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Defesa de António Costa ataca “falta de clareza” da Procuradora-Geral no caso Influencer

Advogado de António Costa reage às declarações da Procuradora-Geral da República sobre o processo Operação Influencer, considerando-as “pouco claras” e apontando um “lapso infeliz” nas suas palavras.

A defesa de António Costa criticou esta sexta-feira as declarações da Procuradora-Geral da República (PGR), Lucília Gago, a propósito do processo Operação Influencer, o mesmo que levou à demissão do antigo primeiro-ministro em novembro de 2023.

Em declarações à agência Lusa, o advogado João Lima Cluny afirmou que as explicações da PGR “não foram claras” e frisou desconhecer qualquer impedimento legal que atrase a conclusão do inquérito onde o seu cliente foi ouvido em maio deste ano.

“Não posso deixar de as considerar pouco claras”, sublinhou o advogado, garantindo que “não existe qualquer recurso que impeça a conclusão da investigação” no processo em que António Costa foi chamado a prestar declarações.

As reações surgem depois de Amadeu Guerra, vice-procurador-geral da República, ter explicado que a investigação se mantém pendente devido a “um recurso interposto pelos arguidos” sobre a apreensão de correio eletrónico. “Enquanto não tivermos acesso aos ‘emails’, não podemos avançar”, referiu à margem de um encontro dos Gabinetes de Apoio à Vítima na Procuradoria-Geral da República.

Durante a mesma intervenção, o magistrado cometeu um lapso notório, referindo-se ao processo como sendo o “do ex-primeiro-ministro António Sócrates” — erro rapidamente corrigido, mas que não passou despercebido.

João Lima Cluny classificou esse momento como “um lapso infeliz”, frisando que o processo em que António Costa foi ouvido é uma certidão autónoma da Operação Influencer e “não depende do Tribunal da Relação de Lisboa”.

“Não temos conhecimento da constituição de qualquer arguido, nem de qualquer recurso que impeça a conclusão da investigação”, reiterou o advogado.

A Operação Influencer, desencadeada em novembro de 2023, levou à detenção de cinco pessoas, entre as quais o então chefe de gabinete de António Costa, Vítor Escária. Em causa estão suspeitas de crimes relacionados com projetos estratégicos, como a construção de um centro de dados em Sines, a exploração de lítio em Trás-os-Montes e o desenvolvimento de energia verde a partir de hidrogénio.

O caso acabou por precipitar a queda do Governo socialista, tendo António Costa, agora presidente do Conselho Europeu, sido apenas considerado suspeito, sem nunca ter sido constituído arguido.


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