Distritos de Leiria lutam para retomar a normalidade após destruição causada pela depressão Kristin
Várias localidades enfrentam falta de eletricidade, danos em telhados e sentimento de abandono, enquanto limpam estragos e aguardam ajuda.
Após a passagem da depressão Kristin na madrugada de quarta-feira, diversas localidades no distrito de Leiria esforçam-se para recuperar a normalidade entre reparações e limpezas, apesar da persistência de falhas nas comunicações e da ausência de eletricidade em muitas habitações.
Ao longo do território, desde Pataias, no concelho de Alcobaça, até São Pedro de Moel, na Marinha Grande, multiplicam-se as placas de trânsito no chão e o número incontável de árvores derrubadas, sendo frequente encontrar telhados danificados que requerem reparação.
Juliana Costa, que voltou ao trabalho num café em Pataias após o restabelecimento da energia na noite de sexta-feira, revela que “o ar condicionado do café ficou estragado e aqui houve alguns telhados atingidos”. Sobre a situação na sua residência na Moita, Marinha Grande, acrescenta que “lá foi pior – casas, carros… Temos água, mas ainda não temos eletricidade”. Relativamente à assistência, afirma que “a ajuda chegou no dia a seguir” e considera aceitável, pois “é muita gente, muita coisa estragada, não dá para irem a todo o lado”.
Na Praia da Vieira, ainda na Marinha Grande, Ana Cláudia agradece o trabalho dos bombeiros, que “na quarta-feira chegaram durante a manhã e hoje estão a retirar a água da cave inundada”. O telhado será reparado à tarde, antes do regresso da chuva. No entanto, lamenta a ausência de apoio das entidades públicas: “São os bombeiros que nos têm valido, de resto não apareceu ninguém. Agora vem gente aí ver a desgraça, tirar fotografias com o telemóvel, como se isto fosse o zoológico”. A água chegou logo de manhã, mas a energia elétrica não foi reposta ao início da tarde. Ana Cláudia destaca que “não falta o que comer, até porque os supermercados foram abrindo”, e assinala a redução da espera para abastecer combustível, de filas com dois quilómetros a 45 minutos de espera. Conclui com energia: “Olhe, estamos vivos”.
Em Monte Real, concelho de Leiria, os moradores recorrem a uma fonte pública para obter água, uma vez que a água da torneira não sai e não há eletricidade nem comunicações. Uma residente afirma que “Monte Real está esquecido, está morto”. Telhados, montras e varandas foram atingidos, e a população expressa fadiga por estar “desligada” e sem serviços básicos. “Não chegou ninguém. Não vi rigorosamente ninguém a perguntar ‘precisam de alguma coisa?’. E foram a outros sítios. Não era para estar aqui já um gerador a ajudar as pessoas? Alguns particulares têm, compraram enquanto havia, mas eu já não apanhei”, acrescenta.
Na cidade da Marinha Grande, num pavilhão destinado à distribuição de alimentos, produtos de higiene, cobertores e roupas, Felismina Antunes, da Moita, expressa sentir-se esquecida: “Sou compreensiva, foram muitos estragos, mas gostava que tivessem perguntado se precisava de alguma coisa. Ninguém apareceu, nem a junta”. Em casa, onde vive com dois filhos, já dispõe “de um fio de água”, mas a electricidade tarda em retornar e a comida começa a deteriorar-se. Refere ainda que telhas e barracões com máquinas foram danificados. “Estarmos vivos já é bom”, conclui, observando que a desilusão reforça a falta de vontade de votar.
Nos estaleiros municipais, Maria Marques, residente próxima, fala em “total esquecimento”. Apesar de continuar a morar em casa, não tem eletricidade e a água não permite um banho completo. Com móveis apodrecidos e telhado parcial que “deixa entrar frio”, aguarda a instalação gratuita de uma lona feita por um conhecido. “Onde é que ia dormir? A minha neta queria que fosse para casa dela, mas não podia deixar a minha casa assim”, lamenta.
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