Distração do Chega aprova moção do BE e gera polémica
Uma distração do Chega durante uma votação na Assembleia Municipal de Lisboa permitiu a aprovação de uma moção do Bloco de Esquerda sobre o acidente do Elevador da Glória. O partido contesta o resultado, garante que pretendia votar contra e exige agora a repetição da votação.
O Chega apresentou uma reclamação formal na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) após uma distração dos seus deputados ter permitido a aprovação de uma moção do Bloco de Esquerda (BE) relacionada com o acidente do Elevador da Glória.
Em comunicado, o líder da bancada do Chega na AML, Luís Pereira Nunes, garantiu que o partido nunca teve a intenção de votar favoravelmente o documento.
“A distração de um grupo municipal pode explicar uma ausência momentânea de manifestação, mas não dá à Mesa o poder de inventar votos favoráveis. O Chega não votou a favor desta moção. O nosso sentido de voto era e é contra”, afirmou.
O incidente ocorreu durante a reunião de terça-feira da Assembleia Municipal de Lisboa. No momento da votação da moção do BE, o presidente da AML, André Moz Caldas, questionou os deputados sobre os votos contra e as abstenções, tendo registado votos desfavoráveis do PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal (IL), sem que o Chega manifestasse qualquer posição.
Perante a ausência de indicação de voto por parte dos deputados do Chega, a Mesa considerou aprovada a moção apresentada pelo BE.
Contudo, somando os votos dos seis deputados municipais do Chega aos votos contra de PSD, CDS-PP e IL, o documento teria sido rejeitado.
Já durante o período destinado às declarações de voto, a deputada Margarida Bentes Penedo esclareceu que o partido pretendia votar contra a moção, pedindo desculpa pela distração ocorrida durante a votação.
O Chega considera, no entanto, que o resultado não reflete a vontade expressa da sua bancada e solicita a correção do registo da votação, eliminando os votos favoráveis que lhe foram atribuídos, assim como a repetição da votação, preferencialmente através de escrutínio nominal.
A moção em causa exigia respostas da Câmara Municipal de Lisboa relativamente ao descarrilamento do Elevador da Glória, ocorrido a 3 de setembro de 2025, acidente que provocou 16 mortos e 24 feridos de 15 nacionalidades.
Na reclamação apresentada, o partido sublinha que a oposição à moção não significa desvalorização da gravidade da tragédia nem da necessidade de apuramento de responsabilidades.
O episódio não foi, contudo, o único registo de distrações na sessão. Também o PSD falhou a votação de uma moção do PCP sobre os prazos de construção do futuro Aeroporto Luís de Camões e a desativação do Aeroporto Humberto Delgado. Nesse caso, o resultado igualmente favoreceu a aprovação do documento.
Confrontado com os pedidos para repetir as votações, o presidente da Assembleia Municipal de Lisboa recusou reabrir os processos já concluídos, defendendo que, uma vez proclamado o resultado, este não deve ser alterado, uma prática seguida em anteriores mandatos do órgão municipal.
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