Desalojados por derrocadas em Almada dizem-se sem alternativas e pedem respostas mais rápidas
Desalojados relatam saídas apressadas, perda de bens e até de trabalho, enquanto a autarquia garante alternativas e volta a pedir o reconhecimento de situação de calamidade.
Centenas de moradores retirados de casa no concelho de Almada vivem dias de incerteza, alojados temporariamente em hotéis e sem garantias sobre o que acontece depois. Há famílias com crianças, pessoas que não conseguiram salvar bens e quem diga ter perdido também o trabalho, numa crise que está a fragmentar comunidades inteiras.
Em declarações à Rádio Renascença, desalojados relatam avisos tardios, falta de soluções claras e o receio de regressar a zonas instáveis para tentar recuperar pertences. A autarquia assegura que ninguém ficará sem alternativa habitacional e volta a defender a necessidade de ser decretado estado de calamidade no município.
Famílias em hotel “até dia 23” e sem resposta para depois
Almada está a lidar com centenas de pessoas retiradas de casa devido ao risco de derrocadas provocadas pelo mau tempo, um cenário que, segundo vários relatos recolhidos pela Renascença, deixa moradores “com o coração nas mãos” e sem horizonte definido.
Uma das moradoras ouvidas, Sara, conta que recebeu indicação ao final do dia para abandonar o alojamento no dia seguinte, com um prazo limite ao meio-dia e “sem resposta alternativa” naquele momento. Diz ainda que só voltou a ser contactada pela autarquia já perto da hora estipulada e que, por agora, tem estadia assegurada “até dia 23”, sem saber o que acontecerá depois.
Sara está alojada com os dois filhos gémeos, de cinco anos, num quarto de hotel disponibilizado pela Câmara, uma das situações de acolhimento temporário referidas na reportagem.
“As casas estão todas a rachar”: moradores regressam para salvar bens
Na zona de Porto Brandão e na Azinhaga dos Formozinhos, o cenário descrito é de grande instabilidade e de saídas precipitadas. Fábio, obrigado a abandonar a casa a 11 de fevereiro com a companheira e dois filhos, afirma que não conseguiu retirar praticamente nada e admite que regressa para “salvar o que pode”, apesar do risco.
O morador alerta ainda para o clima de tensão e a insegurança associada a casas vazias, dizendo que há pessoas a tentar retirar bens quando percebem que não está ninguém. E deixa uma frase que sintetiza o desespero de quem não tem alternativa: “ninguém vai sair” se “não têm sítio para onde ir”.
“Fiquei sem casa, sem trabalho e sem perspetivas”
A reportagem inclui também o testemunho de Joana, que afirma ter perdido mais do que a habitação: diz que tinha dois trabalhos na zona (num alojamento local e num hostel de cães) e resume o impacto na vida quotidiana: “fiquei sem casa, sem trabalho e sem perspetivas de vida”. A moradora sublinha ainda a importância de manter a comunidade unida.
“Isto vai demorar”: a instabilidade das arribas e a incerteza do regresso
Há igualmente desalojados fora de Porto Brandão. Frederico, residente em São João da Caparica e também alojado no Hotel Inatel Costa da Caparica, lembra que “a arriba não está estabilizada” e que o processo deverá ser prolongado, aumentando a ansiedade sobre quando — e se — será possível regressar em segurança.
Câmara garante soluções e apela ao estado de calamidade
Contactada pela Renascença, a Câmara Municipal afirma que ninguém ficará sem solução habitacional e reforça o apelo para que seja decretado estado de calamidade no município, defendendo medidas excecionais para responder à dimensão do problema.
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