De Ponte Salazar a Ponte 25 de Abril: seis décadas a ligar duas margens
Ponte 25 de Abril assinala 60 anos da sua inauguração
A Ponte 25 de Abril celebra esta quarta-feira o seu 60.º aniversário, consolidando-se como uma das mais emblemáticas obras de engenharia em Portugal e um dos principais eixos de mobilidade da Área Metropolitana de Lisboa.
Inaugurada em 6 de agosto de 1966, a infraestrutura transformou a ligação entre Lisboa e a margem sul do Tejo, tornando-se, ao longo de seis décadas, um símbolo da modernização do país.
A cerimónia de inauguração contou com as mais altas individualidades portuguesas, entre as quais o Presidente da República, Almirante Américo de Deus Rodrigues Tomás, o Presidente do Conselho de Ministros e o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.
Estiveram presentes cerca de 12 mil convidados, e a cerimónia foi transmitida em direto pela Rádio Televisão Portuguesa.
O primeiro grupo de portageiros da Ponte 25 de abril era constituído por 20 trabalhadores, que estiveram, vestidos a rigor, nas portageiras, embora nesse dia inaugural não tenham sido cobradas portagens.
Quando abriu ao trânsito, a então designada Ponte Salazar, em homenagem ao Presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar, representava a maior ponte suspensa da Europa e a quinta maior do mundo.
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, adotou o nome pelo qual é hoje conhecida.
Uma obra de engenharia de referência
A ponte tem 2.277 metros de comprimento, dos quais 1.013 metros correspondem ao vão principal suspenso e as suas torres elevam-se a cerca de 190 metros acima do nível do rio, com o tabuleiro a situar-se aproximadamente 70 metros acima da água, permitindo a navegação de grandes embarcações.
A construção iniciou-se em novembro de 1962 e ficou concluída cerca de seis meses antes do prazo inicialmente previsto.
Na obra foram utilizados cerca de 263 mil metros cúbicos de betão e mais de 72 mil toneladas de aço.
Cada um dos dois cabos principais integra mais de 11 mil fios de aço de elevada resistência, demonstrando a dimensão e a complexidade do projeto.
Originalmente concebida com quatro vias rodoviárias, a ponte foi preparada desde o início para futuras ampliações.
Em 1998, o tabuleiro superior passou a dispor de seis vias de circulação, aumentando significativamente a capacidade de resposta ao crescimento do tráfego metropolitano.
Um ano mais tarde, em julho de 1999, entrou em funcionamento o tabuleiro ferroviário, permitindo a circulação de comboios entre as duas margens do Tejo.
Um dos corredores rodoviários mais movimentados do país
Sessenta anos depois da inauguração, a Ponte 25 de Abril continua a ser um dos principais corredores de mobilidade nacional, com uma estimativa de que, diariamente, circulem entre 150 mil e 160 mil veículos, dependendo dos períodos do ano e das condições de tráfego.
Em 1966, a travessia custava 20 escudos (o equivalente a cerca de 10 cêntimos de euro), um valor que, apesar de aparentemente reduzido, correspondia a um poder de compra muito superior ao atual.
Em 1996, no início da concessão à Lusoponte, a tarifa para veículos ligeiros era de 150 escudos (0,75 euros). Desde então, registaram-se sucessivas atualizações, atingindo 1 euro em 2002, 1,70 euros em 2016, 2 euros em 2023 e os atuais 2,25 euros em 2026.
A cobrança continua a ser efetuada apenas no sentido Almada–Lisboa, um modelo que se mantém desde a inauguração da ponte.
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