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Demitido economista que avisou para riscos de uma nova crise na Rússia

Andrei Klepach, economista-chefe do banco estatal russo VEB, foi demitido após ter alertado para o agravamento dos custos económicos da guerra na Ucrânia e para o risco de uma crise social na Rússia. O responsável chegou a comparar a atual situação do país com o período que antecedeu a Revolução Russa de 1917.

Andrei Klepach, um dos economistas mais conhecidos da Rússia e economista-chefe do banco estatal de desenvolvimento VEB, foi afastado do cargo após declarações críticas sobre o estado da economia russa e os impactos prolongados da guerra na Ucrânia.

As declarações foram feitas durante um fórum financeiro realizado em maio, mas só recentemente ganharam destaque na imprensa russa. Durante a intervenção, Klepach alertou para o risco de uma futura crise social e estabeleceu um paralelo com os acontecimentos que antecederam a Revolução de Fevereiro de 1917, que levou à queda do czar Nicolau II.

Na sua análise, o economista defendeu que a Rússia está a perder competitividade tecnológica e económica face a potências como os Estados Unidos e a China e alertou para os efeitos acumulados da guerra iniciada por Moscovo em 2022.

Klepach afirmou ainda que o país não conseguirá vencer uma prolongada guerra de desgaste económico, sublinhando que os custos do conflito continuam a aumentar e que as expectativas de colapso da Ucrânia não se concretizaram.

O discurso representou uma rara crítica pública, vinda de uma figura com responsabilidades numa instituição estatal, aos impactos económicos da guerra e à condução das políticas económicas russas.

O banco VEB confirmou posteriormente que Andrei Klepach já não desempenha funções como economista-chefe da instituição, embora não tenha apresentado qualquer explicação oficial para a decisão. O próprio economista confirmou a sua saída.

Entre as principais preocupações manifestadas por Klepach estiveram o aumento das desigualdades sociais, a desaceleração do crescimento económico, os efeitos dos ataques ucranianos a infraestruturas estratégicas russas e uma crescente dependência da China.

O economista criticou ainda a falta de coordenação entre as políticas monetária, orçamental e industrial da Rússia, considerando que a qualidade da governação económica tem vindo a deteriorar-se.

Apesar destas críticas, o Presidente russo, Vladimir Putin, continua a defender que a economia do país permanece estável e resistente às sanções e pressões externas impostas pelo Ocidente.

Segundo Klepach, o maior perigo poderá não ser um colapso económico imediato, mas sim um crescente atraso face aos principais concorrentes globais, com consequências que poderão vir a refletir-se na estabilidade social do país.


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