perpetuar momentos de auto-importância.

Mas volvidos quatro anos não podemos continuar a ignorar a malefício desta deriva sanitária globalista e corporativista:

  • É chegada a hora daqueles que sempre pugnaram pela essência da Constituição OMS exigirem o seu cumprimento
  • É chegada a hora de insistir na ideia humanista de equidade no acesso e promoção da Saúde, em contraponto com a ideia materialista da distribuição equitativa de Saúde  enquanto mercadoria e que nada mais faz senão enriquecer quem a financia e promove – não porque o lucro seja algo mau mas porque permitir que pessoas morram em seu nome constitui um crime.

Se nada se fizer, a prazo, todas as instituições de saúde pública serão desprovidas de credibilidade. Vivemos uma encruzilhada em que a comunidade internacional será obrigada a definir-se: ou opta por continuar a fazer parte do crime ou opta por regressar às origens, apoiando os povos na conquista e preservação do seu completo bem-estar físico, mental e social.

  • Urge um novo modelo de decisão em Saúde Pública que garanta, ao indivíduo e à comunidade, a decisão final em matéria de saúde.
  • Urge a abordagem “não colonialista” da Saúde Pública Global. São os países que devem determinar as suas prioridades em saúde, existindo margem  para o diálogo e para a cooperação. A Constituição da OMS tem que ser capaz de impedir a recorrência do colonialismo sanitário e de travar o  fascismo internacional.

“De todas as tiranias, aquela que é exercida para o bem das suas vítimas, pode ser a mais opressiva. (…)Nada pior que o jugo de moralistas metediços e omnipotentes” C. S. Lewis (in: Deus no banco dos réus: Ensaios sobre Teologia).

REFERÊNCIAS:


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comentário

  1. O que é essa coisa do “Think-Tanks”??!!!! Sou português e adoro a língua do meu país. Deixe ver….. essa coisa é o nome de uma marca de pasta de dentes. Não é??!!! Ups!!! engano meu. Mas sabe, Camões é o meu guia e não esses inglesismos de merda.