Opinião

DO DESPERTAR PARA A SERVIDÃO VOLUNTÁRIA

As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

“Acordei – tradução literal da palavra “woke”, simple past (passado) do verbo “to wake” que significa acordar ou despertar

O uso do termo “woke” surgiu pela primeira vez no seio da comunidade afro-americana,  com o sentido: “estar alerta para a injustiça racial”. A conotação política emergiu em 1860 dentre os apoiantes de Abraham Lincoln. E desde a década de sessenta do século XX, com particular ênfase após advento deste milénio, o “ser ou estar woke” passou a ter uma acepção não apenas política mas também identitária, filosófica e comportamental.

O crescente pendor dogmático converteu o Wokismo numa beatice fundeada em políticas liberais, ditas de esquerda, na defesa da igualdade racial e social, mas também do feminismo radical, do lobby LGBTQIA+, do multiculturalismo selvagem, da vacinação coerciva, do paranóico activismo ecológico e ainda do direito ao aborto e à eutanásia, que apesar de aparentemente nobres, encerram o pedante desígnio de “hipermoralizar” a sociedade.

Se “ser ou estar Woke”, originária e conceptualmente, transportava a insigne intenção de despertar a consciência social, racial e humanitária, questionando paradigmas e normas opressoras, a sua mais recente versão perverteu-o num dos bastiões do totalitarismo moderno, sustentado em cinco pilares:

I – Roubo de Identidade: o primeiro expediente de qualquer autocracia. O melhor exemplo é a “ideologia de género” que, em bom português se deveria dizer, “ideologia de sexo”, porque a linguagem importa (pois clarifica ou defrauda a realidade) – nós, os humanos, pertencemos a um só Género, taxinomicamente designado como Homo. Este, na nossa espécie (Homo Sapiens), expressa dois genótipos sexuais: XX – feminino e XY – masculino (1). Por conseguinte, a expressão “identidade de sexo”, mais positivista, esboroa a maciez do termo “identidade de género” e desmascara a sofisma do anglicismo, trazendo à tona a enormidade do que se postula.

II – Censura e Doutrinação: ferramentas indispensáveis aos déspotas, são um recurso precioso desta ideologia – o insistente apelo à tolerância, à aceitação, à inclusão e ao cuidado revela-se unidirecional, conforme atesta o comportamento dos militantes da doutrina, que se sentem autorizados para agredir, invadir, sabotar e/ou rotular quem os confronta.

III – Absolutismo e Parasitismo Cultural: pugnando pela destruição dos símbolos da cultura ocidental, legitimam o ataque à Família Natural, o ataque à Ciência, o vandalismo de monumentos e de obras de arte, bem como o apoucar dos feitos históricos e das comemorações tradicionais. E ainda fazem a elegia de condições físicas e de actos médicos pouco saudáveis ou de ética discutível, de que são exemplo a celebração da obesidade, a prescrição leviana de bloqueadores da puberdade e a banalização das mutilantes cirurgias de transição. 

IV – Vitimização: culpando os Outros, a Natureza, a Tradição e a História pela inépcia, pela preguiça, pela insanidade, pela debilidade moral, pela inadaptação e/ou pelos crimes cometidos pelos  seus acólitos.

V – Alarmismo: promovendo a ideia do apocalipse civilizacional de causa antropogénica (alterações climáticas, vírus, governantes deletérios, etc.) – ao mesmo tempo que se adoptam novos totens salvíficos.

E nada disto é casual ou inocente.

O caminho para a servidão voluntária está a ser conduzido por tecnocratas e oligarcas monopolistas. E foi encetado quando a praga do “politicamente correcto” infestou a opinião pública.

“O sonho dum povo unido e a comemoração dos heróis caídos” está por trás da saudação fascista, por trás da submissão ao líder e por trás do sentimentalismo kitsch (i.e. de pacotilha) que sustenta a estética da tirania. E o Kitsch, cultuado pelos regimes totalitários de outrora, enquanto técnica de controlo veiculada pela propaganda, tem no Woke o equivalente moderno.

A vela ao parapeito em sinal de luto (ou pela paz no mundo); o bater das palmas à janela;  as lágrimas de crocodilo perante a desgraça alheia; o diligente uso máscaras e demais rituais sem sentido, acriticamente seguidos em nome do “bem maior” ou apenas para preservar as aparências… tudo isto, é tão Kitsch quanto hipócrita e é Woke!

Uma vez mais a História se repete e os mais sentimentais voltam a desvelar-se os mais cruéis, convertendo a ilusão de solidariedade na força motriz para o ódio, que a turba destila, contra quem resiste a ajoelhar-se, a vacinar-se, a mascarar-se e a desvirtuar-se, tão só porque disturba a ordem instituída.

Ao correligionário Woke só importa a sua percepção e a sua experiência subjectiva. Tudo o mais passa a ser relativo, até a Razão, até a Ética, até a Biologia… e este relativismo radical, pedra angular do Wokismo, culmina na negação do senso comum. Se a sociedade consentir na contaminação pelo extremismo Woke, assistirá ao paulatino sucumbir dos Direitos Humanos.

O ataque selvático à sensatez e aos elementos mais capazes e saudáveis da sociedade é financiado por globalistas que almejam o controlo absoluto num império “neofeudal”.

Mas brincam com o fogo pois o estado de direito que pretendem destruir é o mesmo que sustenta os seus privilégios. Negligenciam também o alicerce da democracia ocidental: a ideação grega da “amizade entre cidadãos” (philia) considerada essencial ao bem-estar da cidade-estado (polis).

É neste conceito de amizade, sediado no vínculo entre indivíduos responsáveis e participativos, que reside o potencial para derrocar o globalismo. O mesmo vínculo que, na génese da revolução francesa, se transmutou no ideal da Fraternidade que não pressupõe a intimidade mas o empenho. Desafortunadamente a Fraternidade nunca se cumpriu. E, presentemente, também a Igualdade e a Liberdade estão sob ameaça.

Se queremos zelar pela nossa herança, salvaguardar a nossa continuidade e garantir a nossa prosperidade temos que nos reumanizar e voltar a reunir na praça pública – na ágora. Enquanto, sem medo, reabilitamos o livre pensamento e o debate de ideias com responsabilidade e sob a égide da fraternidade, na sua génese ancestral.

(1) – https://pt.wikipedia.org/wiki/Humano


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