Da maternidade aos Pinicocas: Maria Safara apresenta em Santarém dois livros nascidos da vida real
A autora residente em Setúbal apresenta, a 10 de outubro, “Manual de Sobrevivência para Recém-Mães (para Não Enlouquecer)” e “A Família Pinicocas e o Caracol em Apuros”. Duas obras para públicos diferentes, mas com uma origem comum: a família e as relações tal como elas são.

À primeira vista, um livro sobre maternidade dirigido a adultos e uma história infantil sobre uma família e um caracol em apuros podem ter pouco em comum.
Para Maria Safara, nasceram exatamente da mesma matéria-prima.
“A vida real, a família, as relações e aquilo que acontece quando tentamos sobreviver ao caos sem perder completamente o sentido de humor.”
No próximo dia 10 de outubro, às 16h00, a autora vai juntar essas duas facetas da sua escrita numa apresentação na Sala de Leitura Bernardo Santareno, em Santarém.
A maternidade sem filtros
Maria Safara nasceu em Évora, cresceu em Vendas Novas, passou por Lisboa e acabou por encontrar em Setúbal o lugar onde construiu a família.
Mãe de três filhos, regressou à cidade para cuidar da avó quando esta adoeceu. A intenção era que fosse apenas uma pausa. Tornou-se uma vida.
Foi também da experiência familiar que nasceu Manual de Sobrevivência para Recém-Mães (para Não Enlouquecer), publicado pela Chiado Books.
“Queria dizer as coisas como elas são, sem filtros nem romantizações. Uso o humor para expor o lado absurdo da maternidade e acredito que muitas mulheres vão reconhecer ali pedaços da própria vida.”
O livro aborda o cansaço, a culpa, a solidão, a depressão pós-parto e a transformação da identidade que acompanha o nascimento de um filho, recorrendo ao humor para tornar mais leve uma conversa que nem sempre é fácil.
Quando fala sobre aquilo que mais a surpreendeu na maternidade, Maria Safara não escolhe as noites mal dormidas ou qualquer uma das dificuldades mais previsíveis de ter um bebé.
“A parte mais difícil não é o bebé. És tu a deixar de ser quem eras. Tu, e o casal.”
E há sentimentos aparentemente contraditórios que podem coexistir.
“Ninguém te diz que vais amar de uma forma quase violenta e, ao mesmo tempo, sentir saudades da tua vida antiga. Que vais estar exausta ao ponto de duvidar de tudo, inclusive de ti. Mas também ninguém te avisa que vais descobrir uma força quase animal para proteger os teus filhos.”
O objetivo, porém, nunca foi escrever um livro pesado. Maria Safara resume-o de forma mais simples:
“É um livro para dizer: ‘calma, não és só tu. Isto é mesmo uma loucura’.”
Os Pinicocas nasceram cá em casa
No livro infantil A Família Pinicocas e o Caracol em Apuros, publicado pela Flamingo Edições, a inspiração familiar torna-se ficção.
“A Família Pinicocas nasceu cá em casa, literalmente.”
As personagens foram inspiradas na própria família da autora, nas suas dinâmicas, aventuras, disparates e naquela que descreve como “a maravilhosa confusão que é viver com crianças”.
“Não são retratos perfeitos de ninguém — felizmente! — mas têm características, manias e situações que nasceram da nossa vida real.”
O caracol trouxe à história a aventura e também temas como amizade, empatia, cooperação e entreajuda. Para Maria Safara, há uma ideia particularmente importante por detrás da história: perceber “que não precisamos de fazer tudo sozinhos e que, às vezes, ajudar alguém é a melhor aventura de todas”.
É aqui que os dois livros se encontram.
“No fundo, escrevi os dois livros porque gosto de falar sobre família, mas não gosto muito daquela versão cor-de-rosa e imaculada da família. Gosto da família real: com amor, gargalhadas, birras, caos, caracóis em apuros e adultos a tentar perceber o que estão a fazer.”
Dois livros lado a lado
Até agora, cada obra teve o seu espaço e o seu público. Em Santarém, Maria Safara vai apresentá-las juntas.
“Apresentá-los juntos permite-me mostrar essas duas facetas: a mulher que escreve sobre a maternidade com humor e a autora que também escreve para crianças.”
Mais do que a divulgação dos livros, a autora vê estes encontros como uma oportunidade de aproximar a escrita das pessoas.
“Uma apresentação de livros é sempre mais do que vender livros. É encontrar pessoas, conversar, ouvir histórias e perceber que aquilo que escrevemos, que muitas vezes começa numa coisa muito nossa, acaba por encontrar eco na vida de outras pessoas.”
E agora?
Maria Safara continua a trabalhar em torno de temas como família, maternidade, educação e relações humanas.
Criou entretanto o podcast Não Era Bem Isto e tem desenvolvido trabalho na área da gestão da carga mental, através de mentoria e da criação de conteúdos para o Instagram e para o seu site. Quer continuar a escrever para adultos e crianças, mas admite também explorar outros formatos, da formação a projetos relacionados com educação e parentalidade.
“Neste momento sinto que estou numa fase de experimentar, criar e perceber onde é que todas estas peças podem encaixar.”
Sem um percurso totalmente definido — e aparentemente sem grande vontade de o transformar num.
“Não tenho propriamente um plano de carreira desenhado numa folha Excel — e talvez seja melhor assim. Já tenho filhos suficientes a fazer gestão de projeto por mim.”
Por enquanto, há pelo menos uma data marcada: 10 de outubro, em Santarém. E uma oportunidade para as histórias que começaram dentro de casa encontrarem novas famílias do outro lado das páginas.

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