“Defendo a suspensão do Congresso”. Polémicas dentro da JS levam dirigente a pedir a suspensão do XX Congresso da Juventude Socialista
Tal como o Diário do Distrito já tinha avançado, Ricardo Mendes, presidente da Comissão Organizadora do Congresso, confirma o ambiente de guerra interna na Juventude Socialista.
Depois de pedir o direito de resposta, o presidente da Comissão Organizadora do Congresso Federativo (COCF), Ricardo Mendes, concedeu uma entrevista exclusiva ao Diário do Distrito. Nesta entrevista confirmou o ambiente de “guerra interna” na Juventude Socialista (JS) , explicando que “considera muito estranho” que o assunto das moradas falsas “só tenha surgido no contexto de eleições internas”.
Nesta entrevista, que tinha como objetivo “esclarecer a situação” da irregularidade da sua própria morada, o dirigente socialista explica que no Partido Socialista está inscrito com uma morada e que na Juventude Socialista está inscrito noutra, as duas na mesma localidade, Sesimbra, mas em moradas diferentes. Diz que, apesar de a morada em que estava inscrito na JS não pertencer a nenhum familiar, pertence a “uma pessoa próxima” – utilizou a morada de forma provisória quando “mudou a sua militância” para o concelho de Sesimbra, em particular para a Quinta do Conde.
Relativamente às polémicas em que este congresso da Juventude Socialista está envolto, Ricardo Mendes defende que “seria preferível a suspensão, para que seja possível apurar a verdade”. Questiona ainda que vários dirigentes, em particular presidentes da Federação de Setúbal da JS, não tenham tido acesso a estas listas de moradas sobrepostas.
Ricardo afirma ainda que houve vários beneficiários destas irregularidades. Explica-nos que alguns responsáveis nacionais com tutela sobre os processos administrativos e eleitorais nesse período (nomeadamente entre 2018 e 2024) incluem figuras que hoje ocupam posições centrais no plano federativo e candidaturas em curso, o que considera reforçar a necessidade de esclarecimento.
Segundo os dados facultados por Ricardo Mendes, destaca-se o caso de Almada, onde se concentra a larga maioria dos militantes suspensos. Em particular, o ano de 2018 sobressai, representando 75% dos militantes suspensos neste concelho.
Estes números relativos a 2018 já tinham sido alvo de denúncias anteriores ao Diário do Distrito, associadas a uma alegada tentativa de inflação do número de militantes, incluindo situações de militantes registados com moradas em sedes do PS, casas de dirigentes ou habitações manifestamente incapazes de albergar o número de pessoas aí inscritas, chegando a existir casos de 16 militantes associados à mesma morada.
Segundo Ricardo Mendes, foram encaminhados três pedidos de impugnação de atos eleitorais relativos à eleição de Delegados ao XX Congresso Federativo, bem como uma denúncia dos cadernos eleitorais. Ricardo afirma que a Comissão Nacional de Jurisdição (CNJ) não se pronunciou sobre nenhum destes processos.
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